Bebê dado como morto apresenta sinais vitais 2 horas depois em SP

Recém-nascido Noah Gabriel foi declarado morto após parada cardiorrespiratória, mas apresentou sinais vitais horas depois, gerando impacto emocional profundo para a família e profissionais de saúde envolvidos.
Milagre não se explica, se vive
A mãe de Noah reflete sobre o retorno inesperado do filho à vida após ser declarado morto.
Mark

Como é possível que um bebê seja declarado morto seguindo todos os protocolos e depois apresente sinais vitais?

Mimi

É exatamente a pergunta que fica no ar. O hospital diz que fez tudo certo — 45 minutos de reanimação, protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria, constatação formal do óbito. Mas a funcionária da funerária viu algo que os médicos não viram, ou que deixou de ser visto.

Mark

A mãe não questiona o hospital. Por quê?

Mimi

Ela viu a médica lutando para reanimar o filho. Viu o cuidado durante 32 dias de internação. Talvez porque, para ela, o que importa agora é que Noah está vivo. A negligência não é o ponto. O milagre é.

Mark

Mas o hospital não explica quais sinais vitais foram identificados. Isso não é estranho?

Mimi

Muito. Não sabemos se era batida do coração, respiração, movimento reflexo. Sem saber o que foi visto, fica difícil entender como foi perdido na primeira avaliação.

Mark

A data é importante, não é?

Mimi

Profundamente. Noah completava um mês exatamente no dia em que deveria ter nascido. Para a mãe, isso reforça a ideia de milagre. Para a medicina, é apenas coincidência. Mas coincidências assim marcam as pessoas.

Mark

O que vem agora para Noah?

Mimi

Ele está em Bauru, em um hospital especializado, recebendo o tratamento que precisava desde o início — a cirurgia para a fenda palatina. Está vivo. Está lutando. Tudo o mais é interpretação.

  • Noah Gabriel da Cruz Santos, um mês, declarado morto na Santa Casa de Rio Claro em 15 de julho
  • Funcionária de funerária identificou sinais vitais cerca de 2 horas após constatação do óbito
  • Bebê nasceu prematuro com fenda palatina e estava internado há 32 dias
  • Transferido para o Centrinho (Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da USP) em Bauru

Funcionária de funerária identificou sinais vitais do bebê Noah quando ia recolher seu corpo para procedimentos de velório e sepultamento. Noah nasceu prematuro com fenda palatina e estava internado há 32 dias; sofreu parada cardiorrespiratória no dia em que completava um mês de vida.

Recém-nascido Noah Gabriel, de um mês, apresentou sinais vitais cerca de 2 horas após ser declarado morto na Santa Casa de Rio Claro. A mãe relata que o ocorrido foi um milagre, enquanto o hospital afirma que todos os protocolos foram seguidos rigorosamente.

Noah Gabriel da Cruz Santos completou um mês de vida na última quarta-feira. Ele não deveria estar vivo naquele dia — mas ele estava, respirando, movendo as pernas, com os olhos abertos. Horas antes, os médicos da Santa Casa de Rio Claro haviam declarado o menino morto.

O bebê nasceu prematuro em 15 de junho com uma fenda palatina, uma abertura no céu da boca que afeta a amamentação, a fala, a audição e o desenvolvimento dos dentes. Ele passou 32 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, aguardando transferência para um hospital especializado onde pudesse ser operado. Na quarta-feira, quando completava exatamente um mês de nascimento — o mesmo dia em que deveria ter nascido se não fosse prematuro — seu coração parou. Os médicos tentaram reanimá-lo durante aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria. Quando as tentativas cessaram, no fim da tarde, o óbito foi constatado.

A mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, e o marido permaneceram cerca de uma hora com Noah na UTI após a declaração de morte. Viram o corpo do filho com a coloração roxa. Depois foram para casa. Horas depois, já à noite, o hospital ligou pedindo que retornassem — sem explicar por quê. O marido perguntou três vezes se era necessário voltar, dizendo que já sabiam do ocorrido e que todos os procedimentos haviam sido feitos. A insistência veio às 21h40. Quando entraram novamente na UTI, os médicos contaram sobre o que havia acontecido. Letícia conseguiu apenas dizer "Glória a Deus" e chorar.

O que mudou tudo foi uma funcionária da funerária. Ela havia sido chamada à Santa Casa para recolher o corpo de Noah e encaminhá-lo aos procedimentos de velório e sepultamento. Cerca de duas horas após a constatação do óbito, ela identificou sinais vitais no bebê e acionou a equipe médica. Não foi divulgado quais sinais vitais foram percebidos. Noah foi reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e voltou a receber cuidados intensivos.

Letícia descreveu o estado emocional da família como êxtase e anestesia ao mesmo tempo. "Às vezes a gente acha que está sonhando", disse ela em um vídeo compartilhado nas redes sociais. "Olhando para ele ali se mexendo, batendo as perninhas, de olhos abertos. A gente fica maravilhado." Ela afirmou que acredita no milagre completamente. "Milagre não se explica, se vive", disse. Ela também reconheceu que Noah foi bem atendido durante os 32 dias de internação e que não houve negligência médica — viu a médica lutando para tentar reanimá-lo.

A Santa Casa de Rio Claro respondeu com uma nota formal. Afirmou que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos. Disse não ter identificado qualquer falha assistencial ou procedimento que pudesse ser revisto diante das evidências existentes no momento da constatação da morte. O hospital destacou que o protocolo brasileiro para constatação de óbito é reconhecido por seu elevado rigor e segurança, e que a UTI Neonatal conta com estrutura especializada e equipe capacitada, incluindo a médica responsável com 14 anos de atuação em neonatologia. A instituição classificou o episódio como um acontecimento extraordinário que marcou profundamente todos os envolvidos.

Na manhã de sexta-feira, Noah foi transferido para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais da Universidade de São Paulo, conhecido como Centrinho, em Bauru, utilizando uma vaga pela qual já aguardava para continuidade do tratamento. Lá, ele segue lutando para ficar bem, segundo sua mãe. O caso permanece como um ponto de interrogação na medicina neonatal — um momento em que os protocolos foram seguidos, as evidências apontavam para morte, e ainda assim a vida retornou.

Nós estamos contemplando a grandeza de Deus e admirando nosso guerreiro que continua lutando para ficar bem. Cremos no nosso milagre por completo.
— Letícia Cristina da Cruz Santos, mãe de Noah
Todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e não foi identificada qualquer falha assistencial.
— Santa Casa de Rio Claro
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ