Em meio a uma economia que cresce a passos lentos e a sombras geopolíticas no horizonte, o Bradesco encerrou seu décimo trimestre consecutivo de expansão de lucros, registrando R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 — um resultado que supera levemente as projeções do mercado e sinaliza que disciplina e diversificação podem ser antídotos eficazes contra a incerteza. O banco não apenas cresceu, mas voltou a superar seu próprio custo de capital em um ambiente de juros elevados, reafirmando uma trajetória de recuperação que o mercado acompanha com atenção crescente.
Bradesco (BBDC4): Lucro sobe 16,2% e atinge R$ 7,1 bi no 2T26, superando expectativas
Crescimento passo a passo, mantendo apetite ao risco moderado
Por que o resultado do Bradesco importa tanto agora, especialmente depois do que aconteceu com o Santander?
Porque o mercado estava com medo. Quando um banco grande tem problemas de crédito, as pessoas começam a questionar se os concorrentes que atuam no mesmo espaço também estão em apuros. O Bradesco provou que não — cresceu a carteira, manteve a inadimplência controlada.
Mas crescer em uma economia fraca não é suspeito? Não deveria ser mais difícil?
Deveria, sim. Mas o banco fez isso de forma seletiva. Não cresceu em qualquer linha de crédito. Priorizou operações com garantias, capital de giro estruturado, consignado. Crescimento inteligente, não agressivo.
O ROE de 16,2% é bom? Parece que o Itaú está muito à frente.
É bom, mas não é excelente. O Itaú está em 24,3%. Porém, o Bradesco superou seu custo de capital, que é o que realmente importa. E subiu 1,6 ponto percentual em um ano — está na direção certa.
O CEO mencionou Guerra do Irã e eleições. Isso é realmente uma preocupação para um banco?
Muito. Cenários geopolíticos afetam taxas de câmbio, volatilidade de mercado, apetite dos clientes por crédito. O Bradesco está sinalizando que vai manter os pés no chão, não vai arriscar demais.
As margens cresceram em tudo. Como isso acontece quando a economia está morna?
Porque o banco conseguiu aumentar os spreads — a diferença entre o que cobra e o que paga. Além disso, ganhou eficiência operacional e diversificou as receitas. Não dependeu só de crescimento de volume.
E as despesas operacionais? Cresceram pouco, certo?
Cresceram 3,4% em um ano, bem abaixo da inflação e do crescimento das receitas. Isso mostra disciplina. O banco está investindo em transformação digital, mas sem deixar os custos saírem do controle.
The Pulse
- O fantasma dos resultados ruins do Santander pairava sobre o setor, criando expectativa tensa antes da divulgação — e o Bradesco respondeu superando o consenso de analistas.
- Com a Selic a 15% e o PIB crescendo apenas 0,4% no trimestre, expandir crédito em R$ 1,1 trilhão sem deteriorar a inadimplência representa um equilíbrio delicado e deliberado.
- O CEO Marcelo Noronha sinalizou cautela ativa diante dos efeitos da Guerra do Irã e das eleições presidenciais, descrevendo ajustes finos nos modelos de risco como parte da estratégia de navegação.
- As ADRs do banco, que fecharam em leve queda em Nova York, começaram a reagir positivamente após a divulgação dos números, indicando que o mercado absorveu bem o resultado.
Em meio a uma economia que cresce a passos lentos e a sombras geopolíticas no horizonte, o Bradesco encerrou seu décimo trimestre consecutivo de expansão de lucros, registrando R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 — um resultado que supera levemente as projeções do mercado e sinaliza que disciplina e diversificação podem ser antídotos eficazes contra a incerteza. O banco não apenas cresceu, mas voltou a superar seu próprio custo de capital em um ambiente de juros elevados, reafirmando uma trajetória de recuperação que o mercado acompanha com atenção crescente.
O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, avanço de 16,2% sobre o mesmo período do ano anterior e décimo trimestre consecutivo de crescimento. O resultado ficou acima da projeção de R$ 6,9 bilhões da Bloomberg — uma margem pequena, mas simbólica em um contexto de PIB crescendo apenas 0,4% no trimestre.
O desempenho ganhou peso extra porque o mercado havia ficado em alerta após resultados decepcionantes do Santander, banco com carteira semelhante. O CEO Marcelo Noronha atribuiu o resultado a uma gestão cuidadosa de riscos e a ajustes nos modelos de exposição a linhas mais arriscadas. Ele também alertou para os desafios à frente: os efeitos da Guerra do Irã e as eleições presidenciais exigem cautela continuada.
A rentabilidade evoluiu de forma relevante. O ROE chegou a 16,2%, superando o custo de capital em um cenário de Selic a 15% — um marco para o banco. O Bradesco ainda fica atrás do Itaú Unibanco, com ROE de 24,3%, mas ampliou sua vantagem sobre o Santander, que encerrou o período em 12,5%.
As margens cresceram em todas as frentes. A margem financeira totalizou R$ 20,8 bilhões, alta de 15,7% em um ano, impulsionada por derivativos, produtos estruturados e diversificação de receitas. A carteira de crédito avançou 11,6% em doze meses, chegando a R$ 1,1 trilhão, com crescimento expressivo em pessoas físicas, pequenas e médias empresas e grandes corporações — priorizando linhas com garantias e melhor retorno ajustado ao risco.
A inadimplência acima de 90 dias subiu apenas 0,1 ponto percentual no trimestre, para 4,3%, demonstrando que a expansão do crédito não veio acompanhada de deterioração relevante da qualidade da carteira. As despesas operacionais cresceram apenas 3,4% em um ano, refletindo controle mesmo com investimentos contínuos em transformação digital.
O Bradesco fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, um avanço de 16,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado superou ligeiramente o que o mercado esperava — a Bloomberg havia projetado R$ 6,9 bilhões — e marcou o décimo trimestre consecutivo em que o banco amplia seus ganhos. Tudo isso aconteceu em um cenário econômico pouco animador, com o PIB crescendo apenas 0,4% no trimestre, após uma expansão de 1,3% no período anterior.
O desempenho do Bradesco ganhou relevância especial porque o mercado havia ficado em alerta após resultados ruins do Santander. Como ambos os bancos atuam em carteiras semelhantes, havia temor de que o Bradesco também enfrentasse deterioração no crédito. Até agora, porém, a instituição tem conseguido expandir seus negócios sem comprometer a qualidade dos ativos. Marcelo Noronha, CEO do banco, descreveu a estratégia como um crescimento passo a passo, mantendo apetite ao risco moderado mesmo diante de um ambiente comercial desafiador. "Gerimos bem os riscos na tesouraria e no crédito. Fizemos ajuste fino nos modelos e na nossa exposição a linhas e clusters mais arriscados", afirmou. O executivo também alertou para os ventos contrários à frente, citando os efeitos da Guerra do Irã e as eleições presidenciais como fatores que exigem cautela continuada.
A rentabilidade do banco também evoluiu. O ROE, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido, subiu 1,6 ponto percentual em um ano, chegando a 16,2%. Com a taxa básica de juros (Selic) em 15%, o Bradesco voltou a superar seu custo de capital, um marco importante. O resultado ficou ligeiramente acima da projeção média de 16% que o mercado havia feito. Mesmo assim, o banco ainda fica atrás do Itaú Unibanco, líder do setor com ROE de 24,3%, e ampliou sua vantagem sobre o Santander, que encerrou o período com rentabilidade de 12,5%. A notícia dos resultados fez as ADRs do banco, que haviam fechado em leve queda em Nova York, começarem a subir.
As margens do banco cresceram em todas as frentes. A margem financeira somou R$ 20,8 bilhões, um avanço de 4,1% na comparação trimestral e de 15,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem com clientes atingiu R$ 20,1 bilhões, crescimento de 3,6% no trimestre e de 13,8% em um ano. O banco atribuiu esse desempenho à gestão eficiente de riscos e ao bom desempenho em negócios com derivativos e produtos estruturados, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador. As receitas totais alcançaram R$ 37,6 bilhões no trimestre, avanço de 2,1% na comparação trimestral e de 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O banco destacou três fatores por trás desse desempenho: a diversificação das receitas, com peso relevante de negócios como alta renda, consórcios e seguros; a transformação digital, que aumentou a competitividade; e a originação de crédito priorizando linhas com garantias e melhor retorno ajustado ao risco.
A carteira de crédito do Bradesco expandiu-se mesmo com a economia fraca. O saldo avançou 4,3% no trimestre e 11,6% em um ano, alcançando R$ 1,1 trilhão. Na carteira de pessoas físicas, o crescimento foi de 8,4%, para R$ 479,7 bilhões. Entre pequenas e médias empresas, a carteira avançou 16,1%, para R$ 267 bilhões. No segmento de grandes empresas, o saldo chegou a R$ 389 bilhões, alta de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O banco enfatizou que a expansão ocorreu com segurança, evoluindo na participação de linhas com garantias, com destaque para o crescimento do capital de giro com garantias, consignado privado, veículos e operações rurais no atacado.
A qualidade da carteira permaneceu sob controle. A inadimplência acima de 90 dias subiu apenas 0,1 ponto percentual no trimestre, para 4,3%, e 0,2 ponto percentual em um ano. O banco conseguiu, portanto, expandir o crédito sem deteriorar de forma relevante a inadimplência, um dos principais termômetros da capacidade dos clientes de honrar suas dívidas. A despesa com PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), a reserva constituída para cobrir potenciais perdas com inadimplência, avançou 22,6% em um ano e 3,3% no trimestre, totalizando R$ 9,9 bilhões. As despesas operacionais somaram R$ 16,4 bilhões, alta de 1,6% na comparação trimestral e de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo-se em linha com as expectativas e refletindo controle mesmo com investimentos em transformação digital.
Notable Quotes
Mantivemos boa tração comercial, apesar do apetite ao risco moderado. Gerimos bem os riscos na tesouraria e no crédito. Fizemos ajuste fino nos modelos e na nossa exposição a linhas e clusters mais arriscados.— Marcelo Noronha, CEO do Bradesco
Seguiremos com moderação em nosso apetite ao risco. Nossas despesas operacionais estão controladas e continuamos a ganhar eficiência.— Marcelo Noronha, CEO do Bradesco