Aziz encerra sessão e convoca Barros após bate-boca sobre vacinas

O jogo não estava bom, ele é o dono da bola, põe embaixo do braço e vai
Barros reagiu ao encerramento da sessão, acusando a CPI de desistir quando seus argumentos não foram aceitos.
Mark

Por que a comissão decidiu transformar o convite em convocação naquele momento específico?

Mimi

Porque Barros cruzou uma linha. Ele não apenas contestou a comissão — isso era esperado — mas acusou a CPI de afastar fabricantes de vacinas do Brasil. Era uma acusação que invertia completamente a narrativa. Os senadores entenderam que ele estava tentando colocar a culpa da falta de vacinas nas costas deles.

Mark

E a deferência inicial ao presidente da Câmara? Por que isso importava?

Mimi

Porque mostrava que a CPI estava tentando ser respeitosa com as instituições. Mas Barros usou isso contra eles. Veio como convidado, com menos obrigações legais, e aproveitou para fazer acusações que sabia que provocariam reação.

Mark

Barros realmente acredita que a CPI está prejudicando as negociações de vacinas?

Mimi

Ele diz que acredita. Mas é difícil saber se é convicção ou estratégia. O que importa é que a empresa chinesa desmentiu a afirmação dele dois minutos depois. Isso sugere que ele estava usando um argumento que sabia ser frágil.

Mark

O que muda quando ele volta como convocado?

Mimi

Tudo. Agora ele está obrigado a comparecer. Está obrigado a falar a verdade. E se mentir, comete crime. Barros diz que não vai mudar de atitude, mas a situação legal é completamente diferente.

Mark

Por que a CPI quer consultar o Supremo?

Mimi

Porque não sabem exatamente que ferramentas têm para lidar com um deputado federal que vem mentir. Querem saber se podem processá-lo, se podem pedir prisão, o que é possível fazer. É uma questão de poder institucional.

  • Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, afirmou que a CPI afasta fabricantes de vacinas do Brasil
  • Omar Aziz encerrou a sessão antecipadamente após duas suspensões anteriores
  • A convocação anterior de Barros havia sido convertida em convite por deferência ao presidente da Câmara, Arthur Lira
  • Barros será convocado formalmente, obrigado a comparecer e falar a verdade sob pena de falso testemunho
  • A CPI consultará o Supremo Tribunal Federal sobre medidas a tomar caso Barros insista em mentiras

Ricardo Barros irritou senadores ao alegar que a CPI está prejudicando a aquisição de vacinas, levando ao encerramento antecipado da sessão. A convocação anterior de Barros havia sido convertida em convite por deferência ao presidente da Câmara, mas agora será formalizada como convocação obrigatória.

O presidente da CPI da Covid encerrou antecipadamente a sessão após bate-boca com o líder do governo Ricardo Barros, que afirmou que a comissão afasta fabricantes de vacinas do Brasil. Barros será convocado para novo depoimento.

A sessão da CPI da Covid terminou mais cedo na quinta-feira, 12 de agosto, depois que o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, provocou uma reação furiosa dos senadores ao sugerir que a própria comissão estava afastando fabricantes de vacinas do Brasil. Omar Aziz, presidente da CPI, encerrou os trabalhos após duas suspensões anteriores, transformando o depoimento de Barros — que havia começado como convidado — em uma convocação formal e obrigatória.

Barros havia sido originalmente convocado pela comissão antes do recesso legislativo de meio de ano, mas a convocação foi convertida em convite a pedido de Arthur Lira, presidente da Câmara. Aziz explicou que a mudança foi uma "deferência" ao presidente da Câmara, tratando Barros como testemunha e não como investigado. Mas a atitude do deputado durante o depoimento levou a comissão a reverter essa decisão. "Quando fizemos essa troca foi uma questão de deferência a um deputado federal. Agora, ele será convocado para esclarecer", declarou Aziz, acrescentando que a narrativa de Barros — culpando a CPI pelos problemas na aquisição de vacinas — era "uma narrativa de alguém que realmente não tem compromisso com a vida".

O momento crítico veio quando Barros afirmou que empresas fabricantes de vacinas estavam evitando vender para o Brasil por medo de serem envolvidas nas investigações da comissão. "O mundo inteiro quer comprar vacina, e espero que esta CPI traga bons resultados ao Brasil. Porque o negativo já produziu muito: afastou empresas interessadas em vender vacina ao Brasil", disse o deputado. A reação foi imediata. Senadores contestaram a afirmação. A senadora Simone Tebet chamou de mentira. Humberto Costa, do PT, exclamou que a comissão havia impedido roubo e ganhos indevidos com vacinas. Aziz defendeu a comissão, dizendo que o governo queria "tirar proveito" das negociações de vacinas. Alertado por Aziz de que "na minha terra, o tucunaré morre pela boca", Barros continuou sua argumentação, levando o presidente a encerrar a sessão.

Após o encerramento, Barros manteve sua postura combativa. Afirmou que a CPI tentava construir uma "narrativa" de corrupção no governo e, ao não conseguir, simplesmente encerrou a sessão. "Eu entendi tudo: o jogo não estava bom, ele é o dono da bola, põe a bola embaixo do braço e vai embora", disse. Garantiu que não mudaria de atitude quando retornasse como convocado. "Se vier como convocado, não muda absolutamente nada. Mas não vou permitir que narrativas mentirosas se repitam sem a devida contradita", afirmou, acrescentando: "Se eles não querem ser contestados, que não me chamem para a CPI".

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, anunciou que a comissão consultará o Supremo Tribunal Federal sobre que medidas podem ser tomadas caso um deputado federal minta à comissão. Rodrigues acusou Barros de ter vindo "com media training e com tropa de choque organizada", sugerindo que a má-fé partiu do deputado, não da comissão. A consulta ao Supremo buscará esclarecer "qual medida tomaremos se o deputado voltar aqui e insistir nas mentiras".

Barros entrou no escopo da CPI porque o deputado Luis Miranda afirmou que o presidente Jair Bolsonaro havia citado seu nome ao ouvir denúncias de irregularidades na negociação da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde. Segundo Miranda, em reunião no Palácio do Alvorada em março, Bolsonaro teria dito que "isso era coisa" de Barros e que acionaria a Polícia Federal. O contrato com a Covaxin foi posteriormente cancelado. A CPI continua investigando denúncias de irregularidades em compras de vacinas e na relação do governo com intermediários. Quando Barros retornar como convocado, estará obrigado a comparecer e a falar a verdade, sob risco de cometer crime de falso testemunho.

Quando fizemos essa troca foi uma questão de deferência a um deputado federal. Agora, ele será convocado para esclarecer. E a narrativa dele de tentar colocar nas costas da CPI é uma narrativa de alguém que realmente não tem compromisso com a vida
— Omar Aziz, presidente da CPI
Se vier como convocado, não muda absolutamente nada. Mas não vou permitir que narrativas mentirosas se repitam sem a devida contradita
— Ricardo Barros
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