Brasil passa de importador para exportador de milho transgênico em menos de uma década

De importador para exportador em menos de uma década
O Brasil passou de precisar de liminar judicial para importar milho transgênico em 2003 a exportar 35 milhões de toneladas em 2022.
Mark

Como o Brasil conseguiu fazer essa virada tão rápida? De importador para exportador em cinco anos parece impossível.

Mimi

Não foi só tecnologia. Foi a combinação de tecnologia da Embrapa, investimento em mecanização, e a decisão política de permitir o milho transgênico. Quando a porta abriu em 2008, o país inteiro estava pronto para plantar.

Luke

Mas espera — em 2002 o Brasil já tinha exportado 500 mil toneladas. Então não era zero antes de 2008. A narrativa de "virada" é um pouco simplificada.

Mimi

Verdade. Mas a escala é completamente diferente. 500 mil toneladas é uma safra experimental. 29 milhões de toneladas é um negócio de verdade.

Mark

E esses "novos milionários" do agronegócio — quantos produtores estamos falando?

Mimi

O texto não dá um número exato. Fala em "nova classe social", mas não quantifica. O que sabemos é que Mato Grosso do Sul sozinho quintuplicou a produção.

Luke

Exatamente. Não sabemos se são 100 produtores ou 10 mil. O texto usa linguagem de transformação social, mas os dados são sobre volume de grãos, não sobre distribuição de riqueza.

Mark

E a dependência de fertilizantes — 43 milhões de toneladas em 2021 — isso é um risco real?

Mimi

Sim. O texto menciona que virou um problema por causa da guerra Rússia-Ucrânia. Mas não explica quanto do fertilizante vem de lá ou qual é o impacto real nos custos.

Luke

Outra lacuna. Sabemos que o Brasil consome muito fertilizante, mas não sabemos a origem ou o impacto da guerra nos preços brasileiros.

Mark

Os caminhões — 765 mil reais é caro?

Mimi

Para um caminhão superpesado novo, é o preço de mercado. O ponto é que produtores estão comprando frotas inteiras, não uma ou duas unidades.

Luke

E isso começou depois da greve de 2018. Antes disso, eles usavam transportadoras terceirizadas. Agora têm frotas próprias. É uma mudança estrutural no setor.

  • Em 2003, Brasil importou 17.850 toneladas de milho transgênico argentino com liminar judicial
  • Mato Grosso do Sul aumentou produção de 7,8 para 40,2 milhões de toneladas entre 2007/2008 e 2008/2009
  • Exportações de milho cresceram de 6,37 milhões de toneladas em 2008 para 29,25 milhões em 2017 (359,2% de aumento)
  • Brasil é terceiro maior produtor mundial de milho, atrás apenas de EUA e China
  • Vendas de caminhões cresceram 62,82% de janeiro a maio de 2021 em relação ao mesmo período de 2020

Em 2003, Brasil precisava de liminar judicial para importar milho transgênico argentino; hoje é terceiro maior produtor mundial do cereal. Mato Grosso do Sul aumentou produção de 7,8 para 40,2 milhões de toneladas em uma década, com produtividade saltando de 3.683 para 6.317 kg/hectare.

O Brasil, que proibia importação de milho transgênico em 2003, tornou-se grande exportador a partir de 2008, atingindo 35 milhões de toneladas exportadas e criando nova classe de milionários no agronegócio.

Em 2003, a Avipe, associação que representa produtores avícolas de Pernambuco, precisou recorrer à Justiça Federal para conseguir o que hoje parece banal: importar milho transgênico. O grão vinha da Argentina, das províncias de Córdoba e Rosário, e seria usado na ração de frango. Pouco mais de 17.850 toneladas chegaram ao Porto do Recife, custando 2,1 milhões de dólares. Pesquisadores brasileiros se opunham à importação, desconfiados da tecnologia que os argentinos já dominavam há mais de uma década. O Brasil cogitou até importar milho orgânico da China. Mas cinco anos depois, tudo mudou.

Em 2008, no segundo mandato de Lula, o Brasil deixou de ser importador e se tornou exportador. Ninguém mais questionaria se o milho brasileiro era transgênico ou não — a pergunta deixou de fazer sentido porque o país inteiro estava plantando. O que começou como uma safra experimental se transformou em rotina. Em 2002, o Brasil havia exportado cerca de 500 mil toneladas de milho do Paraná, mas foi a partir de 2008 que o país entrou de verdade no mercado global, plantando três safras por ano e colhendo volumes que pareciam ficção. Em 2008, as exportações somavam 6,37 milhões de toneladas. Nove anos depois, em 2017, chegavam a 29,25 milhões de toneladas — um crescimento de 359,2% em menos de uma década.

O Mato Grosso do Sul exemplifica essa transformação com números que revelam o tamanho da mudança. Na safra 2007/2008, o estado colheu 7,8 milhões de toneladas. Na safra seguinte, a previsão era de 40,2 milhões de toneladas. A produtividade saltou de 3.683 quilos por hectare para 6.317 quilos por hectare, resultado de tecnologia desenvolvida pela Embrapa e investimentos pesados em mecanização. Em todo o país, a área plantada cresceu de 14,7 milhões de hectares para 21,1 milhões de hectares. A produtividade nacional subiu de 3.655 quilos por hectare para 5.320 quilos por hectare em 15 anos. Esses números não são abstratos — representam uma classe inteira de produtores que ficou rica.

O Brasil se tornou o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, os dez maiores produtores são Estados Unidos, China, Brasil, União Europeia, Argentina, Ucrânia, Índia, México, Rússia e Canadá. Internamente, o país consome 76,5 milhões de toneladas e ainda exporta 35 milhões de toneladas. Para a safra 2021/2022, a Conab estimava uma produção total de grãos de 268,2 milhões de toneladas, representando um crescimento de 50% em relação à temporada anterior. Apenas na primeira safra de milho daquele ano, o Brasil deveria colher 24 milhões de toneladas.

Esse boom agrícola gerou efeitos em cascata pela economia. O Brasil se tornou grande consumidor de fertilizantes — 43,1 milhões de toneladas em 2021 — o que criou vulnerabilidades quando a guerra entre Rússia e Ucrânia começou a afetar os preços globais. Mas o impacto mais visível foi no mercado de caminhões. Os produtores de milho e soja, depois da greve de transportadores em 2018, decidiram ter frotas próprias para levar seus produtos aos portos. Em 2021, foram vendidas 46.948 unidades de caminhões no Brasil. De janeiro a maio de 2021, as vendas cresceram 62,82% em relação ao mesmo período de 2020. O modelo mais vendido era o Volvo FH 540, um caminhão superpesado que custava 765 mil reais em sua versão 2022.

Os produtores usam esses caminhões para transportar milho e soja até os portos brasileiros e retornam às fazendas carregados de adubo como frete de retorno, maximizando cada viagem e cada real investido. É um sistema que transformou a logística agrícola e criou uma nova dinâmica de lucro no setor. O Brasil passou de um país que precisava de liminar judicial para importar milho transgênico para um país que exporta dezenas de milhões de toneladas, criando riqueza em regiões inteiras e movimentando indústrias inteiras de equipamentos e transportes. A transformação levou menos de uma década.

Em 2003, a Avipe precisou de liminar na Justiça Federal para importar milho transgênico da Argentina
— Contexto histórico do setor
Desde 2008, ninguém mais questiona o fato de o milho brasileiro ser ou não transgênico
— Análise da transformação do setor
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