Brasileiros adiam procura por médico mesmo reconhecendo sinais de câncer colorretal

O câncer colorretal causa aproximadamente 53.810 novos casos anuais no Brasil (2026-2028), sendo o segundo tumor com maior incidência entre brasileiros.
Oito em cada dez reconhecem o perigo, mas quase metade adia a ação
A pesquisa revela a lacuna entre consciência e comportamento diante dos sinais de câncer colorretal.
Mark

Por que você acha que as pessoas reconhecem o perigo mas não agem?

Mimi

Há uma diferença entre saber que algo pode ser grave e acreditar que vai acontecer com você. Quando o sintoma aparece, é fácil pensar que é algo passageiro, que vai embora sozinho.

Mark

E o desconhecimento do exame PSO — isso é falta de informação ou falta de acesso?

Mimi

Nos dados, parece ser principalmente falta de informação. Dois terços nunca ouviram falar. Se soubessem que existe um exame simples que detecta a doença cedo, talvez procurassem o médico com mais urgência.

Mark

Os números mostram que 75% nunca conheceram alguém com a doença. Isso muda as coisas?

Mimi

Muda tudo. Quando você não vê a doença de perto, ela fica abstrata. É fácil adiar. Mas quando você conhece alguém que passou por isso, a urgência fica real.

Mark

O que Samuel Aguiar está tentando comunicar com suas recomendações?

Mimi

Que não é tarde demais. Se você começar a fazer exames preventivos aos 45 anos, ou antes se tiver histórico familiar, consegue pegar a doença cedo. E cedo muda tudo — muda as chances de cura.

Mark

Então o problema não é médico, é comportamental?

Mimi

É os dois. O sistema precisa oferecer informação clara e acesso fácil. Mas as pessoas também precisam entender que reconhecer o perigo é só o primeiro passo. O segundo é agir.

  • Oito em cada dez brasileiros reconhecem que sangue nas fezes pode ser sinal grave — mas quase metade não age imediatamente, preferindo esperar, usar remédios caseiros ou simplesmente ignorar.
  • Dois em cada três brasileiros jamais ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, o exame mais acessível para detectar o câncer colorretal antes que os sintomas se agravem.
  • O desconhecimento é mais profundo justamente entre os grupos mais vulneráveis: 85% dos jovens entre 16 e 24 anos, 76% dos homens e 73% das pessoas de menor renda nunca ouviram falar do exame.
  • Com 53.810 novos casos previstos por ano entre 2026 e 2028, o câncer colorretal é o segundo tumor mais incidente no Brasil — e a morte da cantora Preta Gil em 2025 trouxe o tema à superfície, sem ainda mudar o comportamento coletivo.
  • Especialistas recomendam iniciar exames preventivos aos 45 anos, reforçando que o diagnóstico precoce eleva significativamente as chances de cura — uma janela que o adiamento sistemático fecha.

No Brasil, saber e agir são coisas distintas: uma pesquisa com mais de dois mil participantes revela que a maioria reconhece os sinais do câncer colorretal, mas quase metade hesita em buscar ajuda médica ao notá-los. O desconhecimento sobre ferramentas de detecção precoce — especialmente entre jovens, homens e populações de menor renda — aprofunda uma lacuna que custa vidas, em um país onde a doença projeta mais de 53 mil novos casos por ano. A distância emocional da enfermidade e a crença de que os sintomas passarão sozinhos constroem, juntas, um silêncio perigoso.

Uma pesquisa conduzida pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, com mais de dois mil participantes, expôs uma contradição incômoda: oito em cada dez brasileiros sabem que sangue nas fezes e alterações intestinais persistentes podem indicar algo grave. Ainda assim, quando esses sinais aparecem, quase metade não procura um médico imediatamente.

Dos entrevistados que já notaram sangue nas fezes, 59% buscaram atendimento de imediato. Os demais seguiram caminhos mais tortuosos: 19% esperaram o sintoma desaparecer sozinho, 10% deixaram passar dias ou semanas, 7% recorreram a chás e mudanças na dieta, e outros tentaram farmácias ou pesquisas na internet antes de qualquer consulta.

O desconhecimento sobre ferramentas de prevenção agrava o quadro. Dois em cada três brasileiros — 67% — nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, exame capaz de detectar a doença antes que os sintomas se tornem evidentes. Apenas 11% já o realizaram. Esse vazio é ainda mais acentuado entre jovens de 16 a 24 anos (85% desconhecem o exame), homens (76%) e pessoas de menor renda (73%).

A sensação de distância da doença também alimenta a inércia: 75% dos entrevistados nunca tiveram contato com alguém que desenvolveu câncer colorretal. Quando a ameaça parece abstrata, adiar a prevenção se torna fácil.

Samuel Aguiar, do A. C. Camargo Cancer Center, alerta que além do sangramento, alterações no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso inexplicada merecem investigação. Ele recomenda exames preventivos a partir dos 45 anos — ou antes, conforme o histórico familiar. O diagnóstico precoce, reforça, está diretamente ligado a taxas de cura mais altas.

Os números tornam a urgência concreta: o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano entre 2026 e 2028, tornando-o o segundo tumor mais incidente no país. A morte da cantora Preta Gil, em julho de 2025, após dois anos de tratamento, trouxe o tema à tona — mas a pesquisa sugere que o comportamento coletivo ainda não acompanhou o alerta.

Os brasileiros conhecem o perigo, mas hesitam em agir. Uma pesquisa conduzida pelo Hospital A. C. Camargo e pela Nexus, que ouviu mais de dois mil pessoas, revelou um padrão perturbador: oito em cada dez entrevistados reconhecem que sangue nas fezes e alterações no funcionamento intestinal por mais de um mês podem indicar algo grave. Mesmo assim, quando esses sintomas aparecem, quase metade não corre para o consultório.

O levantamento mostrou que 9% dos participantes já notaram sangue nas fezes em algum momento. Desses, 59% procuraram um médico imediatamente — o comportamento esperado. Os outros 41%, porém, seguiram caminhos diferentes. Dezenove por cento simplesmente esperaram o sintoma desaparecer sozinho. Dez por cento deixaram passar dias ou semanas antes de marcar uma consulta. Sete por cento tentaram remediar a situação com chás, mudanças na dieta ou outras práticas caseiras. Três por cento foram à farmácia comprar medicamentos por conta própria. Um por cento ainda pesquisou na internet antes de procurar orientação profissional.

O desconhecimento agrava o problema. Dois em cada três brasileiros — 67% — nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, o exame mais importante para detectar sinais da doença antes que os sintomas se tornem evidentes. Apenas 11% já realizaram o teste. Vinte e um por cento conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram. Esse vazio de informação é ainda mais profundo entre os jovens: 85% dos entrevistados entre 16 e 24 anos desconhecem completamente o exame. Entre homens, o índice de desconhecimento chega a 76%. Entre pessoas com menor renda, 73%. Entre aqueles que estudaram apenas até o ensino fundamental, 72%.

A distância entre a população e a doença também contribui para a inércia. Setenta e cinco por cento dos entrevistados disseram nunca ter tido contato com alguém que desenvolveu câncer colorretal. Apenas 21% conhecem alguém com a doença — 15% um parente próximo, 6% um amigo ou conhecido. Quando a ameaça parece distante, é fácil adiar a prevenção.

Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, insiste que ignorar os sinais é um erro. Além de sangramento, ele aponta alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente como indicadores que merecem investigação. Ele recomenda que exames preventivos comecem aos 45 anos — ou antes, dependendo do histórico familiar e da orientação médica. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais altas, e exames simples como a pesquisa de sangue oculto e a colonoscopia conseguem detectar a doença em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.

Os números justificam a urgência. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Brasil registrará aproximadamente 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028. É o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. A doença não é abstrata: foi o que levou à morte a cantora Preta Gil em julho do ano passado, após dois anos de tratamento. Mesmo diante dessa realidade, a pesquisa mostra que a população segue adiando o encontro com o médico, deixando passar oportunidades de detecção que poderiam mudar o curso da história.

O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia
— Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center
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