Capixaba doa medula óssea que pode salvar paciente nos EUA

Um paciente nos Estados Unidos com leucemia aguda, linfoma, anemia aplástica ou mieloma múltiplo pode ter sua vida salva através deste transplante de medula óssea.
Receber a ligação foi uma surpresa imensa
Raphael descreve o momento em que foi chamado para realizar a doação que poderia salvar um paciente desconhecido nos EUA.
Mark

Como é que um doador no Espírito Santo acaba salvando a vida de alguém nos Estados Unidos? Parece quase improvável.

Mimi

Funciona através do Redome, o registro brasileiro. Quando não há doador compatível no Brasil, eles fazem buscas internacionais. A compatibilidade genética é o que importa, não a fronteira.

Luke

Mas a gente não sabe nada sobre o paciente americano, certo? Qual é a doença dele, qual é a chance real de cura? O texto diz que "pode salvar", mas não confirma se vai salvar.

Mimi

Verdade. Sabemos que ele tem uma das doenças que indicam transplante — leucemia aguda, linfoma, anemia aplástica ou mieloma múltiplo — mas os detalhes específicos não foram divulgados.

Mark

E quanto ao risco para o doador? Raphael precisou de internação, teve um cateter inserido. Isso é seguro?

Mimi

Segundo o hospital, foi apenas monitoramento de rotina. Não houve complicações. Mas é verdade que é um procedimento invasivo — uma agulha especial na virilha, anestesia, 90 minutos de cirurgia.

Luke

O texto diz que "não houve qualquer risco", mas isso é uma afirmação forte. Qualquer procedimento cirúrgico tem riscos, mesmo que mínimos. O que o texto realmente mostra é que não houve complicações neste caso específico.

Mark

Quantas pessoas no Espírito Santo estão cadastradas como doadores de medula?

Mimi

O texto não fornece esse número. Sabemos que o Hemoes faz o cadastro e que o Redome mantém o registro nacional, mas não há dados sobre quantos capixabas estão na fila.

Luke

Exatamente. Isso seria importante para entender se é fácil ou difícil encontrar um doador compatível. Sem esse contexto, fica difícil avaliar o quão raro foi o caso de Raphael.

Mark

Raphael é flamenguista e faz parte de um grupo chamado "Fla Medula". Isso influenciou a decisão dele?

Mimi

Ele se cadastrou como doador anos antes, então a decisão já estava tomada. O grupo provavelmente reforça a cultura de solidariedade, mas não foi o que o levou a se tornar doador.

  • Raphael Athayde de Souza, 37 anos, doou medula óssea em 20 de janeiro no Hospital Santa Rita
  • Procedimento durou 2 horas; doador internado uma noite para monitoramento
  • Medula transportada no mesmo dia para paciente nos Estados Unidos
  • Hospital Santa Rita é o único no ES habilitado para transplantes de medula via SUS
  • Doadores devem ter entre 18 e 35 anos e 6 meses; cadastro feito no Hemoes

Um autônomo capixaba realizou doação de medula óssea que pode salvar a vida de um paciente desconhecido nos Estados Unidos. O procedimento ocorreu no Hospital Santa Rita em Vitória, com coleta realizada em duas horas e internação de monitoramento de um dia.

Raphael Souza, de 37 anos, doou medula óssea no Hospital Santa Rita em Vitória para um paciente nos Estados Unidos. A doação foi realizada com sucesso e o material foi transportado internacionalmente para transplante.

Raphael Athayde de Souza, um autônomo de 37 anos morador de Vitória, recebeu uma ligação que mudaria a vida de um desconhecido do outro lado do Atlântico. Era o chamado para cumprir uma promessa que havia feito anos antes: ser doador de medula óssea. Sem hesitar, ele compareceu ao Hospital Santa Rita na segunda-feira, 20 de janeiro, consciente de que seu gesto poderia ser a única chance de um paciente nos Estados Unidos continuar vivendo.

O procedimento começou ao meio-dia e terminou duas horas depois. Uma agulha especial foi inserida através de um cateter na virilha de Raphael para coletar a medula, enquanto ele permanecia sob anestesia. Não houve complicações, mas o hospital optou por mantê-lo internado durante a noite para monitorar seu estado — uma precaução de rotina quando um cateter é colocado. No dia seguinte, ele recebeu alta e retornou para casa. A medula, porém, começava uma jornada muito mais longa. Ainda naquele mesmo dia, um courier chegou dos Estados Unidos para acompanhar o material. A medula foi acondicionada em um isopor especialmente preparado, toda a documentação foi organizada, e o material seguiu de avião para seu destino final.

Raphael é flamenguista declarado e integra um grupo chamado "Fla Medula", onde torcedores rubro-negros se mobilizam em torno da causa da doação. Quando recebeu a ligação, descreveu o momento como uma surpresa imensa. Ele acredita que o paciente que receberá sua medula terá motivos de sobra para celebrar essa nova etapa da vida — uma cura possível, uma segunda chance.

O Hospital Santa Rita é o único no Espírito Santo autorizado pelo Ministério da Saúde a realizar todos os tipos de transplante de medula óssea pelo Sistema Único de Saúde. Segundo Marcelo Aduan, coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Células Tronco Hematopoéticas da instituição, existem três modalidades de transplante. O transplante autólogo usa as próprias células do paciente, geralmente para tratar mieloma múltiplo, linfomas de Hodgkin e não Hodgkin, e tumores de testículos. O transplante alogênico aparentado vem de um parente compatível — frequentemente um irmão — e é indicado principalmente para leucemias agudas, oferecendo possibilidade de cura. O terceiro tipo, que foi o caso de Raphael, é o transplante alogênico não aparentado: a medula vem de um doador desconhecido registrado no Redome, o Registro Brasileiro de Transplante de Medula Óssea.

Para este último tipo funcionar, é necessária compatibilidade genética testada através do exame de Antígeno Leucocitário de Histocompatibilidade, conhecido como HLA. Quando não há doador compatível no Brasil, o Redome pode realizar buscas internacionais — exatamente o que aconteceu no caso do paciente americano que receberá a medula de Raphael. Aduan explica que, em casos raros, transplantes com compatibilidade parcial são possíveis, mas apenas quando não existe doador totalmente compatível disponível.

Pacientes elegíveis para receber medula óssea são aqueles diagnosticados com leucemia aguda, linfomas, anemia aplástica ou mieloma múltiplo. Seus médicos os colocam em lista de espera, e a compatibilidade genética determina quem será o doador ideal. A taxa de cura varia conforme as características da doença, as condições do paciente e se a leucemia está controlada no momento do transplante.

Quem deseja se tornar doador deve se cadastrar no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado, o Hemoes. Os candidatos precisam ter entre 18 e 35 anos e 6 meses, não podem ter doenças infecciosas, hematológicas, oncológicas ou autoimunes, e devem apresentar documento de identidade com foto. Uma amostra de 5 mililitros de sangue é coletada para o teste de compatibilidade genética. O voluntário assina um termo de consentimento e recebe uma cópia com seu número de registro no Redome. Aduan ressalta a importância de manter os dados cadastrais sempre atualizados — nome, endereço, telefone, e-mail — para que, quando chamado como possível doador compatível, possa ser localizado rapidamente.

Existem duas formas de coleta. A aférese é um procedimento por via periférica que se assemelha a uma doação de sangue comum, sem necessidade de internação ou anestesia. A segunda opção é a punção no osso da bacia com agulhas especiais sob anestesia, um pequeno procedimento cirúrgico que dura aproximadamente 90 minutos. A escolha entre os dois métodos não é do doador ou do paciente, mas uma indicação médica baseada no tipo de doença e no diagnóstico específico do receptor. No caso de Raphael, foi utilizada a punção na bacia, o procedimento mais invasivo, porque as necessidades do paciente americano assim exigiam.

Receber a ligação foi uma surpresa imensa
— Raphael Athayde de Souza, doador
Eu acredito que quem vai receber essa medula também terá motivos de sobra para celebrar
— Raphael Athayde de Souza, doador
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