C6 no Rock leva 20 mil fãs ao Ibirapuera para celebrar clássicos do rock nacional

Quarenta anos depois, ainda estamos aqui cantando juntos
Dado Villa-Lobos marca o retorno da Legião Urbana ao parque Ibirapuera, onde a banda tocou décadas atrás.
Mark

Por que um festival de rock dos anos 1980 consegue reunir vinte mil pessoas em 2026? O que essas canções ainda significam?

Mimi

Porque aquelas músicas não envelheceram — as pessoas é que envelheceram. Mas quando você ouve "Tempo Perdido" novamente, você volta a ser quem era. É um tipo de viagem que funciona.

Mark

Você notou que havia crianças e adolescentes lá, não apenas os fãs originais?

Mimi

Sim. Pais levando filhos para ouvir o que os formou. É como passar uma herança musical. Essas canções atravessaram quatro décadas porque dizem algo que continua verdadeiro.

Mark

A presença de Fernanda Abreu com a Blitz, de Dado e Marcelo sem Renato Russo — como esses detalhes mudam o significado do show?

Mimi

Muda tudo. Você está vendo pessoas que viveram aquilo, que construíram aquilo, voltando para contar a história. Mas também está vendo ausências. Renato Russo morreu em 1996. Cazuza em 1990. Essas presenças fantasmagóricas tornam o show mais poderoso.

Mark

O festival foi descrito como "temático". Isso não corre o risco de transformar a história em nostalgia vazia?

Mimi

Poderia, mas não parece ter acontecido. Quando o público cantou em uníssono, não era apenas lembrança — era reconhecimento. Essas canções ainda falam sobre quem somos.

Mark

E agora? A Dueto quer fazer isso novamente?

Mimi

Eles estão deixando a experiência "decantar", como disseram. Mas vinte mil pessoas em um parque é uma resposta clara. A questão não é se vão fazer novamente, mas quando.

  • Vinte mil fãs tomaram o Ibirapuera num fim de semana que prometia show, mas entregou ritual — a tensão entre o passado que não volta e o presente que insiste em buscá-lo.
  • Ira!, Blitz e Legião Urbana subiram ao palco com suas formações originais, reacendendo a precisão e a emoção de álbuns gravados há quarenta anos como se o tempo tivesse apenas dobrado, não passado.
  • Filhos sentados ao lado de pais, adolescentes descobrindo canções que seus avós cantaram — a multidão misturou décadas e criou uma conversa silenciosa entre gerações.
  • A homenagem a Cazuza encerrou o festival com seis artistas no palco e 'Brasil' na boca de todos, transformando a despedida em manifesto coletivo.
  • Os organizadores, satisfeitos com a resposta do público, deixam em aberto novas edições — o sucesso da primeira experiência temática sugere que esse formato encontrou raízes em São Paulo.

No coração verde de São Paulo, vinte mil pessoas atravessaram o tempo sem sair do lugar. O festival C6 no Rock transformou o parque Ibirapuera em um santuário da memória coletiva, reunindo gerações em torno dos álbuns que moldaram a identidade do rock brasileiro nos anos 1980. Mais do que nostalgia, o evento revelou algo mais profundo: a música como fio invisível que costura quem fomos a quem nos tornamos.

Vinte mil pessoas ocuparam o parque Ibirapuera neste fim de semana não apenas para assistir a shows, mas para habitar, por algumas horas, uma versão anterior de si mesmas. O festival C6 no Rock — primeiro evento temático dedicado exclusivamente às bandas dos anos 1980 em São Paulo — transformou o espaço verde da cidade em um lugar onde gerações inteiras se reencontraram através da música.

O segundo dia começou com o Ira! interpretando na íntegra o álbum "Vivendo e Não Aprendendo", de 1986. Edgar Scandurra e Nasi, da formação original, mostraram que a precisão do trabalho resistiu ao tempo. "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta" e "Flores em Você" ecoaram pelo parque enquanto o público — muitos deles vivendo aquele disco quando ainda tinham quinze anos — se reencontrava naquelas canções.

A Blitz trouxe a leveza que sempre a definiu. Com Evandro Mesquita e a convidada especial Fernanda Abreu, que integrou a banda em seus primeiros dias, o álbum "As Aventuras da Blitz" ganhou nova vida. Quando uma bola gigante amarela foi lançada à plateia, a ilusão de estar novamente na adolescência se completou.

Ao entardecer, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá subiram ao palco para tocar o álbum "Dois" da Legião Urbana. Dado citou um verso de "Eduardo e Mônica" para marcar o peso do momento: quarenta anos haviam se passado desde que a banda tocou no ginásio do Ibirapuera. Quando "Tempo Perdido" ecoou com o verso "somos tão jovens", a emoção tomou conta do espaço e todos cantaram em uníssono — incluindo filhos e filhas dos fãs originais.

Marina Lima foi a única voz feminina na programação, homenageando o irmão e poeta Antônio Cícero e contando com Lobão na bateria. O festival encerrou com uma celebração ao legado de Cazuza, reunindo Arnaldo Antunes, Johnny Hooker, Leoni, Lobão, Maria Gadú, Léo Jaime e Frejat no palco. Todos encerraram cantando "Brasil".

A Dueto, organizadora do evento, não descarta novas edições. O sócio Jeffrey Neale afirmou querer deixar a experiência decantar antes de decidir os próximos passos — mas a resposta do público já sinalizou que esse tipo de celebração encontrou seu lugar.

Vinte mil pessoas ocuparam o parque Ibirapuera neste fim de semana para uma celebração do rock nacional que funcionou menos como um show e mais como um ritual coletivo de volta ao tempo. O festival C6 no Rock reuniu gerações inteiras em torno dos álbuns que definiram a música brasileira nos anos 1980, transformando o espaço verde de São Paulo em um lugar onde adolescentes de quarenta anos atrás puderam, por algumas horas, ser adolescentes novamente.

No segundo dia do festival, o Ira! abriu o palco com o álbum "Vivendo e Não Aprendendo", lançado em 1986. Edgar Scandurra na guitarra e Nasi no vocal — ambos da formação original — mostraram que o tempo não desgastou a precisão do trabalho. "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta" e "Flores em Você" ecoaram pelo parque, e o público, muitos deles vivendo aquele disco quando ainda tinham quinze anos, encontrou-se novamente naquelas canções.

A Blitz veio em seguida com a leveza que sempre a caracterizou. O álbum "As Aventuras da Blitz", de 1982, ganhou nova vida nas vozes de Evandro Mesquita e da convidada especial Fernanda Abreu, que integrou a banda em seus primeiros dias. "Geme Geme", "Mais Uma de Amor" e "Você Não Soube me Amar" fizeram o público dançar, e quando a banda lançou uma bola gigante amarela com seu nome na plateia, a ilusão de estar novamente na adolescência se completou.

Ao entardecer, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá subiram ao palco para tocar o álbum "Dois" da Legião Urbana, lançado em 1986. Dado citou um verso de "Eduardo e Mônica" para marcar o momento: quarenta anos haviam se passado desde que a banda tocou no ginásio do Ibirapuera, e ali estavam novamente, no mesmo parque, diante de uma multidão que incluía não apenas os fãs originais, mas também filhos e filhas daqueles que viveram aquela era. Quando "Tempo Perdido" ecoou — especialmente o verso "somos tão jovens" — a emoção tomou conta do espaço, e todos cantaram em uníssono.

Mariana Lima foi a única cantora na programação, trazendo os sucessos do álbum "Fullgás", de 1984. Ela homenageou o irmão, o poeta Antônio Cícero, com quem trabalhou em diversas composições, e contou com a participação especial de Lobão na bateria. "Veneno", "Me Chama" e "Mesmo Que Seja Eu" reafirmaram a importância da voz feminina naquele período do rock brasileiro.

O festival encerrou com uma homenagem a Cazuza, o poeta que começou sua carreira no Barão Vermelho. O show "Todo Amor Que Houver Nesta Vida" reuniu múltiplos artistas — Arnaldo Antunes, Johnny Hooker, Leoni, Lobão, Maria Gadú e Léo Jaime — para celebrar o legado de quem morreu em 1990. Foi Frejat quem animou o público no final, e todos encerraram o festival cantando "Brasil", um dos maiores sucessos de Cazuza.

O C6 no Rock foi o primeiro festival temático dedicado exclusivamente às bandas dos anos 1980 em São Paulo. A Dueto, organizadora do evento, não descarta novas edições. Jeffrey Neale, sócio da empresa, afirmou estar satisfeito com a energia do público e com a força dos shows, que trouxeram de volta um capítulo importante da música brasileira. "Agora queremos deixar essa experiência decantar e absorver tudo o que ela provocou", disse. O futuro do festival permanece em aberto, mas a resposta do público sugere que esse tipo de celebração encontrou seu lugar.

Estamos muito felizes com a energia do público e com a força dos shows, que trouxeram de volta um capítulo tão importante da música brasileira. Agora queremos deixar essa experiência decantar e absorver tudo o que ela provocou.
— Jeffrey Neale, sócio da Dueto
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