Autarcas transmontanos exigem abertura de mais pontos de passagem na fronteira

Trabalhadores transfronteiriços enfrentam deslocações excessivas e dificuldades económicas devido ao encerramento de passagens fronteiriças.
As portas fecharam, e com elas fechou também o acesso ao trabalho
A pandemia deixou apenas três passagens fronteiriças funcionando em Bragança, prejudicando milhares de trabalhadores transfronteiriços.
Mark

Porque é que Vinhais está tão isolado comparado com outros concelhos?

Mimi

A geografia trabalha contra Vinhais. As duas passagens abertas mais próximas ficam a distâncias que transformam cada dia de trabalho numa maratona de deslocações. Não é apenas inconveniente — é economicamente insustentável.

Mark

Três passagens para toda uma região fronteiriça parece muito pouco.

Mimi

É. E duas delas funcionam com horários que parecem pensados para desencorajar o uso. Quatro horas por dia em Miranda do Douro, duas horas em dois dias da semana em Rio de Onor. Para quem trabalha do outro lado, é quase impossível.

Mark

Porque é que o Governo mantém estas restrições tão severas?

Mimi

A pandemia foi o pretexto, mas a verdade é que ninguém parece estar a negociar seriamente com Espanha para reabrir mais pontos. A CIM está a pedir revisão das medidas, mas o Governo não respondeu.

Mark

Um minuto de silêncio é suficiente para mudar alguma coisa?

Mimi

Provavelmente não. Mas é o que resta quando os canais normais de comunicação não funcionam. É um grito de frustração que o Governo não pode ignorar — especialmente quando envolve autoridades espanholas.

Mark

Qual é o impacto real nas pessoas?

Mimi

Trabalhadores que dependem de salários do lado espanhol veem-se forçados a escolher entre deslocações de duas horas ou perder o emprego. Pequenos negócios que funcionavam com clientes dos dois lados simplesmente fecharam. É uma hemorragia económica silenciosa.

  • Três passagens fronteiriças no distrito de Bragança funcionam com restrições severas, enquanto Mogadouro, Vinhais e Vimioso estão completamente fechados à circulação.
  • Trabalhadores transfronteiriços são forçados a percorrer dezenas de quilómetros extra por dia, suportando custos de combustível e tempo que ameaçam a sua subsistência.
  • Vinhais é o concelho mais castigado: as passagens abertas mais próximas ficam em Chaves e Bragança, tornando cada deslocação ao trabalho uma expedição.
  • A CIM das Terras de Trás-os-Montes exige que o Governo garanta pelo menos uma passagem autorizada por concelho transfronteiriço, como medida mínima de dignidade económica.
  • Na próxima segunda-feira, presidentes de juntas e alcaides espanhóis reúnem-se em Moimenta da Raia num protesto simbólico — um minuto de silêncio que fala mais alto do que qualquer comunicado oficial.

Nas margens de uma fronteira que a pandemia transformou em barreira, os autarcas do nordeste transmontano erguem a voz contra um isolamento que não é apenas geográfico, mas económico e humano. A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes exige ao Governo português que reabra os pontos de passagem com Espanha, encerrados por restrições sanitárias que deixaram trabalhadores transfronteiriços reféns de desvios absurdos. Quando a linha que separa dois países se torna intransponível, o que se perde não é apenas tempo — é a continuidade de uma vida construída dos dois lados.

A pandemia fechou muito mais do que escolas e restaurantes no nordeste de Portugal. Nas Terras de Trás-os-Montes, fechou as passagens fronteiriças que ligam comunidades inteiras a Espanha — e com elas, o acesso ao trabalho e à economia que sustenta milhares de famílias de ambos os lados.

A Comunidade Intermunicipal da região está em revolta aberta. Os autarcas exigem ao Governo que reabra mais pontos de passagem no distrito de Bragança, onde apenas três funcionam e em condições muito limitadas: Quintanilha opera vinte e quatro horas, Miranda do Douro abre apenas quatro horas por dia, e Rio de Onor restringe-se a quartas-feiras e sábados. Em Mogadouro, Vinhais e Vimioso, as fronteiras estão simplesmente fechadas.

Vinhais é o caso mais grave. O presidente da câmara, Luís Fernandes, sublinha que os trabalhadores do concelho são obrigados a desvios enormes até Vila Verde da Raia ou Quintanilha, gastando em deslocações o tempo e o dinheiro que deveriam investir no trabalho. A CIM pede uma solução simples mas urgente: pelo menos uma passagem aberta por cada concelho fronteiriço.

A resposta local não se fica pela diplomacia. Na segunda-feira, a aldeia de Moimenta da Raia acolhe uma concentração de presidentes de juntas e alcaides espanhóis, que farão um minuto de silêncio conjunto. O gesto é simbólico, mas o recado é direto: a pandemia não justifica o abandono de quem construiu a sua vida na fronteira.

Nas colinas do nordeste transmontano, a pandemia fechou as portas. Não as das casas, mas as que ligam Portugal a Espanha — e com elas, fechou também o acesso ao trabalho, aos mercados, à vida que milhares de pessoas construíram nos dois lados de uma linha que, de repente, se tornou intransponível.

A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes está em revolta. Os autarcas da região exigem ao Governo que reabra mais pontos de passagem na fronteira com Espanha, particularmente nos concelhos do distrito de Bragança onde as restrições pandémicas deixaram apenas três passagens funcionando — e mesmo essas, de forma severamente limitada. Em Mogadouro, Vinhais e Vimioso, as fronteiras estão completamente fechadas. É uma situação que os líderes locais descrevem como insustentável.

O quadro das passagens abertas revela a precariedade da situação. Quintanilha, em Bragança, é a única que funciona ininterruptamente, vinte e quatro horas por dia. Miranda do Douro abre apenas quatro horas diárias — das oito às dez da manhã e das seis às oito da noite. Rio de Onor, ainda mais restritiva, funciona apenas às quartas-feiras e sábados, durante duas horas. Para uma região onde o trabalho transfronteiriço é parte da economia local, estas limitações são devastadoras.

Vinhais sofre particularmente. O presidente da câmara, Luís Fernandes, descreve o seu concelho como o mais prejudicado pela geografia das restrições. As passagens abertas mais próximas — Vila Verde da Raia, em Chaves, e Quintanilha, em Bragança — ficam a distâncias que obrigam os trabalhadores a deslocações excessivas, consumindo tempo, combustível e energia que poderiam ser investidos no trabalho propriamente dito. A CIM quer que o Governo revise estas medidas e garanta a cada concelho transfronteiriço pelo menos uma passagem autorizada.

A resposta de Vinhais é um ato de protesto. Na próxima segunda-feira, a aldeia de Moimenta da Raia vai acolher uma concentração onde presidentes de juntas de freguesia do concelho se juntarão a alcaides espanhóis. Farão um minuto de silêncio — um gesto simbólico, mas claro — para chamar a atenção para uma crise que não aparece nos números de contágios mas que corrói a vida de quem trabalha na fronteira. É um aviso ao Governo: a pandemia não é o único problema que estas comunidades enfrentam.

Vinhais é neste momento o mais prejudicado devido à distância das fronteiras que estão abertas
— Luís Fernandes, presidente da câmara de Vinhais
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