Candidato do PL em Manaus promete diálogo com governo Lula apesar de críticas

Ser deputado é uma coisa, ser prefeito é outra
Neto explica como justifica sua mudança de postura entre o Congresso e a administração municipal.
Mark

Como um deputado que passa o dia chamando o presidente de ladrão consegue, de repente, prometer diálogo com ele?

Mimi

Neto separa os papéis. Para ele, ser deputado é estar na oposição, criticar, fiscalizar. Ser prefeito é governar uma cidade. São funções diferentes com lógicas diferentes.

Mark

Mas não é um pouco cínico? Chamar alguém de ladrão e depois pedir dinheiro para o seu município?

Mimi

Talvez. Mas é também como funciona a política brasileira. Você pode ser oposição no Congresso e pragmático na prefeitura. Neto está apostando que os eleitores entendem essa diferença.

Mark

E quanto às acusações de que ele quer acabar com programas sociais como Minha Casa, Minha Vida?

Mimi

Ele nega categoricamente. Diz que quer ampliar o programa, revisar o plano diretor para incluir mais áreas. É uma resposta direta ao que Almeida disse.

Mark

Bolsonaro está apoiando Neto. Isso não o amarra ideologicamente?

Mimi

Sim e não. Bolsonaro visitou Manaus três vezes este ano para apoiá-lo. Mas Neto está tentando se apresentar como alguém que consegue ser bolsonarista e gestor ao mesmo tempo.

Mark

Ele consegue?

Mimi

Isso depende do que os eleitores acreditam. Se acreditarem que ele consegue separar retórica de governança, ele vence. Se acharem que é tudo a mesma coisa, ele perde.

  • Alberto Neto chegou ao segundo turno em Manaus carregando o peso de discursos inflamados contra Lula — palavras que agora o adversário usa como arma.
  • David Almeida o acusa de querer suprimir o Minha Casa, Minha Vida e de ser extremista, tentando transformar a eleição em um plebiscito sobre radicalismo.
  • Neto responde com uma distinção entre o papel de deputado oposicionista e o de prefeito gestor, prometendo buscar recursos federais, revisar o plano diretor e ampliar habitação.
  • Bolsonaro visitou Manaus pela terceira vez em 2024 para reforçar a aliança, enquanto Neto simultaneamente sinaliza abertura ao diálogo interpartidário — um equilíbrio delicado.
  • A eleição se torna um teste sobre credibilidade: os eleitores decidirão se acreditam que um crítico feroz pode, de fato, tornar-se um parceiro pragmático.

Em cidades onde política e administração raramente se separam, Alberto Neto tenta convencer Manaus de que o deputado que chamou Lula de ladrão e o prefeito que buscará recursos federais podem habitar o mesmo homem. No segundo turno das eleições municipais de 2024, o candidato do PL enfrenta a contradição entre lealdade ideológica ao bolsonarismo e o pragmatismo que a gestão de uma capital amazônica exige. A promessa de diálogo com o governo federal, feita por quem subiu repetidas vezes à tribuna para atacá-lo, coloca em cena uma tensão antiga da democracia: a distância entre o que se diz na oposição e o que se faz no poder.

Alberto Neto ocupa um lugar desconfortável. Como deputado federal e vice-líder do PL, chamou Lula de ladrão da tribuna da Câmara. Agora, no segundo turno da disputa pela prefeitura de Manaus em 2024, promete o oposto: buscar diálogo e parcerias com o governo federal caso vença.

A contradição virou munição nas mãos do prefeito David Almeida, que o acusa de extremismo e de querer suspender o Minha Casa, Minha Vida. Em entrevista ao Poder360, Neto respondeu traçando uma linha entre os dois papéis: deputado legisla e fiscaliza, e na oposição criticar faz parte do jogo; prefeito governa. Para reforçar o argumento, lembrou que, apesar da retórica dura, aprovou sete leis durante o mandato.

Sua agenda municipal é concreta: buscar recursos nos ministérios e no BNDES para infraestrutura, revisar o plano diretor de Manaus e ampliar — não reduzir — as áreas destinadas à habitação popular. Sobre o governador Wilson Lima, com quem está em rota de colisão, prometeu retomar o diálogo após as eleições, especialmente em segurança pública.

A postura ideológica, porém, permanece. Neto chamou o ministro Alexandre de Moraes de extremista e defendeu que a Justiça foi usada para perseguir Bolsonaro — que visitou Manaus pela terceira vez em outubro para apoiar sua campanha. Ao mesmo tempo, Neto rejeita o rótulo de extremista e acusa Almeida de artificialmente polarizar o debate.

A estratégia é um fio-de-navalha: manter a fidelidade bolsonarista sem abrir mão da imagem de gestor pragmático. Em 2020, pelo Republicanos, Neto obteve menos de 8% dos votos. Desta vez chegou ao segundo turno. A pergunta que Manaus terá de responder é se acredita que a transição que ele promete — de opositor feroz a administrador cooperativo — é possível, ou apenas conveniente.

Alberto Neto está em uma posição incômoda. Como deputado federal e vice-líder do PL na Câmara, ele subiu à tribuna repetidas vezes para chamar Luiz Inácio Lula da Silva de ladrão. Agora, como candidato a prefeito de Manaus no segundo turno das eleições de 2024, ele diz que fará exatamente o oposto — buscará diálogo e parcerias com o governo federal se vencer.

A contradição não passou despercebida. David Almeida, o prefeito que enfrenta Neto na disputa, o acusou de ser extremista e de querer suspender o programa Minha Casa, Minha Vida. A acusação tocou em um ponto sensível: como alguém que passa o dia criticando o governo Lula poderia, de repente, trabalhar com ele?

Neto respondeu em entrevista ao Poder360 com uma distinção que ele acredita ser clara. Ser deputado federal é uma coisa, disse. Sua função era legislar e fiscalizar o Executivo. Quando se está na oposição, subir na tribuna para criticar faz parte do jogo. Mas ser prefeito é outra. Ele aproveitou para lembrar que, apesar de sua atuação crítica, conseguiu aprovar sete leis durante seu mandato — uma forma de sugerir que sabe separar retórica de governança.

O candidato prometeu diálogo com todos os níveis de governo. Mencionou especificamente o governador Wilson Lima, com quem disse estar separado no momento, mas com quem pretende conversar sobre segurança após as eleições. Quanto ao governo federal, foi direto: se precisar, vai buscar recursos dos ministérios e do BNDES para projetos de infraestrutura. Vai revisar o plano diretor de Manaus e ampliar áreas para o programa de habitação, não reduzi-lo.

Ao mesmo tempo, Neto mantém sua postura ideológica. Chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de extremista e sugeriu que ele usou a Justiça para perseguir Jair Bolsonaro. Negou ser extremista ele próprio e acusou Almeida de tentar polarizar o debate, transformando a eleição em uma competição sobre quem é mais de direita.

A estratégia é clara: manter-se fiel ao bolsonarismo enquanto sinaliza pragmatismo administrativo. Bolsonaro visitou Manaus pela terceira vez em 2024 na terça-feira 15 de outubro para apoiar a campanha de Neto, reforçando a aliança. Mas Neto também quer deixar claro que, se eleito, não será refém da ideologia — será um gestor.

Esta não é a primeira vez que Neto tenta ser prefeito de Manaus. Em 2020, quando se candidatou pelo Republicanos, recebeu apenas 7,95% dos votos. Desta vez, chegou ao segundo turno. A questão agora é se os eleitores acreditam que ele consegue fazer a transição que promete: de crítico feroz a parceiro pragmático.

Como deputado federal eu fiscalizava o Executivo. Minha função é legislar. Eu sendo oposição, subindo na tribuna todo dia para chamar o Lula de ladrão, aprovei 7 leis.
— Alberto Neto
Nós vamos dialogar com todos. Precisando do governo federal, nos vamos dialogar, vou construir projetos para trazer recursos de todos os ministérios e do BNDES.
— Alberto Neto
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