C6 Bank registra R$ 1,25 bi de lucro, mas CEO vê potencial desperdiçado pela economia

Teria sido bem melhor se a economia tivesse ajudado
CEO do C6 Bank reconhece crescimento sólido, mas aponta limitações impostas pelo cenário macroeconômico restritivo.
Mark

O banco cresceu 20% em lucro e 48% em receita. Por que o CEO diz que poderia ter sido melhor?

Mimi

Porque esses números, por maiores que sejam, refletem o que o banco conseguiu fazer apesar de um ambiente econômico muito restritivo. A taxa de juros alta, o desemprego, o comprometimento de renda das pessoas — tudo isso limita a demanda por crédito e aumenta o risco de quem toma emprestado.

Mark

Mas a inadimplência subiu de 3,2% para 3,6%. Isso não é um sinal de que algo está errado?

Mimi

É um sinal de que o mercado está mais difícil, sim. Mas o banco está sendo cuidadoso. Aumentou as provisões para devedores duvidosos de quase R$ 1 bilhão para R$ 2,4 bilhões. Está se preparando para perdas maiores.

Mark

E por que o banco quer entrar no mercado de benefícios agora, se a economia está tão apertada?

Mimi

Porque benefícios corporativos são um produto complementar ao que já oferece para pequenas e médias empresas. É uma forma de aprofundar o relacionamento com clientes sem depender apenas de crédito. E é um mercado menos sensível aos ciclos econômicos.

Mark

Kalim disse que "é difícil apertar muito mais do que já estamos apertando no crédito". O que isso significa?

Mimi

Significa que o banco já está sendo muito seletivo em quem empresta. Oitenta e dois por cento da carteira é crédito colaterizado — empréstimos com garantia. Não há muito mais que possa fazer para reduzir risco sem simplesmente parar de emprestar.

Mark

Então o banco está otimista ou pessimista para 2027?

Mimi

Ambas as coisas. Pessimista quanto ao cenário macroeconômico — Kalim chamou o primeiro semestre de 2027 de "o grande desafio". Mas otimista quanto à capacidade do banco de navegar isso. Ele espera sofrer um pouco, mas com números bons.

  • O C6 Bank registrou lucro de R$ 1,25 bilhão e receita recorde de R$ 6,26 bilhões no semestre, mas o próprio CEO admite que o cenário macroeconômico limitou um desempenho que poderia ter sido ainda mais expressivo.
  • A inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,2% para 3,6%, e as provisões para devedores duvidosos mais que dobraram, saltando de R$ 996 milhões para R$ 2,4 bilhões — reflexo direto do endividamento recorde das famílias e da pressão dos juros sobre as empresas.
  • Para navegar a incerteza, o banco manteve 82% da carteira em crédito colateralizado e reduziu exposição a setores mais vulneráveis, como agronegócio e varejo, apostando na proteção estrutural do portfólio.
  • Sinais tímidos de melhora na inadimplência nos últimos meses convivem com a projeção de que o primeiro semestre de 2027 será o período mais desafiador — e o banco já se declara preparado para 'sofrer um pouco, mas com números bons'.
  • Mesmo em modo de cautela, o C6 Bank avança: a entrada no mercado de benefícios corporativos, integrada ao app e ao cartão, está prevista para ainda em 2026, sinalizando que a expansão não parou.

No primeiro semestre de 2026, o C6 Bank alcançou marcos históricos de lucro e receita, consolidando-se entre os grandes do setor bancário digital brasileiro. Mas o cofundador Marcelo Kalim, ao contemplar os números, enxergava não apenas o que foi conquistado, mas o que o ambiente econômico restritivo impediu de ser. É a condição de quem cresce contra a corrente: os resultados impressionam, mas a pergunta que persiste é o quanto maior teria sido a maré com o vento a favor.

O C6 Bank encerrou o primeiro semestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 1,25 bilhão — crescimento de 20% sobre o mesmo período do ano anterior — e uma receita histórica de R$ 6,26 bilhões, alta de 48%. O retorno sobre o patrimônio chegou a 38%, a eficiência operacional melhorou quatro pontos percentuais, e a base de clientes ultrapassou 42 milhões. Em qualquer outra conjuntura, os números seriam celebrados sem reservas.

Mas Marcelo Kalim, cofundador e CEO, não escondia a frustração. Ao reconhecer que o banco cresceu em todas as linhas sem exceção, ele acrescentou que os resultados teriam sido ainda melhores se a economia tivesse colaborado. Era a síntese de um banco crescendo apesar do ambiente, não por causa dele.

A carteira de crédito chegou a R$ 99,8 bilhões, expansão anual de 38%, com predominância de crédito consignado e financiamento de veículos. Mas o crescimento veio acompanhado de tensão: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,6%, e as provisões para devedores duvidosos mais que dobraram, chegando a R$ 2,4 bilhões. Kalim atribuiu o aumento ao crescimento no consignado privado e ao comprometimento de renda das famílias em seu patamar histórico mais alto. Para mitigar riscos, o banco manteve 82% da carteira em operações colateralizadas e limitou exposição a setores mais vulneráveis.

Houve um alento: nos últimos meses do semestre, os índices de inadimplência começaram a mostrar leve melhora. Ainda assim, Kalim projeta que o primeiro semestre de 2027 será o maior desafio à frente — e afirma que o banco está preparado para enfrentá-lo.

Mesmo diante do cenário restritivo, o C6 Bank não recuou estrategicamente. O CEO anunciou a entrada no mercado de benefícios corporativos ainda em 2026, com produto integrado ao aplicativo e ao cartão do banco. A movimentação revela que, mesmo em tempos de aperto, a instituição segue buscando novas frentes para diversificar receitas e aprofundar vínculos com seus clientes.

O C6 Bank fechou o primeiro semestre de 2026 com números que, em qualquer outra época, teriam sido celebrados sem ressalvas. Um lucro líquido de R$ 1,25 bilhão representava um avanço de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita atingiu R$ 6,26 bilhões — a maior marca que o banco digital já havia registrado em um intervalo de seis meses, um salto de 48%. O retorno sobre o patrimônio chegou a 38%, e a eficiência operacional melhorou quatro pontos percentuais, fechando em 42%. Com mais de 42 milhões de clientes, R$ 125,6 bilhões em captação total e R$ 171 bilhões em ativos, o C6 Bank consolidava sua posição como um dos principais players do setor bancário digital brasileiro.

Mas Marcelo Kalim, cofundador e CEO da instituição, não estava inteiramente satisfeito. Em conversa com a reportagem, ele reconheceu o desempenho sólido — "tivemos crescimento em todas as nossas linhas, sem exceção" — mas logo adicionou uma ressalva que revelava a frustração subjacente: "foi um semestre bom, mas teria sido bem melhor se a economia tivesse ajudado". Essa frase capturava o dilema de um banco que estava crescendo apesar de, não por causa de, o ambiente macroeconômico em que operava.

A carteira de crédito do banco havia se expandido para R$ 99,8 bilhões, um crescimento anual de 38%. O crédito consignado — tanto público quanto privado — representava 45% dessa composição. O financiamento de veículos respondia por 30%, empréstimos para pessoa física por 13%, enquanto crédito para empresas e home equity completavam o quadro com 11% e 1%, respectivamente. Essa diversificação refletia a estratégia do banco de não depender excessivamente de um único segmento. Ainda assim, o crescimento do crédito vinha acompanhado de sinais de tensão no mercado.

A inadimplência acima de 90 dias havia subido de 3,2% um ano antes para 3,6% no período. O C6 Bank fez questão de notar que, se excluído o impacto de uma resolução do Conselho Monetário Nacional que alterou os prazos para reconhecimento de juros em atraso, o índice seria de 2,6% — uma tentativa de contextualizar o número dentro de mudanças regulatórias. Mas o dado mais preocupante estava nas provisões para devedores duvidosos, que saltaram de R$ 996 milhões para R$ 2,4 bilhões. Kalim atribuiu esse aumento principalmente ao crescimento das operações no crédito consignado privado, que exigem maior provisionamento. "Tivemos um pouco mais de PDD do que imaginávamos", admitiu. "As pessoas físicas estão com um comprometimento de renda no seu mais alto patamar histórico e as empresas também estão tendo mais dificuldade com essa taxa de juros."

O CEO observou que o banco tinha pouca exposição a setores como agronegócio e varejo, que estavam entre os mais afetados pela conjuntura restritiva. E que, em todas as linhas de negócio, o C6 Bank continuava priorizando empréstimos colateralizados, que representavam 82% da carteira no semestre — uma escolha deliberada para reduzir risco em um ambiente de maior incerteza. Havia, porém, um sinal positivo: nos últimos 60 e 90 dias, o banco estava vendo uma pequena melhora nos níveis de inadimplência, ainda que acima dos patamares de 2025.

Olhando para frente, Kalim reconhecia que o primeiro semestre de 2027 seria "o grande desafio". Mas ele também sinalizava que o banco estava se preparando para isso. "É difícil apertar muito mais do que já estamos apertando no crédito, mas estamos preparados", disse. "Acho que vamos sofrer um pouco, como sofremos nesse primeiro semestre, mas com números bons."

Apesar da perspectiva de um cenário macroeconômico mais restrito, o C6 Bank não estava adotando uma postura defensiva pura. Kalim anunciou planos de expansão em novas áreas, particularmente no segmento de pessoa jurídica. O banco havia definido a entrada no mercado de benefícios corporativos como um dos próximos passos estratégicos. "O segmento de benefícios é bastante complementar ao que já ofertamos para pequenas e médias empresas", explicou. "Vamos entrar com esse produto totalmente integrado ao nosso app e ao nosso cartão ainda nesse semestre." Era um sinal de que, mesmo em tempos de aperto, o banco continuava buscando oportunidades para diversificar sua base de receitas e aprofundar seu relacionamento com clientes.

Tivemos crescimento em todas as nossas linhas, sem exceção. Foi um semestre bom, mas teria sido bem melhor se a economia tivesse ajudado.
— Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank
É difícil apertar muito mais do que já estamos apertando no crédito, mas estamos preparados. Acho que vamos sofrer um pouco, como sofremos nesse primeiro semestre, mas com números bons.
— Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank
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