Base Exchange troca CEO e prevê iniciar operações em 2027

Se tivesse que ir para o ar amanhã, já teríamos todos os sistemas prontos
O novo CEO da Base Exchange sobre o estado de preparação tecnológica da bolsa carioca.
Mark

Por que a Base demorou tanto? Anunciaram em 2024 para começar em 2025, e agora é 2027.

Mimi

A aprovação regulatória é complexa. O BC e a CVM precisam validar não só a documentação, mas fazer testes funcionais com os sistemas de negociação e pós-negociação. Não é burocracia vazia — é segurança do mercado.

Luke

Mas a CVM não deu prazo. Quando dizem "os prazos estão sendo cumpridos", isso significa o quê exatamente? Quantos meses faltam?

Mark

Gurgel diz que os sistemas estão prontos. Isso é suficiente para operar uma bolsa?

Mimi

Tecnicamente, sim. Mas uma bolsa precisa de confiança. Os reguladores querem ter certeza de que tudo funciona sob pressão, em cenários de crise, com segurança de dados.

Luke

E quanto aos clientes? Ele diz que clientes da Flowa virão para a Base, mas isso é garantido? Corretoras vão realmente migrar?

Mark

A B3 está preocupada?

Mimi

Publicamente, não. Eles dizem que concorrência é natural e que já enfrentam bolsas internacionais. Mas a verdade é que perder volume de negócios afeta receita.

Luke

A B3 tem 50% do volume vindo de investidores estrangeiros. Eles podem negociar ativos brasileiros em Nova York ou Londres. A Base é uma ameaça diferente — é local, regulada aqui, com custos potencialmente menores.

Mark

Qual é o grande risco para a Base?

Mimi

Atrair investidores. A B3 está consolidada há décadas. Por que alguém mudaria?

Luke

Exatamente. Espirito Santo falou que o mercado de capitais brasileiro é pouco explorado. Mas isso significa que há espaço para uma segunda bolsa, ou que o mercado é pequeno demais para duas?

  • A troca de CEO em junho — com Claudio Pracownik partindo para os Emirados Árabes — acendeu dúvidas sobre o ritmo do projeto, mas Gurgel garante que os sistemas estão prontos para operar imediatamente.
  • O maior obstáculo não é tecnológico: Banco Central e CVM ainda analisam o pedido de autorização, sem prazo definido para liberação, empurrando o início das operações de 2025 para 2027.
  • A estratégia de competir com a B3 é direta — tarifas menores, tecnologia própria e a possibilidade de comprar e vender o mesmo ativo entre as duas bolsas —, mas atrair investidores de um mercado consolidado exige mais do que preço.
  • Economistas apontam que o caminho mais promissor pode estar nas bordas: empresas menores e médias, um segmento historicamente negligenciado no Brasil, onde a concorrência ainda não chegou de verdade.

No Rio de Janeiro, uma cidade que já foi centro financeiro do Brasil, uma nova bolsa de valores tenta reacender essa chama. A Base Exchange, controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi e agora liderada por Francisco Gurgel, tem a infraestrutura pronta mas aguarda a palavra final dos reguladores — o Banco Central e a CVM — para iniciar operações previstas para o segundo semestre de 2027. É a história recorrente de um projeto que depende menos de tecnologia do que de tempo, burocracia e da disposição do mercado em acolher um novo protagonista onde já existe um dominante.

A Base Exchange, a bolsa de valores que o Rio de Janeiro aguarda há anos, chegou ao fim de junho com um novo rosto no comando. Francisco Gurgel — fundador da empresa e também criador da Flowa Technologies, a fornecedora de tecnologia por trás da operação — assumiu o cargo de CEO após Claudio Pracownik partir para uma oportunidade nos Emirados Árabes Unidos, onde agora integra o conselho de administração da Base.

Gurgel transmite uma mensagem objetiva: a infraestrutura está pronta, os sistemas foram testados e poderiam ser ativados imediatamente. O que falta é a aprovação regulatória. Banco Central e CVM ainda analisam o pedido de autorização, passando por revisão documental, conformidade e testes funcionais. Sem data de liberação confirmada, a Base projeta iniciar operações no segundo semestre de 2027 — um atraso significativo em relação à expectativa original de 2025, quando o projeto foi anunciado pelo então prefeito Eduardo Paes.

A Base e a Flowa, ambas sob o guarda-chuva do fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala, empregam cerca de 190 pessoas e têm uma proposta clara: competir com a B3 por meio de tarifas mais baixas e tecnologia desenvolvida internamente. O modelo operacional prevê a listagem de ações que já negociam na bolsa paulista — Petrobras, Vale, Itaú, entre outras — permitindo que um investidor compre em uma bolsa e venda na outra sem complicações, com o ativo custodiado na mesma depositária central.

A B3 reconhece a concorrência como natural e diz estar focada em inovação e parcerias. Já economistas como Alexandre Espirito Santo, da Way Investimentos, veem benefícios teóricos na ampliação da concorrência, mas alertam para o verdadeiro desafio: conquistar espaço em um mercado onde a B3 está profundamente enraizada. A sugestão é olhar para onde a concorrência ainda não chegou — empresas de menor porte, um segmento pouco explorado no Brasil.

O Rio já viveu esse protagonismo antes. A antiga BVRJ foi referência nacional até o início dos anos 2000, quando as operações minguaram e o centro financeiro migrou definitivamente para São Paulo. A Base aposta na reversão desse movimento — mas, por ora, espera que os reguladores abram o caminho.

A Base Exchange, a bolsa de valores que o Rio de Janeiro espera há anos, trocou de comando no fim de junho e agora segue em busca das aprovações finais que a permitirão abrir as portas. Francisco Gurgel, que fundou a empresa e também criou a Flowa Technologies — a fornecedora de tecnologia por trás da operação — assumiu o cargo de CEO após Claudio Pracownik deixar o posto para aceitar uma oportunidade nos Emirados Árabes Unidos, onde agora integra o conselho de administração da Base.

O novo executivo carrega uma mensagem clara: a infraestrutura está pronta. Os sistemas foram desenvolvidos, testados internamente, e segundo Gurgel, poderiam ser ativados amanhã se necessário. O que falta agora é a caneta do regulador. O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários ainda analisam o pedido de autorização, passando por fases de revisão documental, conformidade regulatória e testes funcionais. A CVM confirmou que os prazos estão sendo cumpridos, mas não ofereceu uma data de liberação. Com essa incerteza regulatória, a Base projeta começar a operar no segundo semestre de 2027 — um atraso considerável em relação à expectativa inicial de 2025, quando o então prefeito Eduardo Paes anunciou o projeto.

A Base e a Flowa, ambas controladas pelo fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala, empregam cerca de 190 pessoas. A estratégia é clara: competir com a B3, a bolsa paulista que domina o mercado brasileiro há décadas. O argumento é que a concorrência reduzirá custos para investidores e corretoras. A Base promete tarifas mais competitivas e tecnologia desenvolvida internamente para atender demandas específicas do mercado. A Flowa, que já oferece serviços de negociação eletrônica para corretoras e gestoras, será o motor dessa operação — muitos dos futuros clientes da Base já usam plataformas da Flowa hoje.

O modelo operacional é direto: a Base pretende listar ações que já negociam na B3 — papéis de Petrobras, Vale, Gerdau, Itaú, Bradesco e outras. Um investidor poderá comprar uma ação em uma bolsa e vendê-la na outra sem complicações. Não haverá ações duplicadas; o ativo será o mesmo, custodiado na mesma depositária central que o mercado brasileiro já utiliza. A diferença estará no preço das operações e na experiência oferecida.

A B3 reconhece a concorrência como natural. A bolsa paulista já enfrenta competição de bolsas internacionais — investidores estrangeiros representam cerca de 50% do volume de negócios — e também compete no segmento de balcão com outras instituições. A B3 diz estar focada em inovação, modernização de plataformas e parcerias com clientes, oferecendo uma infraestrutura segura e resiliente.

Para Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Way Investimentos e professor da ESPM e Ibmec-RJ, a ampliação da concorrência pode trazer benefícios teóricos ao setor e abrir espaço para novos produtos financeiros. Mas ele identifica o verdadeiro desafio: atrair investidores quando a B3 já está profundamente enraizada no mercado. A solução, segundo ele, passa por fazer coisas diferentes — talvez focar em empresas menores e médias, facilitando o acesso ao mercado de capitais, um segmento pouco explorado no Brasil.

O Rio já viveu isso antes. A antiga BVRJ, Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, foi protagonista no país até ficar inativa no início dos anos 2000, quando as operações se esvaziaram e a concentração financeira migrou para São Paulo. Sua incorporação à B3 marcou simbolicamente a saída de empresas e profissionais do setor financeiro da capital fluminense. Ter múltiplas bolsas não é novidade global: nos Estados Unidos, a NYSE e a Nasdaq coexistem, cada uma com seu perfil; na China, Xangai e Shenzhen operam com diferenças de porte e setores. A Base aposta que o Rio pode voltar a ser um polo financeiro relevante, mas primeiro precisa que os reguladores digam sim.

A Flowa é o motor de tudo. Nossos futuros clientes na Base são atuais clientes na Flowa.
— Francisco Gurgel, CEO da Base Exchange
A nova Bolsa vai ter de fazer coisas diferentes para atrair um público novo, como facilitar a entrada de empresas menores e médias no mercado.
— Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Way Investimentos
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