Bitcoin luta para manter US$ 19 mil com treasuries em alta; queda de 40% é possível

Se chegarmos nela, será um suporte fortíssimo
Trader identifica zona crítica entre US$ 12 e US$ 10 mil como último ponto de sustentação antes de queda potencial de 40%.

Em meio à inversão da curva de juros americana e à espera de dados macroeconômicos decisivos, o Bitcoin navega em território frágil ao redor dos US$ 19 mil — um limiar que condensa, neste momento, a tensão entre a resiliência dos ativos digitais e a força gravitacional de uma política monetária cada vez mais restritiva. O mercado cripto, como tantas vezes na história dos ciclos financeiros, aguarda em silêncio que os números falem antes de se mover.

  • O Bitcoin recua 1,5% para US$ 19.052 enquanto o Ethereum perde 2,5%, e Wall Street sinaliza mais um dia no vermelho, comprimindo o apetite por risco em todo o mercado.
  • A ata do Fed e o índice de inflação americana, esperados nos próximos dois dias, concentram toda a atenção dos investidores e mantêm o mercado paralisado à espera de sinais sobre novos aumentos de juros.
  • Grandes especuladores reduziram posições em Bitcoin e adotaram postura neutra, enquanto o volume de negociações cai abaixo da média — sinais de que o dinheiro institucional está na defensiva.
  • O trader Vinícius Terranova alerta: perder o suporte entre US$ 20 mil e US$ 17.500 pode desencadear uma queda de 40%, levando a criptomoeda até a zona de US$ 12 mil a US$ 10 mil.
  • Os indicadores técnicos, por ora, não confirmam o pânico — o RSI em 44 e as taxas de financiamento próximas de zero sugerem um mercado em equilíbrio tenso, aguardando o catalisador que romperá o impasse.

O Bitcoin segue em terreno frágil nesta terça-feira, cotado em torno de US$ 19 mil, enquanto o mercado aguarda dois eventos econômicos que podem definir os próximos passos da política monetária americana. A maior criptomoeda do mundo recuava 1,5% nas últimas 24 horas, chegando a US$ 19.052, e o Ethereum perdia 2,5%, fechando em US$ 1.279. Wall Street havia encerrado em queda, e os futuros das bolsas de Nova York apontavam para mais um dia negativo.

O foco dos investidores está na ata do Federal Reserve, prevista para amanhã, e nos dados do Índice de Preços ao Consumidor americano, que serão divulgados na quinta-feira. O consenso do mercado aponta para um quarto aumento consecutivo de 75 pontos-base na reunião de novembro. A curva de juros dos títulos do Tesouro de 2 e 10 anos permanece invertida desde julho — um sinal que historicamente precedeu recessões em 2008, 2001 e 1990 — e isso tem levado investidores a reduzir exposição a ativos de risco, categoria em que as criptomoedas se enquadram.

Há quem veja resiliência no fato de o Bitcoin estar sendo negociado no mesmo patamar desde junho, período em que os juros americanos subiram 225 pontos-base. Mas o otimismo é cauteloso: Paul Tudor Jones, gestor de hedge funds respeitado, admitiu à CNBC ter reduzido sua alocação na criptomoeda. O relatório Commitment of Traders confirmou que grandes especuladores adotaram postura neutra na semana passada.

O risco técnico é o ponto mais preocupante. O trader Vinícius Terranova alertou que, se o Bitcoin romper o suporte em torno de US$ 17 mil — a mínima do ano —, uma queda de aproximadamente 40% pode se desenrolar, levando a criptomoeda até a zona entre US$ 12 mil e US$ 10 mil, onde estaria concentrada a maior liquidez do mercado. Por ora, o RSI de 14 dias em 44 e as taxas de financiamento futuro próximas de zero indicam neutralidade, sem catalisadores claros para um movimento expressivo em qualquer direção. O mercado, portanto, espera — e o Bitcoin testa seus suportes enquanto os dados não chegam.

O Bitcoin segue em terreno frágil nesta terça-feira, cotado em torno de US$ 19 mil, enquanto o mercado de criptomoedas inteiro aguarda sinais cruciais sobre a trajetória dos juros americanos. Às sete da manhã, a maior criptomoeda do mundo recuava 1,5% nas últimas 24 horas, chegando a US$ 19.052, enquanto o Ethereum caía com mais intensidade, perdendo 2,5% e fechando em US$ 1.279. Wall Street havia fechado em queda novamente, e os futuros das bolsas de Nova York apontavam para mais um dia vermelho, criando um ambiente de aversão ao risco que naturalmente afeta ativos voláteis como as criptomoedas.

O que move o mercado agora é a expectativa por dois eventos econômicos importantes. Amanhã, o Federal Reserve divulgará a ata da reunião de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto, documento que costuma moldar as expectativas para o próximo encontro em novembro. Na quinta-feira, virão os dados de inflação dos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor, que pode confirmar ou desmentir a necessidade de novos aumentos de juros. O consenso atual aponta para um quarto aumento consecutivo de 75 pontos-base na próxima reunião do Fed.

O contexto macroeconômico não ajuda. A curva de juros dos títulos do Tesouro americano de 2 e 10 anos permanece invertida desde julho, um sinal histórico que precedeu recessões em 2008, 2001 e 1990. Diante dessa incerteza, investidores estão sendo mais cautelosos em alocar capital em ativos considerados de maior risco, categoria em que as criptomoedas se encaixam perfeitamente. O relatório mais recente do Commitment of Traders mostrou que grandes especuladores reduziram suas posições em Bitcoin e adotaram uma postura neutra na semana passada. Com a criptomoeda caindo quase 3% na semana em volume abaixo da média, a expectativa de compras institucionais em larga escala diminuiu.

Há quem enxergue um lado positivo nessa resiliência relativa. O Bitcoin está sendo negociado no mesmo patamar desde junho, período em que os Estados Unidos elevaram a taxa de juros três vezes, somando 225 pontos-base, um movimento que afetou duramente praticamente todos os ativos de risco. Alguns analistas veem nisso uma demonstração de força. Mas a avaliação geral entre especialistas permanece mista. Paul Tudor Jones, gestor de hedge funds respeitado, moderou seu otimismo com Bitcoin em entrevista à CNBC e admitiu ter uma alocação menor na criptomoeda no momento.

O risco técnico, porém, é real e preocupante. O trader Vinícius Terranova alertou que o Bitcoin está sendo negociado em uma faixa perigosa. Se a criptomoeda cair para os cerca de US$ 17 mil, nível que representa a mínima do ano, um mergulho muito mais profundo pode se desenrolar. Terranova aponta a zona entre US$ 12 mil e US$ 10 mil como a região de maior liquidez, onde todos estariam dispostos a comprar. Perder o suporte entre US$ 20 mil e US$ 17.500 poderia desencadear uma queda de aproximadamente 40%, levando o Bitcoin até perto dos US$ 12 mil. "É só lá que começamos a ver um pouco de volume voltando", explicou o trader.

Os indicadores técnicos, por enquanto, não gritam alarme. O Índice de Força Relativa de 14 dias do Bitcoin atingiu a marca de 44, situando-se em neutralidade entre os extremos de 70 (sobrevalorizado) e 30 (subvalorizado). Os dados da blockchain também apontam para um mercado equilibrado. As taxas de financiamento de posições no mercado futuro estão próximas de zero após 11 dias consecutivos de leituras positivas, sugerindo que o apetite por posições compradas ou vendidas está em pé de igualdade. Esse sentimento neutro reflete a ausência de catalisadores que estimulem um movimento significativo de preços em qualquer direção.

O mercado cripto, portanto, segue em compasso de espera. Investidores parecem satisfeitos em ficar de lado apenas três dias antes da divulgação do CPI, esperando que esses dados tragam clareza sobre o próximo passo do Fed. Até lá, o Bitcoin continua testando seus suportes, e a questão que paira no ar é se conseguirá manter a linha de US$ 19 mil ou se será forçado a recuar para zonas mais profundas.

A zona onde todos estarão comprando. Se chegarmos nela, será um suporte fortíssimo
— Vinícius Terranova, trader e investidor
Atualmente tem uma alocação menor na criptomoeda
— Paul Tudor Jones, gestor de hedge funds, em entrevista à CNBC
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Bitcoin está tão sensível aos movimentos do Federal Reserve neste momento?

Model

Porque os juros mais altos tornam os ativos de risco menos atraentes. Quando o Fed sinaliza que vai continuar subindo os juros, investidores fogem para títulos do Tesouro, que oferecem retorno seguro. As criptomoedas perdem apelo.

Inventor

E essa curva de juros invertida que você mencionou — por que isso importa tanto?

Model

É um aviso histórico. Sempre que a curva fica invertida, uma recessão vem depois. Investidores sabem disso, então ficam ainda mais assustados e vendem ativos arriscados. É um círculo vicioso.

Inventor

O trader Terranova fala em uma queda de 40%. Isso é provável ou é só especulação?

Model

Não é especulação vazia. Ele está apontando para uma zona de liquidez real — entre US$ 12 e US$ 10 mil — onde há volume histórico de compras. Se o Bitcoin cair abaixo de US$ 17 mil, não há muito suporte no meio do caminho. Pode cair rápido até lá.

Inventor

Mas os indicadores técnicos estão neutros, certo? Isso não sugere que o pior já passou?

Model

Neutralidade não é segurança. Significa que não há pressão clara em nenhuma direção. É um vácuo. Quando um vácuo assim existe em um mercado assustado, qualquer notícia ruim pode desencadear uma queda abrupta.

Inventor

Então por que alguns analistas ainda veem resiliência no Bitcoin?

Model

Porque ele está no mesmo nível desde junho, apesar de o Fed ter subido os juros 225 pontos-base nesse período. Tecnicamente, deveria estar muito mais baixo. Mas isso também pode significar que está apenas esperando a próxima onda de vendas.

Inventor

O que muda quando sair o CPI na quinta?

Model

Se a inflação estiver mais alta que o esperado, o Fed vai ter que ser ainda mais agressivo. Se estiver mais baixa, talvez haja esperança de que os aumentos de juros terminem em breve. Qualquer um desses cenários pode desencadear um movimento grande no Bitcoin.

Contact Us FAQ