Brasil reduz Selic para 13,75% enquanto Fed eleva juros nos EUA

O cenário atual demanda serenidade e cautela
Banco Central brasileiro reconhece incerteza global e riscos elevados na condução da política monetária.
Mark

Por que o Banco Central brasileiro está reduzindo juros enquanto o Federal Reserve está elevando? Não é contraditório?

Mimi

Não necessariamente. O Brasil está em um ciclo de desinflação — a inflação está caindo, então há espaço para cortar. Os EUA ainda têm inflação acima da meta, então o Fed precisa apertar mais.

Luke

Mas a inflação brasileira ainda está acima de 3%, a meta. Como o Copom justifica cortar se o alvo não foi atingido?

Mimi

O Copom trabalha com projeções. Eles acreditam que a inflação vai convergir para a meta ao longo do horizonte relevante. É uma aposta no futuro.

Mark

E quanto ao risco de o dólar ficar mais caro com os juros americanos subindo? Isso não pressiona a inflação brasileira?

Mimi

Exatamente. Por isso o Copom manteve um tom cauteloso. Eles reconhecem que o cenário externo é incerto — conflitos no Oriente Médio, volatilidade de commodities. É um equilíbrio delicado.

Luke

Quanto tempo leva para os efeitos dessa redução aparecer na economia?

Mimi

Seis a 18 meses, segundo o próprio Banco Central. Então estamos falando de um efeito que vai se desenrolar ao longo de 2027 e além.

Mark

A próxima reunião é em novembro. O que esperar?

Luke

Depende de como o câmbio reagir aos juros americanos mais altos e de como a inflação se comportar nos próximos meses. O Copom não sinalizou o próximo passo, então há espaço para surpresa.

Mimi

E o Fed já sinalizou que espera mais uma alta em 2026. Isso vai criar pressão contínua sobre o real.

  • O Brasil e os Estados Unidos anunciaram no mesmo dia movimentos opostos de juros, criando uma tensão monetária rara entre as duas maiores economias do hemisfério.
  • A alta americana torna o dólar mais atrativo para investidores globais, pressionando o real e encarecendo importações — justamente quando o Brasil tenta consolidar a queda da inflação.
  • A inflação brasileira ainda resiste acima da meta de 3%, e conflitos no Oriente Médio adicionam incerteza ao cenário externo, forçando o Copom a cortar com cautela e sem sinalizar os próximos passos.
  • O mercado já revisou levemente para baixo sua projeção de inflação para 2026, de 5% para 4,9%, sugerindo que o ciclo de cortes começa a ganhar credibilidade — mas o caminho ainda é longo.
  • A próxima reunião do Copom, marcada para novembro, ocorrerá logo após o segundo turno das eleições brasileiras, acumulando variáveis políticas e econômicas num único momento decisivo.

No mesmo dia em que o Federal Reserve elevou os juros americanos para até 4%, o Banco Central brasileiro reduziu a Selic pela quinta vez consecutiva, chegando a 13,75% ao ano — dois bancos centrais, duas direções, uma só data. Essa divergência monetária entre as maiores economias das Américas não é apenas técnica: ela reflete leituras distintas sobre inflação, crescimento e risco, e seus efeitos se propagarão pelo câmbio, pelo crédito e pelo cotidiano de milhões de pessoas nos meses que virão.

Na quarta-feira, 16 de setembro, o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve americano escolheram direções opostas. O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano — o quinto corte consecutivo, totalizando 1,25 ponto percentual desde o início do ciclo — enquanto o Fed elevava os juros americanos para a faixa entre 3,75% e 4%. Os dois anúncios, feitos no mesmo dia, tornaram visível uma divergência crescente na política monetária das duas maiores economias das Américas.

O corte brasileiro foi unânime e justificado pela desaceleração da inflação e pela moderação gradual da atividade econômica. Ainda assim, o Copom manteve tom cauteloso e evitou sinalizar os próximos passos. A inflação segue acima da meta central de 3% — o limite superior do sistema é 4,5% —, embora as projeções do mercado tenham recuado levemente, de 5% para 4,9%, segundo o Boletim Focus. Os efeitos de uma mudança na Selic costumam levar de seis a 18 meses para se manifestar plenamente na economia.

O cenário externo adiciona complexidade. Conflitos no Oriente Médio e as decisões de outros bancos centrais criam volatilidade nos preços de ativos e commodities, afetando países emergentes como o Brasil. A alta americana, em particular, torna aplicações em dólar mais atrativas, pressionando o real e encarecendo importações. O Fed sinalizou pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto ainda em 2026, citando inflação acima de 2% e expansão da atividade econômica nos Estados Unidos.

A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de novembro, logo após o segundo turno das eleições brasileiras. Até lá, o mercado observará como a divergência entre as políticas monetárias dos dois países afeta o câmbio, os investimentos e o custo de crédito para empresas e consumidores no Brasil.

Na quarta-feira, 16 de setembro, o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve americano tomaram caminhos opostos. Enquanto o Copom reduzia a taxa básica de juros para 13,75% ao ano — o quinto corte consecutivo — o Fed elevava a taxa americana para uma faixa entre 3,75% e 4%, interrompendo uma sequência de cinco reuniões com a taxa mantida. Os dois movimentos, anunciados no mesmo dia, ilustram uma divergência crescente na política monetária das duas maiores economias das Américas.

O corte brasileiro de 0,25 ponto percentual foi unânime. Desde o início do ciclo de reduções, a Selic acumula uma queda de 1,25 ponto percentual. O Copom justificou a decisão apontando para a desaceleração da inflação e a moderação gradual da atividade econômica. Em comunicado, o comitê afirmou que a redução é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Ainda assim, manteve um tom cauteloso e não sinalizou quais serão os próximos passos.

A inflação brasileira, porém, continua acima do alvo. As projeções do Copom permanecem acima da meta central de 3%, embora os indicadores mais recentes mostrem desaceleração tanto da inflação cheia quanto das medidas subjacentes. O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação para 2026 de 5% para 4,9%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira anterior. O sistema de metas brasileiro estabelece uma meta central de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, fixando o limite superior em 4,5%.

A redução da Selic funciona como ferramenta para controlar a inflação ao tornar empréstimos, financiamentos e crédito mais acessíveis. Quando os juros caem, o consumo e os investimentos tendem a acelerar. Os efeitos, porém, não são imediatos — costumam aparecer gradualmente na economia ao longo de seis a 18 meses. Apesar do corte, a taxa de juros real brasileira permanece em patamar elevado, medida que considera a taxa nominal descontada a inflação esperada para os próximos 12 meses.

O Banco Central brasileiro citou riscos que exigem cautela. O cenário internacional permanece incerto devido aos conflitos armados no Oriente Médio e às decisões de política monetária de outras economias. Esse ambiente pode provocar maior volatilidade nos preços de ativos e commodities, além de afetar países emergentes. O Copom afirmou que o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.

A decisão do Federal Reserve de elevar juros americanos complica o cenário para o Brasil. Quando os juros norte-americanos sobem, aplicações em dólar se tornam mais atrativas para investidores globais. Isso aumenta a pressão sobre moedas de outros países e encarece produtos importados. As novas projeções do Fed indicam que a maioria dos integrantes do banco central americano espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto percentual ainda em 2026. O Fed justificou sua decisão com a necessidade de combater a inflação americana, que permanece acima da meta de 2%, além de citar a expansão da atividade econômica e a resistência dos gastos domésticos.

O Banco Central brasileiro monitora atentamente os efeitos do cenário internacional sobre a inflação e as condições financeiras do país. Ao definir a Selic, o Copom considera as projeções de inflação, o comportamento da atividade econômica, o mercado de trabalho, o cenário fiscal e os riscos externos. A análise é voltada principalmente para o futuro, já que mudanças na taxa demoram meses para produzir seus efeitos mais amplos. Por isso, o Banco Central não observa apenas a inflação registrada nos últimos meses, mas também as estimativas para os períodos seguintes.

A próxima reunião do Copom está prevista para 3 e 4 de novembro, após o segundo turno das eleições brasileiras. Até lá, o mercado acompanhará como a divergência entre as políticas monetárias brasileira e americana afeta o câmbio, os investimentos e o custo de financiamento para empresas e consumidores no Brasil.

A decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante
— Copom, em comunicado
O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária
— Banco Central do Brasil
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