Quando a Lua encobrir o Sol no dia 12 de agosto, a NASA transformará um eclipse em laboratório voador sobre a Espanha, a Groenlândia e a Islândia. Um avião de alta altitude perseguirá a sombra lunar a 740 quilômetros por hora, enquanto dezenas de balões científicos sondarem a atmosfera terrestre — tudo para decifrar por que a coroa solar arde a quase um milhão de graus e como nossa estrela molda, silenciosamente, a vida que depende dela.
Avião e balões científicos perseguem eclipse solar para estudar coroa do Sol
Cada eclipse é diferente. Podemos ver coisas que não tínhamos visto antes.
Por que a NASA investe tanto em estudar um eclipse? Não sabemos já como o Sol funciona?
Sabemos muito, mas a coroa solar ainda é um mistério. Ela fica invisível o tempo todo, escondida pelo brilho do disco solar. Um eclipse total é o único momento em que podemos vê-la diretamente da Terra.
Certo, mas há satélites no espaço que observam a coroa o tempo todo, não é? Por que não usam só isso?
Usam, sim. Mas a resolução e os comprimentos de onda que conseguem capturar de um avião a 15 quilômetros de altitude, com câmeras especializadas, são diferentes. É uma perspectiva única.
E os balões? O que eles estão tentando descobrir?
Como a atmosfera da Terra reage quando o Sol desaparece de repente. A camada limite — aquela que toca o solo — muda de espessura. Em 2023 e 2024, ela entrou em colapso em dias claros, mas não em dias nublados.
Mas isso foi observado em apenas dois eclipses. É realmente um padrão, ou pode ser coincidência?
Boa pergunta. Por isso estão voltando em 2026. A Islândia em agosto é diferente — dias muito longos, noites curtas. Querem ver se o padrão muda.
E se não mudar? Ou se mudar?
Qualquer resultado ajuda. Se mudar, aprendem que a duração do dia importa. Se não mudar, sabem que o padrão é mais robusto do que pensavam.
Quantos balões estão lançando?
Oitenta na Islândia, começando 18 horas antes do eclipse e indo até oito horas depois.
Isso é muito tempo. Por quê?
Porque querem ver como a atmosfera se comporta antes, durante e depois. O eclipse é só o evento; o que importa é entender o ciclo completo de mudança.
Le Pouls
- A janela científica é estreita: observadores na Terra terão apenas dois minutos e 18 segundos de totalidade, tornando cada segundo de dados um recurso precioso.
- O avião WB-57 voa acima das nuvens e da atmosfera densa, capturando comprimentos de onda infravermelhos que jamais chegam ao solo — uma vantagem que pode revelar estruturas da coroa nunca antes fotografadas.
- Oitenta balões serão lançados na Islândia ao longo de 26 horas, rastreando se o eclipse colapsa a camada limite atmosférica como aconteceu em 2023 e 2024 — ou se as longas noites de verão ártico mudam tudo.
- Equipes de pesquisadores em três continentes coordenam instrumentos, fusos horários e condições climáticas imprevisíveis, tornando a logística tão desafiadora quanto a própria ciência.
Quando a Lua encobrir o Sol no dia 12 de agosto, a NASA transformará um eclipse em laboratório voador sobre a Espanha, a Groenlândia e a Islândia. Um avião de alta altitude perseguirá a sombra lunar a 740 quilômetros por hora, enquanto dezenas de balões científicos sondarem a atmosfera terrestre — tudo para decifrar por que a coroa solar arde a quase um milhão de graus e como nossa estrela molda, silenciosamente, a vida que depende dela.
No dia 12 de agosto, a sombra da Lua cruzará a Espanha, a Groenlândia e a Islândia — e a NASA estará pronta para aproveitá-la ao máximo. A agência mobilizará um avião de pesquisa de alta altitude, dezenas de balões científicos e equipes espalhadas por três continentes, tudo para capturar o que o Sol só revela quando encoberto: sua coroa, a atmosfera etérea que ainda guarda mistérios fundamentais sobre como nossa estrela funciona.
O avião WB-57 voará a mais de 15 quilômetros de altitude, carregando quatro câmeras desenvolvidas pelo Centro Langley da NASA. Ao perseguir a sombra lunar a 740 km/h, o jato estenderá o tempo de observação para quase três minutos — superando os dois minutos e 18 segundos disponíveis na superfície. A altitude também coloca os instrumentos acima de qualquer nuvem e permite capturar comprimentos de onda infravermelhos absorvidos pela atmosfera inferior. O pesquisador Amir Caspi, que já voou com o mesmo equipamento no eclipse de 2024, destaca que a equipe corrigiu os tempos de exposição e adotou novo software para processar imagens com mais rapidez. O que buscam entender: como se formam as proeminências solares, por que a coroa se aquece a quase um milhão de graus e como o vento solar se relaciona com esse material.
No solo — ou melhor, no ar —, balões científicos farão seu próprio trabalho. O projeto liderado por Angela Des Jardins, da Universidade Estadual de Montana, enviará estudantes universitários à Islândia e à Espanha. Na Islândia, duas equipes lançarão 80 balões ao longo de 26 horas, estudando como o eclipse afeta a camada limite atmosférica. Eclipses anteriores mostraram que, em céu limpo, essa camada colapsa durante a totalidade — mas o fenômeno não ocorreu onde havia nuvens. A grande questão de 2026 é se o mesmo padrão se repetirá em agosto, quando os dias árticos são longos e as noites, curtas, alterando as condições que normalmente determinam o comportamento da camada limite. Os dados poderão revelar algo inteiramente novo sobre como a atmosfera terrestre responde ao escurecimento súbito do céu diurno.
No dia 12 de agosto, quando a sombra da Lua atravessar a Espanha, a Groenlândia e a Islândia, a NASA vai mobilizar recursos que raramente se reúnem: um avião de pesquisa voando a mais de 15 quilômetros de altitude, dezenas de balões científicos lançados em sequência, e equipes de pesquisadores espalhadas por três continentes. O objetivo é capturar o que o Sol revela apenas quando a Lua o encobre — sua coroa, aquela atmosfera etérea que brilha por alguns minutos e que ainda guarda mistérios fundamentais sobre como nossa estrela funciona e influencia a vida na Terra.
A agência espacial norte-americana explicou que eclipses totais abrem uma janela única para a ciência. Kelly Korreck, diretora do programa de eclipses na sede da NASA em Washington, resumiu assim: o Sol influencia satélites, astronautas no espaço e nossa vida cotidiana, e esses momentos raros permitem aprofundar a compreensão dessa influência de formas que não são possíveis em nenhum outro lugar do sistema solar.
O avião WB-57, um jato de pesquisa de alta altitude, levará na ponta um conjunto de quatro câmeras desenvolvidas pela equipe SCIFLI (Imagens em Voo Cientificamente Calibradas) do Centro de Pesquisa Langley da NASA em Hampton, Virgínia. Essas câmeras capturarão pelo menos 20 imagens por segundo em vários comprimentos de onda da luz visível e infravermelha, registrando estruturas, fluxos de saída e mudanças rápidas na coroa durante o eclipse. Voando a 740 quilômetros por hora ao longo da trajetória do eclipse, o avião prolongará o tempo de observação para quase três minutos — comparado aos dois minutos e 18 segundos que os observadores na Terra conseguirão ver. Além disso, a altitude de mais de 15 quilômetros coloca o instrumento acima de qualquer nuvem e permite capturar comprimentos de onda infravermelhos que são absorvidos pela atmosfera inferior, algo que raramente é possível.
Amir Caspi, pesquisador principal do Southwest Research Institute em Boulder, Colorado, já voou com esse instrumento durante o eclipse total de abril de 2024. Ele observou que o Sol está em constante mudança, e cada eclipse oferece novas oportunidades de aprendizado. A equipe fez ajustes desde 2024 — corrigirão os tempos de exposição para evitar superexposição dos detalhes brilhantes que apareceram nas imagens anteriores, e usarão software novo para processar dados com maior rapidez. O que esperam aprender é como se formam as proeminências solares, por que a coroa se aquece até quase um milhão de graus, e como o material da coroa e o vento solar se relacionam.
Enquanto o avião persegue a sombra da Lua, balões científicos estarão fazendo seu próprio trabalho na atmosfera terrestre. O Projeto Nacional de Balões Aerostáticos para o Observatório do Eclipse, liderado por Angela Des Jardins da Universidade Estadual de Montana e financiado pela NASA, enviará estudantes de várias universidades americanas à Islândia e à Espanha. Na Islândia, duas equipes lançarão um total de 80 balões — começando 18 horas antes do eclipse e continuando até oito horas depois — para estudar como o eclipse afeta a camada limite da Terra, aquela fina camada de atmosfera em contato direto com o solo.
Os voos de balão durante os eclipses de outubro de 2023 e abril de 2024 revelaram algo intrigante: em locais com céu limpo, a camada limite entrava em colapso ou diminuía sua espessura, mas isso não acontecia onde havia nuvens. Matthew Bernards, professor de engenharia química da Universidade de Idaho que lidera uma das equipes na Islândia, formula a pergunta que move a pesquisa de 2026: será que esse eclipse provocará o colapso da camada limite? A resposta não é óbvia. Em agosto, na Islândia, os dias são longos e as noites curtas, o que significa que a influência noturna — normalmente um fator determinante nas mudanças da camada limite — pode não ser tão forte quanto foi em 2023 ou 2024. Os dados coletados ajudarão os cientistas a entender se o padrão observado nos eclipses anteriores se repete ou se as condições únicas de 2026 revelam algo novo sobre como a atmosfera terrestre responde ao escurecimento súbito do céu diurno.
Citations marquantes
O Sol influencia nossa vida cotidiana, os satélites e os astronautas no espaço, e podemos aproveitar esse momento para aprofundar nossa compreensão dessa influência— Kelly Korreck, diretora do programa de eclipses da NASA
O Sol está em constante mudança, cada eclipse é diferente. Portanto, podemos ver coisas que não tínhamos visto antes— Amir Caspi, pesquisador principal do Southwest Research Institute