Bolsonaro nega mortes de crianças por Covid e admite entregar poder ao Centrão

1.439 crianças de até 5 anos morreram por Covid-19 nos dois primeiros anos da pandemia no Brasil, com duas crianças menores de 5 anos morrendo diariamente da doença.
A molecada não sofre com vírus. Você não viu moleque morrendo
Bolsonaro nega mortes de crianças por Covid durante podcast, contradizendo dados de 1.439 óbitos em menores de cinco anos.
Mark

Por que o presidente escolheu negar dados tão documentados sobre mortes de crianças?

Mimi

Não é exatamente uma negação simples. Ele está oferecendo uma explicação alternativa — que as crianças morreram de outras causas, mas foram registradas como Covid porque havia incentivo financeiro. É uma forma de questionar a integridade dos dados sem parecer que está ignorando as mortes.

Mark

E quanto à admissão sobre o Centrão? Isso não contradiz tudo o que ele disse antes?

Mimi

Sim e não. Ele está recontextualizando. Antes criticava o Centrão como um bloco corrupto. Agora diz que o Centrão "veio para seu lado" e que ele mantém controle — colocou pessoas para "vigiar". É uma forma de dizer que absorveu o poder deles, não que cedeu a ele.

Mark

Como isso afeta a campanha?

Mimi

Coloca em questão a narrativa de um presidente que governa sozinho, sem negociações com blocos tradicionais. Mostra que a governança envolveu concessões políticas reais.

Mark

E os ataques a Moraes?

Mimi

São parte de uma estratégia maior. Se conseguir desacreditar os institutos de pesquisa, desacredita também as pesquisas que mostram seu desempenho eleitoral. É atacar a credibilidade das informações que o prejudicam.

Mark

Qual é o risco dessa abordagem?

Mimi

Quanto mais ataca instituições — o TSE, institutos de pesquisa — mais reforça a narrativa de que está em conflito com estruturas de poder. Isso pode alienar eleitores que valorizam estabilidade institucional.

  • Bolsonaro afirmou em podcast que crianças não morrem de Covid, ignorando 1.439 mortes documentadas de menores de cinco anos nos dois primeiros anos da pandemia.
  • A desinformação presidencial colide com dados da Fiocruz que apontam duas crianças morrendo diariamente da doença no Brasil — uma urgência silenciada pelo discurso oficial.
  • Ao admitir ter entregado 'parte do poder' ao Centrão, o presidente contradiz anos de críticas ao bloco, expondo a pragmática negociação política que sustenta seu governo.
  • Bolsonaro ataca Alexandre de Moraes por barrar investigações contra institutos de pesquisa, acusando o ministro de proteger adversários e manipular o ambiente eleitoral.
  • A campanha à reeleição se intensifica num campo de disputas onde fatos, pesquisas e instituições são sistematicamente questionados pelo próprio candidato incumbente.

Às vésperas do segundo turno das eleições brasileiras de 2022, o presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista a um podcast esportivo na qual negou mortes de crianças por Covid-19 — contrariando dados que registram 1.439 óbitos de menores de cinco anos nos dois primeiros anos da pandemia. Na mesma ocasião, admitiu ter cedido parcelas de poder ao Centrão, bloco que outrora atacou, e intensificou críticas ao presidente do TSE, Alexandre de Moraes, num movimento que revela as tensões entre o poder executivo, o judiciário e a verdade factual em tempos de disputa eleitoral.

Na sexta-feira anterior ao segundo turno, Jair Bolsonaro concedeu entrevista a um podcast de canais esportivos e fez declarações que contradizem dados consolidados de saúde pública. Ao falar sobre a Covid-19, negou que crianças sofram com o vírus e afirmou não existirem registros de mortes nessa faixa etária. Para justificar sua posição, sugeriu que mortes infantis teriam sido atribuídas à doença de forma fraudulenta, já que hospitais receberiam recursos por pacientes internados em UTI.

Os números desmentem a afirmação. Entre 2020 e 2021, a Covid-19 matou 539 crianças de seis meses a três anos — quase quatro vezes mais do que as 144 mortes registradas por outras doenças preveníveis por vacinas na mesma faixa etária ao longo de uma década anterior. Dados do Observatório de Saúde na Infância da Fiocruz indicam que duas crianças menores de cinco anos morriam diariamente da doença no Brasil, totalizando 1.439 óbitos nos dois primeiros anos da pandemia.

Na mesma entrevista, Bolsonaro abordou sua relação com o Centrão — bloco que havia criticado duramente no passado — e admitiu ter entregado 'uma parte do poder' a esses partidos. Explicou que cedeu cargos de segundo escalão e colocou pessoas de confiança para fiscalizar, argumentando que o Centrão atual estaria mais alinhado aos seus objetivos do que o bloco que antes combatia.

O presidente também voltou a atacar Alexandre de Moraes, presidente do TSE, por ter barrado investigações da Polícia Federal e do Cade contra institutos de pesquisa. Para Bolsonaro, a decisão visava 'humilhá-lo' e beneficiava adversários ao proteger institutos que, segundo ele, divulgam números enganosos capazes de influenciar eleitores e distorcer o resultado das urnas.

Na sexta-feira, durante uma entrevista para um podcast de canais esportivos, o presidente Jair Bolsonaro fez declarações sobre a Covid-19 que contradizem dados de saúde pública. Candidato à reeleição pelo PL, ele negou que crianças sofram com o vírus e afirmou não haver registros de mortes entre esse público. "A molecada não sofre com vírus. Você não viu moleque morrendo de vírus por aí", disse, sugerindo que crianças que morreram teriam tido outras causas — como traumatismo craniano — mas foram registradas como vítimas de Covid porque hospitais recebiam recursos por cada paciente internado em leito de UTI.

Os números, porém, contam outra história. Entre 2020 e 2021, a Covid-19 matou 539 crianças de seis meses até três anos de idade. Num período de dez anos anterior, apenas 144 crianças nessa mesma faixa etária morreram de outras doenças letais que poderiam ser prevenidas por vacinas. Dados do Observatório de Saúde na Infância da Fiocruz, que usa informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade, mostram ainda que duas crianças menores de cinco anos morrem diariamente de Covid-19 no Brasil. No total, 1.439 crianças de até cinco anos perderam a vida para a doença nos dois primeiros anos da pandemia.

Na mesma entrevista, Bolsonaro abordou sua relação com o Centrão, o bloco de partidos de centro e centro-direita que ele havia criticado duramente no passado. Desta vez, admitiu ter entregado "uma parte do poder" a esses partidos. "Centrão veio para nosso lado e você não tem notícia de eu ter entregue diretorias, bancos estatais para eles. Uma parte do poder entreguei, segundo escalão, entregamos e botamos pessoas para vigiar", explicou. Ele argumentou que o Centrão de hoje está mais alinhado com seus objetivos do que o bloco que criticava anteriormente, descrevendo a mudança como resultado das urnas.

O presidente também voltou a atacar Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro criticou a decisão de Moraes, tomada na quinta-feira anterior, de barrar investigações que a Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica estavam conduzindo contra institutos de pesquisa. Para o presidente, a medida tinha como objetivo "humilhá-lo" e "tirá-lo do sério".

Segundo Bolsonaro, ao impedir as investigações, Moraes permitiria que institutos de pesquisa continuassem divulgando números que ele considera enganosos. Ele sugeriu que essas pesquisas influenciam eleitores, arrastando votos para candidatos que aparecem à frente nas sondagens por margens de dois a três milhões de votos. Para o candidato à reeleição, a decisão do ministro beneficia seus adversários ao silenciar investigações sobre a confiabilidade dos institutos.

Uma parte do poder entreguei, segundo escalão, entregamos e botamos pessoas para vigiar
— Jair Bolsonaro, sobre a relação com o Centrão
Os institutos vão continuar mentindo. E é nessas mentiras, quantos votos eles arrastam para o outro lado?
— Jair Bolsonaro, criticando a decisão de Moraes sobre institutos de pesquisa
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