No estádio Nilton Santos, o Botafogo protagonizou uma das contradições mais dolorosas do futebol: dominou amplamente, finalizou quase quatro vezes mais que o adversário, e ainda assim saiu derrotado. A derrota para o Athletico por 3 a 2 expõe uma tensão antiga entre criar e converter, entre esforço e eficácia — e coloca o técnico interino Bellão diante de um espelho incômodo antes de um clássico no Maracanã.
Bellão lamenta falta de efetividade após derrota do Botafogo para Athletico
Faltam alguns ajustes para que a gente consiga equilibrar
Como você explica 29 finalizações e ainda assim perder?
Não é sobre quantidade. O Athletico foi incisivo, aproveitou as duas falhas defensivas nos primeiros 15 minutos. A gente criou muito, mas faltou efetividade. Isso é o que vou trabalhar.
A torcida te xingou. Você se sente seguro no cargo?
A manutenção está sob avaliação. Mas vejo sinais positivos. A equipe reagiu no segundo tempo, marcou duas vezes. Se tivéssemos mais alguns minutos, talvez o placar fosse diferente.
Três sessões de treino antes do Flamengo. É tempo suficiente?
Parece longo, mas não é. Quinta, sexta e sábado para um jogo de domingo. Mesmo assim, dá para criar situações, fazer ajustes defensivos e ofensivos que precisamos.
Você discorda que a defesa foi frágil?
Discordo. Quando estávamos sem a bola, não fomos frágeis. Justino e Ferraresi evitaram muitas transições. O problema foi o espaçamento nos primeiros minutos, aqueles gols-relâmpagos.
O ataque criou muito. Por que não converteu?
Não gosto de individualizar. Foram 33 finalizações de vários setores — meias, extremos, atacantes, até zagueiro. O problema não é só do camisa 9. É um ajuste coletivo que vou fazer.
O Pulso
- Duas falhas defensivas nos primeiros 15 minutos abriram um abismo de 2 a 0 que o Botafogo nunca conseguiu fechar completamente, apesar de 29 finalizações.
- A torcida, impaciente com a gestão do jogo, entoou xingamentos contra Bellão — técnico interino que assumiu após a demissão de Franclim Carvalho e ainda busca legitimidade.
- O Athletico foi cirúrgico com poucos recursos, enquanto o Botafogo desperdiçou uma abundância de chances que, em outro dia, garantiria uma goleada.
- Nos minutos finais, o time reagiu e marcou duas vezes — sinal que Bellão leu como resiliência, não como desespero, apostando em ajustes pontuais para virar o ciclo.
- Com apenas três sessões de treino antes do clássico contra o Flamengo no Maracanã, o tempo para corrigir a fragilidade defensiva e afiar a pontaria ofensiva é brutalmente curto.
No estádio Nilton Santos, o Botafogo protagonizou uma das contradições mais dolorosas do futebol: dominou amplamente, finalizou quase quatro vezes mais que o adversário, e ainda assim saiu derrotado. A derrota para o Athletico por 3 a 2 expõe uma tensão antiga entre criar e converter, entre esforço e eficácia — e coloca o técnico interino Bellão diante de um espelho incômodo antes de um clássico no Maracanã.
O Botafogo perdeu para o Athletico por 3 a 2 no Nilton Santos, mas os números do jogo contam uma história de frustração rara: 29 finalizações contra apenas 8 do adversário, e ainda assim a derrota. Os paranaenses foram letais nos primeiros 15 minutos, aproveitando duas falhas defensivas para abrir 2 a 0 antes que o Botafogo pudesse se organizar. A torcida reagiu com coros de "burro" contra Rodrigo Bellão, técnico interino que assumiu o comando após a demissão de Franclim Carvalho.
Bellão não desviou das críticas. Em sua análise pós-jogo, apontou a falta de efetividade como o nó central da derrota: o Athletico foi incisivo com menos, enquanto o Botafogo criou muito e converteu pouco. O técnico defendeu suas escolhas táticas — a escalação de Edenílson pelo lado aberto, a dupla de zaga que evitou transições perigosas — e argumentou que a pressão alta, por natureza, gera instabilidade defensiva momentânea.
No segundo tempo, Bellão mexeu no time, adiantou peças e viu a equipe criar ainda mais. Os dois gols nos minutos finais foram lidos por ele como sinal de caráter, não de sorte. Acredita que com mais tempo de acréscimo, o resultado poderia ter sido outro. Agora, com apenas três treinos antes do clássico contra o Flamengo no Maracanã, o desafio é ajustar a defesa sem perder o volume ofensivo que, ao menos em criação, foi abundante. Para Bellão, não são muitos ajustes que faltam — apenas alguns, nos lugares certos.
O Botafogo saiu do estádio Nilton Santos com uma derrota que dói mais pela forma do que pelo resultado. Perdeu para o Athletico por 3 a 2, mas os números contam uma história frustrante: a equipe alvinegra finalizou 29 vezes contra apenas 8 do adversário. Mesmo assim, foram os paranaenses quem saiu vitorioso, aproveitando duas falhas defensivas brutais nos primeiros 15 minutos para abrir 2 a 0. A torcida, irritada, entoou coros de "burro" contra o técnico Rodrigo Bellão, que assumiu a equipe principal após a demissão de Franclim Carvalho.
Bellão não se esquivou das críticas. Reconheceu que faltou efetividade — o ponto central de sua análise pós-jogo. O Athletico, segundo ele, foi incisivo com menos recursos, enquanto o Botafogo criou abundância de chances mas não as converteu. O técnico interino prometeu trabalhar em ajustes táticos e técnicos para que a equipe consiga colocar a bola dentro da rede com mais regularidade e, simultaneamente, diminua as oportunidades concedidas ao adversário.
O ritmo do jogo foi condicionado pelo placar desfavorável. Depois de sofrer o terceiro gol antes de reagir, o Botafogo acordou e marcou duas vezes nos minutos finais — um sinal que Bellão interpretou como positivo, não como fraqueza psicológica. Para ele, a equipe mostrou capacidade de reação mesmo após começar perdendo. O problema não foi atitude, mas execução. A equipe buscou, criou, finalizou 33 vezes (o número subiu na contagem final), mas não foi efetiva.
Bellão defendeu suas escolhas táticas. Escalou Edenílson pelo lado aberto em um 4-2-3-1, aproveitando a versatilidade do jogador para fazer rupturas nas costas dos laterais do Athletico. Justino e Ferraresi, na defesa, evitaram muitas transições perigosas. O técnico discordou de críticas sobre espaçamento defensivo, argumentando que a pressão alta gera instabilidade natural. Quando o time estava mais perto de fazer um gol, sofreu o terceiro — um timing cruel.
No segundo tempo, Bellão fez ajustes. Tirou Montoro, colocou Júnior Santos para que Montoro fizesse o movimento de Danilo pelo outro lado, deixando o corredor aberto para Telles. Adiantou Medina. A equipe criou muito, inclusive em trilhas do adversário. Quando começou a abafar mais, colocou dois jogadores adicionais — movimento normal em busca do empate. Bellão acredita que com mais um ou dois minutos de acréscimo, o resultado poderia ter sido diferente.
A manutenção de Bellão no cargo está sob avaliação. Ele tem apenas três sessões de treino antes do clássico contra o Flamengo no próximo domingo, no Maracanã — quinta, sexta e sábado. Tempo curto para equilibrar uma defesa que sofreu gols relâmpagos e manter o ataque produtivo que caracterizou a partida contra o Athletico. Bellão vê a equipe em processo de se levantar. Não é o desempenho que preocupa, mas o resultado. E resultados, segundo ele, virão com alguns ajustes — não muitos, apenas alguns.
Citações Notáveis
Faltou efetividade, sem dúvida nenhuma. O Athletico foi incisivo e conseguiu fazer os gols deles. Vou trabalhar recursos e ajustes para colocar essa bola para dentro do adversário.— Rodrigo Bellão, técnico do Botafogo
Não vejo por um aspecto psicológico. A equipe reagiu bem no segundo tempo, mesmo após tomar dois gols de início.— Rodrigo Bellão