Em meio às oscilações que definem o ritmo dos mercados globais, a Bolsa brasileira encontrou fôlego na terça-feira ao perceber que o Federal Reserve americano não tinha pressa em alterar o curso de sua política monetária. O Ibovespa fechou em alta de 0,67% e o dólar recuou, lembrando que, nos mercados financeiros, as palavras dos banqueiros centrais muitas vezes pesam tanto quanto os próprios números. A calmaria, porém, era provisória — Powell ainda falaria ao Congresso, e o Copom divulgaria sua ata, mantendo o futuro em aberto.
Bolsa sobe 0,67% com sinais de estabilidade nos juros americanos; dólar cai
Dirigentes do Fed estão apenas no início da discussão
Por que o Fed mudou de tom tão rapidamente? Na sexta-feira Bullard falava em juros em 2022, e na terça já estava dizendo que tudo está apenas começando.
Bullard não vota este ano, então suas falas têm um peso diferente — são mais exploratórias. Mas quando o mercado reage tão forte, os dirigentes tendem a calibrar. Ele estava testando o terreno, e o mercado respondeu com pânico.
Mas espera — Bullard realmente mudou de posição, ou apenas escolheu palavras diferentes? Ele ainda acredita em 2022, só que agora diz que a discussão está no início. Isso é moderação ou apenas retórica?
É uma boa pergunta. O que importa para o mercado é o timing das ações, não apenas as intenções. Se a discussão está no início, isso significa que qualquer decisão ainda está longe.
E o que Powell vai dizer hoje no Congresso? Ele pode desfazer tudo isso?
Powell é mais cauteloso que Bullard. Se ele reforçar a mensagem de que não há pressa, o mercado respira fundo. Se disser algo diferente, voltamos ao pânico.
Mas ninguém sabe o que Powell vai dizer, certo? Estamos operando em expectativa pura. O ganho de 0,67% na Bolsa pode desaparecer em minutos se a audiência for diferente do que o mercado imagina.
Exato. Por isso o mercado está tão atento. Tudo depende de como os bancos centrais — americano e brasileiro — vão comunicar suas próximas movimentações.
Der Puls
- A turbulência começou na sexta-feira anterior, quando James Bullard sugeriu que altas de juros nos EUA poderiam chegar já em 2022, derrubando mercados ao redor do mundo.
- Na terça, Bullard recalibrou o discurso e afirmou que o Fed estava apenas nos estágios iniciais da discussão sobre redução de compras de títulos, aliviando o temor de uma virada abrupta.
- O Ibovespa reagiu com ganho de 0,67%, o dólar caiu para R$ 5,0227, e ações de energia lideraram os avanços — Petrobrás subiu mais de 2% após o Bank of America elevar sua recomendação para compra.
- Pão de Açúcar disparou 7,88% com a notícia de que Michael Klein estaria montando posição acionária no grupo, enquanto Eletrobrás avançou com apostas na privatização da estatal.
- Investidores permanecem em compasso de espera: a audiência de Powell no Congresso e a ata do Copom ainda poderiam redefinir o tom dos mercados nos dias seguintes.
Em meio às oscilações que definem o ritmo dos mercados globais, a Bolsa brasileira encontrou fôlego na terça-feira ao perceber que o Federal Reserve americano não tinha pressa em alterar o curso de sua política monetária. O Ibovespa fechou em alta de 0,67% e o dólar recuou, lembrando que, nos mercados financeiros, as palavras dos banqueiros centrais muitas vezes pesam tanto quanto os próprios números. A calmaria, porém, era provisória — Powell ainda falaria ao Congresso, e o Copom divulgaria sua ata, mantendo o futuro em aberto.
A Bolsa brasileira abriu a terça-feira com ânimo renovado e fechou em alta de 0,67%, aos 129.264,96 pontos. O dólar recuou 0,91%, cotado a R$ 5,0227. O movimento tinha origem nos Estados Unidos, onde dirigentes do Federal Reserve sinalizavam que a política monetária permaneceria estável por tempo ainda indefinido.
O gatilho da virada foi James Bullard, presidente da regional de St. Louis do Fed. Na sexta-feira anterior, ele havia agitado os mercados ao sugerir altas de juros já no final de 2022. Na terça, porém, recalibrou o discurso, afirmando que as discussões sobre redução das compras de títulos públicos estavam apenas começando. Sem voto nas decisões daquele ano, suas palavras ainda assim foram suficientes para acalmar os investidores.
No Brasil, fatores domésticos reforçaram o otimismo. A aceleração da vacinação e a perspectiva de privatização da Eletrobrás alimentaram a expectativa de retomada no segundo semestre. No mês, o Ibovespa acumulava ganho de 2,42%; no ano, de 8,61%.
As ações de energia lideraram os ganhos. A Petrobrás subiu mais de 2% após o Bank of America elevar sua recomendação para compra e aumentar o preço-alvo da PN de R$ 34,25 para R$ 37,50. A Vale ON avançou 0,94%, e a Gerdau PN subiu 2,72% mesmo com a queda do minério de ferro na China. O Pão de Açúcar saltou 7,88% com a notícia de que Michael Klein estaria montando posição acionária no grupo. Eletrobrás também brilhou, com a PNB avançando 3,42%.
O alívio, contudo, ainda precisava ser confirmado. Investidores aguardavam a audiência de Jerome Powell no Congresso e a divulgação da ata do Copom para saber se a calmaria da terça-feira era uma pausa passageira ou o início de algo mais duradouro.
A Bolsa brasileira acordou com ânimo renovado na terça-feira, fechando o pregão com ganho de 0,67%, aos 129.264,96 pontos. O dólar, por sua vez, recuou 0,91%, cotado a R$ 5,0227. O movimento refletia uma mudança de tom nos comunicados do Federal Reserve, o banco central americano, que sinalizava disposição em manter a política monetária sem alterações por um tempo ainda indefinido.
James Bullard, presidente da regional de St. Louis do Fed, havia criado turbulência nos mercados na sexta-feira anterior ao sugerir que aumentos de juros poderiam chegar já no final de 2022. Na terça, porém, ele recalibrou o discurso. Bullard afirmou que os dirigentes do Fed estavam apenas nos estágios iniciais de uma discussão sobre a redução gradual das compras de títulos públicos. Embora não tenha voto nas decisões de política monetária naquele ano, suas palavras carregavam peso suficiente para acalmar os mercados que temiam uma mudança abrupta no rumo da moeda americana.
O otimismo doméstico também se alimentava de fatores locais. A aceleração da vacinação contra a covid-19 e a perspectiva de privatização da Eletrobrás contribuíram para renovar a confiança em uma retomada econômica no segundo semestre. No mês de junho, o Ibovespa acumulava ganho de 2,42%, e no ano inteiro, de 8,61%. Em Nova York, o S&P 500 e seus pares fecharam com avanço de 1,76% naquela primeira sessão da semana.
Os papéis de energia lideraram os ganhos. Contratos de petróleo operavam em alta, buscando se reaproximar da marca de 75 dólares por barril, e as ações da Petrobrás subiram mais de 2% tanto na série ON quanto na PN. O Bank of America elevou sua recomendação para a empresa de neutra para compra, aumentando o preço-alvo para a PN de R$ 34,25 para R$ 37,50. A Vale ON também recuperou terreno, avançando 0,94%, enquanto as ações de siderurgia ganharam força — a Gerdau PN subiu 2,72% apesar da queda de quase 5% nos preços do minério de ferro na China.
Outros destaques chamaram atenção pela magnitude de seus ganhos. O Pão de Açúcar saltou 7,88% após a divulgação de que Michael Klein estava montando uma posição acionária no grupo, com possível interesse em adquirir a participação do Casino caso a varejista decidisse se desfazer dela. As ações da Eletrobrás também brilharam, com a série PNB avançando 3,42% e a ON subindo 2,92%, alimentadas pela aposta dos investidores na privatização da estatal.
O cenário, porém, permanecia em aberto. Investidores aguardavam a audiência de Jerome Powell, presidente do Fed, no Congresso em Washington naquele mesmo dia, para avaliar se o banco central americano manteria o tom mais moderado. No Brasil, a divulgação da ata da última reunião do Copom também era aguardada com atenção, já que tanto dirigentes americanos quanto brasileiros vinham adotando uma postura mais dura em relação aos preços. A próxima semana prometia revelar se o alívio da terça-feira era apenas uma pausa ou o início de uma mudança mais duradoura.
Bemerkenswerte Zitate
Os dirigentes do Fed estão apenas no início da discussão da gradual redução nas compras de títulos públicos— James Bullard, presidente da regional de St. Louis do Federal Reserve