Um em cada três jovens brasileiros não trabalha nem estuda
Em um momento em que a juventude deveria estar construindo pontes entre a formação e o trabalho, o Brasil se vê diante de um abismo: mais de um terço de seus jovens entre 18 e 24 anos não estuda nem trabalha, o dobro da média dos países da OCDE. O relatório Education at a Glance 2022 coloca o país na segunda posição mais preocupante do mundo nesse indicador, atrás apenas da África do Sul. Mais do que uma estatística, esse dado revela uma geração em risco de exclusão permanente — e o custo humano e social dessa ausência de oportunidades tende a se propagar por décadas.
- Com 35,9% dos jovens de 18 a 24 anos fora do trabalho e da escola, o Brasil supera em mais do dobro a média da OCDE de 16,6%, ocupando o segundo lugar no ranking global de exclusão juvenil.
- A persistência é o dado mais perturbador: 5,1% desses jovens já estão nessa condição há mais de um ano, sinalizando não uma crise passageira, mas uma exclusão que se cristaliza.
- O sistema educacional agrava o cenário — apenas 33% dos estudantes brasileiros concluem o ensino superior no prazo, enquanto quase metade leva três anos a mais do que o previsto.
- A OCDE alerta que governos precisam agir com urgência para evitar que esses jovens se afastem permanentemente do mercado de trabalho, recomendando políticas ativas de reinserção e prevenção.
- Os dados da OIT reforçam o alarme: em agosto de 2022, 23% dos brasileiros entre 15 e 24 anos estavam sem trabalho e sem estudar, acima da média mundial de desemprego juvenil de 16,9%.
Um em cada três jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não trabalha nem estuda. É o que revela o relatório Education at a Glance 2022, divulgado pela OCDE, que posiciona o Brasil como o segundo país mais preocupante nesse indicador global, com 35,9% — proporção que mais que dobra a média dos países membros da organização, de 16,6%. Apenas a África do Sul, com 46,2%, apresenta situação mais grave. A Holanda, no outro extremo, mantém apenas 4,6% de seus jovens nessa condição.
O que torna o quadro brasileiro ainda mais sério é a duração da exclusão. Entre os jovens desempregados e fora da escola, 5,1% estão nessa situação há mais de um ano — um sinal de que, para muitos, o afastamento do mercado de trabalho deixa de ser transitório e se torna estrutural. Essa fase da vida deveria ser de transição e formação; quando ela é perdida, as consequências se estendem por toda a trajetória econômica e social do indivíduo.
Os dados educacionais aprofundam o problema. No Brasil, apenas 33% dos que ingressam no ensino superior concluem a graduação no prazo. Quase metade leva três anos a mais do que o previsto, e o restante desiste ou demora ainda mais. Esse padrão alimenta um ciclo de exclusão que reduz as chances de inserção no mercado de trabalho justamente quando a formação seria o principal instrumento de ascensão.
A OCDE é direta em seu diagnóstico: esse grupo de jovens sem trabalho e sem estudo deve ser prioridade para os governos, pois sinaliza desemprego crescente e desigualdades em expansão. A organização recomenda políticas que previnam a entrada nessa condição e, para quem já está nela, que facilitem o retorno aos estudos ou ao emprego. Os dados da OIT, divulgados em agosto, reforçam a urgência: 23% dos brasileiros entre 15 e 24 anos estavam sem trabalho e sem estudar — acima da média mundial de 16,9%.
Um em cada três jovens brasileiros entre 18 e 24 anos não trabalha nem estuda. Essa é a realidade que emerge do relatório Education at a Glance 2022, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico na segunda-feira. Os números são alarmantes: 35,9% da população nessa faixa etária se encontra fora do mercado de trabalho e do sistema educacional — uma proporção que mais que dobra a média dos países membros da OCDE, que fica em 16,6%.
O Brasil ocupa a segunda posição mais preocupante nesse ranking global. Apenas a África do Sul, com 46,2%, apresenta uma situação mais grave. A Holanda, por contraste, consegue manter apenas 4,6% de seus jovens nessa condição. O relatório analisou dados de 38 países membros da OCDE, além de sete nações convidadas — entre elas Argentina, China, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e África do Sul.
O que torna a situação brasileira ainda mais preocupante é a persistência dessa exclusão. Entre os jovens que estão desempregados e fora da escola, 5,1% permanecem nessa condição há mais de um ano. Essa cifra revela não apenas uma dificuldade transitória, mas uma falta crônica de oportunidades para essa população — um sinal de que muitos correm o risco de se afastar permanentemente do mercado de trabalho.
Essa fase da vida deveria ser de transição: o momento em que jovens cursam uma graduação ou formação técnica para ingressar no mundo do trabalho. Quando essa transição não acontece, as consequências se estendem por toda a vida. O relatório da OCDE é claro sobre isso: a exclusão prolongada dessa etapa crítica amplia o fosso entre esses jovens e as oportunidades econômicas, alimentando desigualdades sociais que tendem a se perpetuar.
Os dados educacionais complementam esse quadro sombrio. No Brasil, apenas 33% dos que ingressam no ensino superior conseguem completar a graduação no prazo previsto. Quase metade — 49% — leva mais três anos além do programado para terminar. O restante desiste ou demora ainda mais. Esse padrão de conclusão lenta ou incompleta reduz ainda mais as chances de inserção no mercado de trabalho, criando um ciclo de exclusão.
A OCDE não deixa dúvidas sobre o que está em jogo. O relatório afirma que esse grupo de jovens sem trabalho e sem estudo deveria ser uma preocupação central para os governos, pois sinaliza uma situação negativa de desemprego e desigualdades sociais em expansão. A organização recomenda que os países implementem políticas para prevenir que jovens caiam nessa situação ou, quando já estão nela, para ajudá-los a encontrar emprego ou retomar os estudos.
Os números brasileiros ganham ainda mais peso quando comparados a dados recentes de outras organizações. Em agosto, a Organização Internacional do Trabalho registrou que 23% da população brasileira entre 15 e 24 anos estava sem trabalho e sem estudar — uma proporção que supera a média mundial de desemprego juvenil, que é de 16,9%. Enquanto isso, a OCDE reforça um achado que vale para todos os países analisados: a conclusão do ensino superior está associada a mais oportunidades de emprego e melhores salários. Para o Brasil, essa relação é particularmente urgente de ser estabelecida.
Notable Quotes
Esse grupo, dos que não trabalham e não estudam, deveria ser uma grande preocupação para os governos, já que alertam para uma situação negativa de desemprego e desigualdades sociais— Relatório Education at a Glance 2022 da OCDE
É essencial que os países tenham políticas para prevenir que os jovens se tornem parte desse grupo ou que busquem ajudá-los a encontrar um emprego ou voltem a estudar— Relatório Education at a Glance 2022 da OCDE
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Brasil está tão atrás nesse indicador? É falta de oportunidades ou falta de acesso à educação?
Os dois problemas se alimentam. Muitos jovens não conseguem terminar a escola porque precisam trabalhar. Outros não encontram emprego porque não têm qualificação. É um ciclo.
Mas 35,9% é uma proporção gigantesca. Isso significa que milhões de pessoas estão fora do sistema?
Exatamente. E o mais preocupante é que 5,1% desses já estão nessa situação há mais de um ano. Eles começam a desaparecer do radar do mercado de trabalho.
O que a OCDE está sugerindo que os governos façam?
Políticas de prevenção e reintegração. Evitar que caiam nessa situação, ou ajudá-los a sair dela — seja através de emprego ou retomando os estudos.
E quanto aos que conseguem entrar na universidade? Por que tantos levam mais tempo para terminar?
Muitos precisam trabalhar enquanto estudam. Outros enfrentam dificuldades acadêmicas. Mas o resultado é o mesmo: saem do mercado de trabalho mais tarde, com menos experiência.
Isso afeta a desigualdade social?
Profundamente. Quem consegue completar a educação ganha mais e tem mais oportunidades. Quem fica de fora fica cada vez mais para trás.