A cada ano, entre 300 mil e 400 mil brasileiros sofrem um infarto — uma das maiores causas de morte no país. Antes que o coágulo bloqueie o fluxo e o músculo cardíaco sucumba, há uma janela de intervenção silenciosa e cotidiana: o que se coloca no prato. A cardiologista Aline Azevedo lembra que a alimentação não é coadjuvante da prevenção — ela é a sua pedra angular.
Cardiologista aponta alimentos que reduzem risco de infarto
Alimentação é a pedra angular da prevenção cardiovascular
Por que a cardiologista enfatiza tanto a alimentação se existem medicamentos para controlar pressão e colesterol?
Porque medicamento trata o sintoma. Comida trata a causa. A inflamação nas artérias, o colesterol alto, a pressão elevada — tudo isso começa na cozinha. Se você muda o que come, muda o que circula no sangue.
As nozes e frutas vermelhas parecem alimentos caros. Isso é realista para a maioria das pessoas?
É uma questão justa. Mas nozes duram semanas na geladeira e frutas vermelhas congeladas custam menos que frescas. E verduras de época, que são mais baratas, têm os mesmos antioxidantes. A prevenção não precisa ser luxo.
Qual é a diferença entre comer cinco porções de frutas e vegetais e não comer nada disso?
A diferença é 26% de risco a menos de derrame. Para uma população de milhões, isso significa centenas de milhares de pessoas que não vão sofrer um acidente vascular. É a diferença entre uma vida inteira de movimento e uma vida inteira de reabilitação.
A cardiologista menciona reduzir sódio, mas não fala em eliminar sal completamente. Por quê?
Porque o corpo precisa de sódio. O problema é o excesso. Dois milímetros de mercúrio em pressão normal pode parecer nada, mas multiplicado por décadas, multiplicado por milhões de pessoas, é tudo.
Se alguém já teve um infarto, essa alimentação ainda funciona?
Funciona ainda mais. Depois de um infarto, a alimentação não é prevenção — é reconstrução. É a diferença entre viver mais anos e viver melhor os anos que restam.
Il Polso
- O infarto mata centenas de milhares de brasileiros por ano, e a maioria dos casos poderia ser atenuada com escolhas feitas muito antes da emergência.
- Nozes, frutas vermelhas, verduras e leguminosas carregam compostos — ômega 3, antocianinas, fibras — que combatem o colesterol e a inflamação arterial, os dois grandes vilões do coração.
- Reduzir o sódio parece gesto pequeno, mas pode baixar a pressão arterial em até 6 mmHg em hipertensos, traduzindo-se diretamente em menor risco de infarto.
- Evidências de meta-análises mostram que cinco porções diárias de frutas e vegetais reduzem o risco de AVC em até 26% — não é promessa, é dado científico consolidado.
A cada ano, entre 300 mil e 400 mil brasileiros sofrem um infarto — uma das maiores causas de morte no país. Antes que o coágulo bloqueie o fluxo e o músculo cardíaco sucumba, há uma janela de intervenção silenciosa e cotidiana: o que se coloca no prato. A cardiologista Aline Azevedo lembra que a alimentação não é coadjuvante da prevenção — ela é a sua pedra angular.
O infarto é uma das principais causas de morte no Brasil, com até 400 mil casos por ano segundo o Ministério da Saúde. Ele acontece quando coágulos interrompem subitamente o fluxo de sangue ao coração, destruindo células do músculo cardíaco. O que a cardiologista Aline Azevedo, especialista em insuficiência cardíaca e prevenção de doenças relacionadas à idade, defende com convicção é que esse desfecho pode ser evitado — e a cozinha é o primeiro campo de batalha.
Azevedo aponta alimentos concretos. As nozes reúnem ômega 3, antioxidantes e fibras que trabalham em conjunto para reduzir o colesterol. As frutas vermelhas — mirtilo, morango, framboesa, amora — agem pelas antocianinas e flavonoides, que diminuem a inflamação nas artérias e fortalecem a saúde vascular. Verduras e leguminosas completam o arsenal, todos ricos em fibras que protegem o sistema cardiovascular.
O sódio merece vigilância especial: reduzi-lo pode baixar a pressão arterial em 6 mmHg em hipertensos e 2 mmHg em pessoas com pressão normal — quedas modestas no número, mas significativas no risco real de um evento cardíaco. A lógica é direta: menos pressão significa menos tensão sobre as artérias e menos chance de coágulo.
Os dados que sustentam essas recomendações vêm de pesquisa robusta. Uma meta-análise citada pela especialista mostra que três a cinco porções diárias de frutas e vegetais reduzem o risco de AVC em 11%; chegar a cinco porções eleva essa proteção a 26%. A conclusão de Azevedo é que a prevenção do infarto não começa no hospital — começa nas escolhas diárias à mesa, acumuladas ao longo de uma vida inteira.
O infarto mata. No Brasil, entre 300 mil e 400 mil pessoas sofrem um ataque cardíaco a cada ano — números do Ministério da Saúde que o colocam entre as principais causas de morte no país. A doença ocorre quando coágulos bloqueiam o fluxo sanguíneo para o coração de forma súbita e intensa, matando células do músculo cardíaco. Mas há algo que pode ser feito antes de chegar a esse ponto: a comida no prato.
A cardiologista Aline Azevedo, especialista em insuficiência cardíaca e ecocardiografia, tem uma convicção clara: a alimentação é a base da prevenção. "Pedra angular", ela chama. Não é apenas uma questão de evitar o que faz mal — é de escolher deliberadamente o que faz bem. E ela tem recomendações específicas.
Comece pelas nozes. Elas concentram ômega 3, antioxidantes e fibras, compostos que trabalham juntos para baixar o colesterol e reduzir o risco de infarto. As frutas vermelhas — mirtilo, morango, framboesa, amora — funcionam por outro caminho. Contêm antocianinas e flavonoides, antioxidantes que diminuem a inflamação nas artérias e melhoram a saúde vascular como um todo. Azevedo, que também é pós-graduada em prevenção e tratamento de doenças relacionadas à idade, não para por aí. Verduras, leguminosas e qualquer alimento rico em fibras entram na lista de aliados.
O sódio merece atenção particular. Reduzir a ingestão pode baixar a pressão arterial em 6 milímetros de mercúrio em quem já é hipertenso, e 2 milímetros em quem tem pressão normal. Parece pouco, mas essa queda se traduz em risco menor de infarto. A matemática é simples: menos pressão, menos força contra as artérias, menos chance de coágulo.
Os números que Azevedo cita vêm de pesquisa consolidada. Uma meta-análise mostrou que consumir entre três e cinco porções diárias de frutas e vegetais reduz o risco de acidente vascular cerebral em 11%. Subir para cinco porções diárias aumenta essa proteção para 26%. Não é propaganda. É evidência.
O que tudo isso significa é que a prevenção do infarto não é mistério. Não exige medicamentos caros ou procedimentos invasivos no começo. Exige escolhas diárias na cozinha e à mesa. Uma vida inteira de pequenas decisões — nozes em vez de biscoito, frutas vermelhas em vez de doce, verdura em vez de ultraprocessado — que somadas reduzem drasticamente a chance de um dia o coração parar.
Citazioni salienti
A alimentação saudável é a pedra angular da prevenção de doenças cardiovasculares em todos os indivíduos— Cardiologista Aline Azevedo
Consumir menos sódio pode diminuir a pressão em 6 mmHg em pessoas já hipertensas e 2 mmHg nos normotensos, reduzindo o risco de infarto— Cardiologista Aline Azevedo