No verão de 2026, a aliança dos BRICS atingiu um limiar que poucos analistas esperavam ver tão cedo: 65% do comércio interno ao bloco agora flui em moedas nacionais, relegando o dólar americano a apenas 35% das transações. O que começou como aspiração política em 2022 tornou-se infraestrutura concreta — acordos bilaterais em yuans, rublos, rúpias e dirhams que redefinem, tijolo por tijolo, a arquitetura monetária global. A história registra não uma ruptura dramática, mas uma erosão silenciosa e metódica de uma hegemonia que parecia inabalável.
BRICS marcam virada histórica com 65% do comércio fora do dólar
O dólar agora financia apenas 35% do comércio entre os membros
Por que 65% é um número tão importante? Não é só uma mudança de moeda?
Porque significa que pela primeira vez em gerações, uma aliança de países conseguiu criar um sistema de trocas que não depende do dólar. Não é simbólico — é estrutural. Quando a Arábia Saudita liquida petróleo em yuans, está dizendo que não precisa mais do dólar para fazer negócios.
E por que Trump respondeu com ameaças de tarifas?
Porque o dólar é poder. Se os BRICS conseguem fazer comércio sem ele, outros blocos vão querer fazer o mesmo. Washington está tentando tornar o custo político tão alto que ninguém se atreva a tentar.
Mas os BRICS recuaram quando viram as ameaças?
Recuaram nas palavras, não nas ações. As transações em moedas locais continuam acontecendo. O que mudou foi que pararam de anunciar publicamente cada novo acordo. É uma estratégia de consolidação silenciosa.
E essas moedas digitais que mencionam — as MNBC — mudam o jogo?
Completamente. Se conseguirem conectar as moedas digitais dos bancos centrais dos BRICS, criam um sistema que não precisa de intermediários americanos. Pagamentos instantâneos, sem correspondentes, sem dólares. É o passo final.
Isso significa o fim do dólar como moeda de reserva?
Não o fim — o fim da exclusividade. O dólar continua importante, mas deixa de ser obrigatório. Para os BRICS, isso é vitória. Para Washington, é uma perda de poder que não pode ser recuperada.
Le Pouls
- O dólar perdeu a maioria absoluta dentro dos BRICS: 65% do comércio transfronteiriço já circula em moedas locais, uma inversão sem precedentes na ordem financeira do pós-guerra.
- Washington respondeu com ameaças de tarifas punitivas de até 100%, transformando a disputa monetária em pressão comercial direta sobre cada membro do bloco.
- Diante da coerção americana, o bloco moderou o discurso público sem reverter as transações já realizadas — a retórica recuou, mas a realidade das trocas permaneceu intacta.
- A cúpula de setembro promete o próximo salto: moedas digitais de banco central interconectadas que automatizariam pagamentos e tornariam o sistema paralelo permanente e autossuficiente.
No verão de 2026, a aliança dos BRICS atingiu um limiar que poucos analistas esperavam ver tão cedo: 65% do comércio interno ao bloco agora flui em moedas nacionais, relegando o dólar americano a apenas 35% das transações. O que começou como aspiração política em 2022 tornou-se infraestrutura concreta — acordos bilaterais em yuans, rublos, rúpias e dirhams que redefinem, tijolo por tijolo, a arquitetura monetária global. A história registra não uma ruptura dramática, mas uma erosão silenciosa e metódica de uma hegemonia que parecia inabalável.
Os números chegaram no verão de 2026 como uma surpresa até para os mais otimistas dentro do bloco. O dólar americano agora financia apenas 35% do comércio entre os membros dos BRICS, enquanto 65% das transações transfronteiriças fluem em yuans, rublos, rúpias, dirhams e outras moedas nacionais — uma inversão silenciosa mas radical da ordem monetária que dominou as finanças globais por décadas.
O movimento ganhou forma concreta a partir de 2022, mas foi a multiplicação de acordos bilaterais que o transformou em realidade operacional. A China e a Rússia liquidam seus fluxos em moedas próprias; a Arábia Saudita passou a aceitar yuans em contratos petrolíferos; a Índia diversifica suas liquidações entre rúpias, rublos e dirhams. Segundo o consultor Pradip Dhir, a mudança não é teórica — acontece transação por transação, construindo uma rede paralela que contorna os canais financeiros tradicionais.
A resposta de Washington foi imediata e contundente. Com o retorno de Donald Trump à presidência, a administração americana ameaçou tarifas de até 100% contra países que persistissem na agenda de desdolarização. O bloco moderou suas declarações públicas, substituindo o confronto direto por uma trégua estratégica — mas as transações já realizadas em moedas nacionais não foram desfeitas. Apenas o tom político mudou.
O próximo capítulo está sendo escrito em tecnologia. Na cúpula prevista para setembro, as autoridades indianas pretendem colocar na mesa as moedas digitais de banco central, com o objetivo de conectá-las entre os membros e automatizar pagamentos transfronteiriços sem depender dos sistemas bancários convencionais. Se implementado, esse ecossistema digital transformaria a desdolarização de uma série de acordos bilaterais em uma infraestrutura integrada e permanente — e a pergunta deixaria de ser se o dólar perderá relevância dentro dos BRICS, mas como o mundo inteiro vai se reorganizar em torno dessa nova realidade.
Os números chegaram no verão de 2026 como um marco que ninguém esperava ver tão cedo. Dentro da aliança dos BRICS, o dólar americano agora financia apenas 35% do comércio entre os membros. O restante — 65% das transações transfronteiriças — flui em yuans, rublos, rúpias, dirhams e outras moedas nacionais. É uma inversão silenciosa mas radical da ordem monetária que dominou as finanças globais por décadas.
O movimento começou em 2022, quando os BRICS decidiram reduzir deliberadamente sua dependência do dólar. Mas o que era então uma aspiração se tornou realidade concreta. Segundo dados compilados por Pradip Dhir, diretor da Pranan Consulting, a mudança não é teórica — está acontecendo agora, transação por transação. A China e a Rússia liquidam seus fluxos comerciais em yuans e rublos. A Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, começou a aceitar yuans para contratos petrolíferos. A Índia liquida parte de suas trocas em rúpias, rublos e dirhams. Cada acordo bilateral é um tijolo removido da estrutura que mantinha o dólar no centro do sistema.
Essa transformação não aconteceu por acaso. Desde 2024, o governo chinês implementou sistemas contratuais desenhados especificamente para facilitar o uso de moedas locais. A multiplicação desses acordos bilaterais criou uma rede paralela de trocas que contorna os canais tradicionais. O objetivo era duplo: reduzir custos de pagamentos transfronteiriços e conquistar soberania monetária. Os BRICS estavam reconfigurando as relações de força financeiras globais, e o dólar estava perdendo.
Mas a resposta de Washington não demorou. Quando Donald Trump retornou à presidência dos Estados Unidos, a administração americana respondeu com ameaças diretas. Qualquer país membro dos BRICS que continuasse a executar sua agenda de desdolarização enfrentaria tarifas punitivas que poderiam chegar a 100%. A mensagem era clara: o preço da defesa monetária seria pago em comércio. Diante dessa pressão, o bloco moderou suas declarações públicas sobre o assunto. A trégua estratégica substituiu o confronto direto. Mas as transações já realizadas em moedas nacionais não foram revertidas — apenas o tom político mudou. Cada país membro agora avalia cuidadosamente o impacto das tarifas americanas sobre suas próprias exportações.
O próximo capítulo está sendo escrito em tecnologia. Durante a cúpula dos BRICS prevista para setembro, as autoridades indianas indicaram sua intenção de discutir moedas digitais de banco central — as chamadas MNBC. A ideia é conectar essas moedas soberanas digitais de forma que os pagamentos transfronteiriços possam ser automatizados, contornando completamente os sistemas bancários correspondentes convencionais. Se implementado, seria a infraestrutura final de um sistema monetário paralelo. A desdolarização deixaria de ser uma série de acordos bilaterais e se tornaria um ecossistema integrado.
O que começou como uma declaração política em 2022 virou realidade em 2026. O dólar ainda domina o comércio global, mas dentro dos BRICS, sua hegemonia foi quebrada. A questão agora não é se a desdolarização vai acontecer, mas como Washington vai responder a um mundo onde sua moeda não é mais indispensável.
Citations marquantes
A Arábia Saudita deu um passo decisivo ao escolher o yuan para a liquidação de contratos petrolíferos— Dados compilados por Pradip Dhir, diretor da Pranan Consulting