O Fed elevou a taxa básica para 3,75%-4,00% em decisão unânime, reconhecendo que as políticas de Trump não conseguiram controlar a inflação. Tarifas sobre importações, conflito no Oriente Médio e gastos com IA mantêm pressões inflacionárias intensas, frustrando promessas de redução de preços.
Fed eleva juros dos EUA a 4% em primeira alta sob comando de Warsh
O Fed reconhece que as políticas de Trump não conseguiram controlar a inflação
Por que o Fed decidiu aumentar os juros agora, se Trump indicou Warsh esperando que ele reduzisse as taxas?
Porque a inflação não caiu como prometido. As tarifas, o conflito no Oriente Médio e os gastos com IA mantêm os preços subindo. O Fed não pode ignorar isso.
Mas espera — o comunicado retirou a referência a "choques de oferta". Isso significa que o Fed agora vê a inflação como estrutural, não temporária? Ou é apenas uma mudança de linguagem?
É uma mudança significativa. Reconhece que as pressões sobre os preços são amplas demais para serem atribuídas apenas a fatores externos.
E quanto às eleições? Aumentar juros semanas antes do voto de meio de mandato não prejudica os republicanos?
Prejudica, sim. Os preços da gasolina já estão um terço mais altos que há um ano, e as hipotecas estão perto de 7%. Mas o Fed é independente — não pode deixar a inflação correr só porque há eleições.
Independente, sim, mas Warsh foi indicado por Trump. Como ele justifica isso na coletiva de imprensa? Qual é a narrativa?
Que a inflação é o inimigo maior. Que controlar os preços agora evita problemas piores depois.
As projeções mostram que a inflação não volta a 2% antes de 2029. Isso é uma admissão de fracasso?
Ou uma admissão de realidade. A questão é: quem fracassou — Trump por não controlar a inflação, ou o Fed por não ter agido mais cedo?
Provavelmente os dois. Mas agora o Fed está agindo, e Warsh está sinalizando que continuará agindo, independentemente da pressão política.
Il Polso
- Taxa básica elevada para 3,75%-4,00% em decisão unânime
- Primeira mudança de política monetária sob comando de Kevin Warsh
- Pelo menos 16 dos 18 formuladores de política preveem mais um aumento até fim do ano
- Inflação estimada em 3,7%, não retornando a 2% antes de 2029
- Decisão ocorre menos de dois meses antes das eleições de meio de mandato
O Fed elevou a taxa básica para 3,75%-4,00% em decisão unânime, reconhecendo que as políticas de Trump não conseguiram controlar a inflação. Tarifas sobre importações, conflito no Oriente Médio e gastos com IA mantêm pressões inflacionárias intensas, frustrando promessas de redução de preços.
O Federal Reserve aumentou as taxas de juros dos EUA em 0,25 ponto percentual para até 4%, primeira alta desde 2023, sinalizando novos aumentos apesar da inflação persistente e da oposição do presidente Trump.
O Federal Reserve elevou as taxas de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, levando a taxa básica para a faixa de 3,75% a 4,00%. A decisão foi unânime e marca a primeira mudança de política monetária sob o comando de Kevin Warsh, o novo presidente do banco central americano que assumiu o cargo em maio após ser indicado pelo presidente Donald Trump com a expectativa de que reduzisse os juros. Em vez disso, Warsh aderiu a um movimento de aperto monetário que sinaliza a incapacidade das políticas da administração Trump em controlar a inflação até o momento.
O aumento ocorre em um contexto de pressões inflacionárias persistentes que frustraram as promessas de campanha do presidente de reduzir os preços. As tarifas impostas sobre importações globais, um choque energético desencadeado pelo conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, e os gastos de capital relacionados ao boom da inteligência artificial mantêm as pressões sobre os preços intensas o suficiente para justificar o endurecimento da política monetária. O comunicado do Fed retirou uma referência anterior que atribuía a inflação elevada a "choques de oferta" no setor de energia, reconhecendo que as pressões sobre os preços são amplas demais para serem tranquilizadoras.
As projeções econômicas divulgadas pelo Fed indicam que pelo menos 16 dos 18 formuladores de política monetária preveem mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o final deste ano, com apenas dois deles esperando que as taxas permaneçam estáveis. As estimativas de inflação foram elevadas para 3,7%, contra os 3,6% projetados em junho, e não se prevê que a inflação retorne à meta de 2% antes de 2029, um ano mais tarde do que esperado anteriormente. O crescimento econômico foi revisado ligeiramente para cima, de 2,2% para 2,3%, enquanto a taxa de desemprego deve fechar o ano em 4,1%.
A decisão chega em um momento politicamente delicado, menos de dois meses antes das eleições de meio de mandato que determinarão se os republicanos de Trump manterão o controle do Congresso. Os republicanos enfrentam uma batalha difícil contra eleitores insatisfeitos com os preços da gasolina, que estão cerca de um terço mais altos do que há um ano, e com as taxas de hipoteca, que vêm subindo constantemente. A taxa média de uma hipoteca de 30 anos com taxa fixa está se aproximando de 7%.
O aumento dos juros provavelmente dissipará dúvidas sobre se Warsh adiaria o endurecimento da política monetária por deferência a Trump, uma questão que pairou durante seus primeiros meses no cargo. Embora o comunicado tenha evitado qualquer orientação prospectiva sobre as próximas decisões, conforme a preferência de Warsh, a ação fala por si. O presidente do Fed estava programado para dar uma coletiva de imprensa para explicar a decisão, e a forma como caracterizará a lógica por trás do aumento e a probabilidade de novas medidas será importante para moldar a reação dos mercados financeiros, que vêm elevando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de longo prazo. Warsh se comprometeu a reduzir a inflação de volta a 2% "de forma clara e com velocidade suficiente", elevando as taxas conforme necessário.
Citazioni salienti
A medida de política monetária de hoje apoiará um retorno mais rápido à meta de 2% do Comitê— Federal Reserve, em comunicado oficial
Warsh se comprometeu a reduzir a inflação de volta a 2% de forma clara e com velocidade suficiente, elevando as taxas conforme necessário— Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve