Brasileiro passou nove meses fora do país, sendo seis na Ucrânia como combatente voluntário, e retornou para surpreender a esposa no hospital. Manrik decidiu deixar a missão após treinamento militar, mas enfrentou pressão dos superiores para permanecer no front ucraniano.
Brasileiro retorna da Ucrânia após 6 meses e surpreende esposa em hospital de RO
Minhas pernas estavam tremendo e tive uma sensação de desmaio
Por que alguém sairia do Brasil sem planejar ir para uma guerra? Parece uma decisão muito impulsiva.
Manrik mesmo disse que foi impulso. Ele estava na Europa, passou tempo na Espanha e Portugal, e em algum momento decidiu seguir para a Ucrânia. Não foi planejado desde o início.
Mas a gente não sabe o que o levou a tomar essa decisão. O que o atraiu? Dinheiro? Ideologia? Aventura? A reportagem não explora isso.
E quanto ao salário que ele mencionou? Ele tinha medo de não receber.
Exatamente. Ele completou o treinamento militar, decidiu que queria sair, mas esperou resolver questões financeiras e bancárias antes de comunicar aos superiores. Temia não receber o que havia sido prometido.
Isso levanta uma questão importante: quantos brasileiros estão lá por razões financeiras? E quantos desses contratos realmente cumprem o que prometem?
A surpresa para a esposa é tocante, mas há algo mais sério por trás disso, não é?
Sim. Enquanto Manrik conseguiu voltar, a reportagem menciona que mais de 100 brasileiros morreram na Ucrânia. Alguns números do Itamaraty falam em 92 desaparecidos e 35 óbitos confirmados.
Mas esses números não batem. Mais de 100 mortes não oficiais, mas apenas 35 confirmadas pelo Itamaraty? Há uma lacuna grande aí que a reportagem não resolve.
E como o Brasil está respondendo a isso? Há recrutamento ativo?
Os canais oficiais de recrutamento da Ucrânia publicam regularmente em português. Existe até uma companhia militar liderada por brasileiros. Parece que há interesse em ampliar a participação brasileira.
Il Polso
- Manrik Martins passou 9 meses fora do Brasil, sendo 6 na Ucrânia como combatente voluntário
- Mais de 100 brasileiros morreram na Ucrânia segundo contagens não oficiais; Itamaraty confirmou 92 desaparecidos e 35 óbitos
- Brasil figura em terceira posição entre países com maior número de combatentes estrangeiros mortos, atrás de EUA e Colômbia
- Existe companhia militar ucraniana formada majoritariamente por falantes de português e liderada por brasileiros
Brasileiro passou nove meses fora do país, sendo seis na Ucrânia como combatente voluntário, e retornou para surpreender a esposa no hospital. Manrik decidiu deixar a missão após treinamento militar, mas enfrentou pressão dos superiores para permanecer no front ucraniano.
Manrik Martins retorna ao Brasil após seis meses servindo na guerra da Ucrânia e surpreende a esposa no hospital onde ela trabalha. O caso evidencia a crescente participação de brasileiros no conflito ucraniano.
Um vídeo circulou pelas redes sociais nos últimos dias mostrando um reencontro que poucos esperariam ver: Manrik Martins, um brasileiro que havia passado seis meses servindo como combatente na Ucrânia, retornando ao Brasil e surpreendendo a esposa no hospital onde ela trabalha. O momento, capturado em vídeo, tocou muitas pessoas — mas por trás da cena de emoção há uma história mais complexa sobre decisão, risco e a crescente presença de brasileiros em um conflito que continua longe de terminar.
Manrik deixou o Brasil sem planejar chegar à Ucrânia. Passou três meses na Espanha e em Portugal antes de decidir, por impulso, seguir para o front ucraniano. No total, ficou longe do Brasil por nove meses — seis deles na Ucrânia como combatente voluntário. Em entrevista ao g1, ele explicou que após completar o treinamento militar, já havia tomado a decisão de deixar a missão. Mas não saiu imediatamente. Primeiro precisava resolver questões financeiras e bancárias, pois temia não receber o salário que havia sido prometido. Apenas depois de resolver essas pendências é que comunicou aos superiores que queria partir. A resposta foi pressão para que permanecesse no front.
De volta ao Brasil, Manrik demorou a acreditar que havia realmente chegado. Enquanto isso, familiares começaram a organizar uma surpresa para sua esposa, Rayane Barros. O desafio era manter o segredo durante videochamadas frequentes. "A maior dificuldade em manter o disfarce era o fato de que sempre fazíamos ligações de vídeo. Como ela queria saber onde eu estava e para onde ia, precisei inventar várias histórias, dizendo que estava indo para lugares diferentes para não estragar o plano", contou Manrik. A surpresa aconteceu no hospital de Chupinguaia, em Rondônia, onde Rayane trabalha como médica. Manrik apareceu no local exatamente quando ela estava de plantão. No vídeo, ela aparece visivelmente emocionada ao perceber que o marido havia retornado. "Eu fiquei em choque. Não sabia se ria ou se chorava. Minhas pernas estavam tremendo e tive uma sensação de desmaio. Como eu iria chamar um médico, se eu era a própria médica de plantão?!", brincou Rayane sobre o momento.
O caso de Manrik não é isolado. Não é raro ouvir português em áreas sob controle militar ucraniano. Agora, após reformas nos contratos e salários oferecidos a combatentes estrangeiros, as autoridades de Kiev esperam ampliar ainda mais a participação de brasileiros e outros falantes de português na guerra contra a Rússia. Os números exatos são mantidos em sigilo por razões estratégicas, mas vários indicadores apontam para uma presença significativa. Existe uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e liderada por brasileiros. Os canais oficiais de recrutamento de estrangeiros da Ucrânia publicam regularmente conteúdos em português nas redes sociais, convidando brasileiros a se alistarem.
As contagens não oficiais de mortos e desaparecidos, baseadas em anúncios públicos disponíveis na internet, colocam o Brasil entre os países com maior número de combatentes estrangeiros mortos no conflito. Durante a apuração desta reportagem, o país aparecia em terceira posição, com mais de 100 mortes, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia. O Itamaraty confirmou números menores mas ainda significativos: 92 brasileiros desaparecidos e 35 óbitos confirmados. Esse número mais que dobrou desde dezembro do ano anterior, sinalizando uma aceleração na participação brasileira no conflito. Para cada história de reencontro como a de Manrik e Rayane, há outras que terminam de forma muito diferente.
Citazioni salienti
Eu fiquei, ao todo, na Ucrânia por seis meses, mas longe do Brasil foram nove meses, né? Contando o período em que passei na Espanha e em Portugal— Manrik Martins
Eu fiquei em choque. Não sabia se ria ou se chorava. Minhas pernas estavam tremendo e tive uma sensação de desmaio— Rayane Barros, esposa de Manrik