Bolsonaro será convidado para abertura da Copa América em Brasília

A pandemia de Covid-19 matou mais de 473 mil pessoas no Brasil até o momento da publicação, contexto que intensifica críticas à realização do evento.
Um total desserviço e só ajuda o vírus
Pesquisadora da UFRJ criticava a realização do torneio em meio à pandemia de Covid-19.
Mark

Por que a CBF sentiria necessidade de convidar Bolsonaro especificamente para a abertura?

Mimi

Porque o governo federal foi crucial para que o Brasil aceitasse sediar o torneio em tão pouco tempo. Sem esse apoio, a Copa América não acontecia aqui.

Mark

Os jogadores realmente se opunham ao evento?

Mimi

Não exatamente. Eles queriam criticar a decisão de realizá-lo durante a pandemia, mas decidiram jogar mesmo assim. Era uma forma de registrar sua preocupação sem abandonar o compromisso.

Mark

O que mudou quando Caboclo foi afastado?

Mimi

Diminuiu a tensão interna. Os jogadores estavam bravos porque não foram informados antecipadamente. Com ele fora, ficou mais fácil seguir adiante.

Mark

Os pesquisadores tinham razão em se preocupar?

Mimi

Sim. O Brasil estava em plena crise sanitária, com centenas de milhares de mortos. A vacinação era lenta. Mesmo com protocolos, o risco era real.

Mark

Então por que a Copa América aconteceu mesmo assim?

Mimi

Porque havia dinheiro envolvido, compromissos internacionais, e a máquina já estava em movimento. Uma vez que o Brasil aceitou, parar era mais complicado do que seguir.

  • O Brasil assumiu a sede da Copa América com apenas uma semana de antecedência, após Colômbia e Argentina recuarem, deixando jogadores da seleção sem aviso prévio e criando um clima de desconfiança com a CBF.
  • Os atletas, surpreendidos e incomodados, articularam um manifesto coletivo para criticar publicamente a realização do torneio durante a pandemia — um gesto raro de resistência dentro do próprio time nacional.
  • O afastamento repentino do presidente da CBF, Rogério Caboclo, acusado de assédio sexual, aliviou parte da tensão interna, mas não dissipou o debate sobre os riscos sanitários do evento.
  • Pesquisadores alertam que o torneio representa um 'total desserviço' à saúde pública, num país com UTIs sobrecarregadas e vacinação insuficiente, mesmo com estádios sem público e atletas imunizados.
  • Com milhões de dólares já investidos e dez seleções credenciadas, a Conmebol e o governo brasileiro sinalizaram que a competição seguirá em frente, independentemente das críticas.

Em meio a uma pandemia que já havia ceifado mais de 473 mil vidas brasileiras, o futebol continental escolheu o Brasil como palco de urgência para a Copa América, e o governo federal abraçou o torneio com entusiasmo que a CBF tratou de retribuir com um convite simbólico ao presidente Bolsonaro para a cerimônia de abertura. É o momento em que o esporte, a política e a crise sanitária se encontram num mesmo campo, revelando as tensões entre o espetáculo que não quer parar e a dor que não consegue ser ignorada.

A CBF planejava convidar o presidente Jair Bolsonaro para a abertura da Copa América, marcada para 13 de junho em Brasília, como forma de reconhecimento pelo apoio governamental que tornou possível a realização do torneio no país. O Brasil havia aceitado sediar a competição apenas uma semana antes, após Colômbia e Argentina desistirem por razões políticas e sanitárias.

Os jogadores da seleção foram pegos de surpresa. Rogério Caboclo, então presidente da CBF, visitou o grupo durante a preparação para as eliminatórias sem informá-los previamente sobre a possibilidade de o Brasil assumir a sede. A falta de transparência gerou tensão, e os atletas responderam articulando um manifesto coletivo — previsto para ser divulgado após o jogo contra o Paraguai — que criticaria a realização do evento em plena pandemia, mas confirmaria a participação deles no torneio. O afastamento de Caboclo, acusado de assédio sexual contra uma funcionária da entidade, ajudou a distender o clima interno.

O pano de fundo era sombrio: mais de 473 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, UTIs com alta ocupação e vacinação em ritmo considerado insuficiente. A pesquisadora Chrystina Barros, da UFRJ, classificou o evento como 'um total desserviço' à saúde pública, alertando que mesmo vacinados podiam transmitir o vírus e que a chegada do inverno agravava os riscos. Ainda assim, com investimentos milionários já realizados e todas as seleções credenciadas, as autoridades do futebol e o governo federal reafirmaram o compromisso com a competição — um sinal de que o torneio seguiria em frente, com ou sem consenso.

A Confederação Brasileira de Futebol planejava convidar o presidente Jair Bolsonaro para a cerimônia de abertura da Copa América, marcada para o domingo 13 de junho em Brasília, no jogo entre Brasil e Venezuela. O gesto funcionaria como reconhecimento pelo apoio que o governo federal havia dado para que o país sediasse o torneio continental.

O Brasil havia assumido a responsabilidade de organizar a competição apenas uma semana antes, após a Colômbia desistir por instabilidade social e a Argentina recuar devido aos efeitos da pandemia de Covid-19. A decisão pegou os jogadores da seleção brasileira desprevenidos. Eles estavam em preparação para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 quando receberam a visita de Rogério Caboclo, então presidente da CBF, que não os informou antecipadamente sobre a possibilidade de o Brasil sediar a Copa América. A falta de transparência criou tensão entre os atletas e a confederação.

Os jogadores responderam planejando um manifesto. Segundo fontes próximas à seleção, eles pretendiam divulgar o documento após a partida contra o Paraguai, marcada para a terça-feira em Assunção. O manifesto conteria críticas à realização do torneio em plena pandemia, mas também confirmaria a decisão dos atletas de participarem do evento. Uma fonte explicou que os jogadores queriam "se manifestar e se pronunciar sobre a necessidade da competição num momento como esse". O afastamento de Caboclo da CBF no fim de semana, motivado por denúncias de assédio sexual contra uma funcionária da entidade, ajudou a reduzir as tensões internas. Caboclo negou as acusações.

O contexto sanitário tornava a realização da Copa América particularmente controversa. Até o momento da publicação, a pandemia havia matado mais de 473 mil pessoas no Brasil. O país enfrentava ocupação elevada de leitos de UTI e um ritmo de vacinação considerado insuficiente. Pesquisadores e setores da sociedade questionavam a decisão. Chrystina Barros, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou à Reuters que a Copa América era "um total desserviço e só ajuda o vírus". Ela apontou que mesmo pessoas vacinadas podiam contrair e transmitir a doença, e que a proximidade do inverno agravava os riscos, apesar dos protocolos de vacinação para atletas e da ausência de público nos estádios.

Autoridades do futebol, porém, reafirmavam o compromisso com o torneio. Uma fonte ligada à organização informou que milhões de dólares já haviam sido investidos, que todas as dez seleções estavam credenciadas e que a mobilização de pessoas e recursos estava em andamento. O presidente Bolsonaro havia participado de uma teleconferência com a Conmebol no fim de semana anterior e dado "todo respaldo à Copa América", segundo a mesma fonte. A competição estava confirmada, apesar das críticas e da falta de unanimidade em torno de sua realização durante a crise sanitária.

Eles querem se manifestar e se pronunciar sobre a necessidade da competição num momento como esse
— Fonte próxima à seleção brasileira
A Copa América aqui é um total desserviço e só ajuda o vírus
— Chrystina Barros, pesquisadora da UFRJ
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