Ausente, Lula vira alvo principal em debate de presidenciáveis de 2026

Quem falta a debate deve ter muito a esconder
Ronaldo Caiado criticou a ausência de Lula e Flávio após o primeiro confronto presidencial de 2026.
Mark

Por que Lula e Flávio não compareceram? Havia alguma razão oficial?

Mimi

A fonte não deixa claro. Cury mencionou que Lula teria uma entrevista em outro canal no mesmo horário, mas não há confirmação de que essa foi a razão de ambos não irem. O silêncio deles é parte do que torna o debate tão revelador.

Mark

E isso beneficiou quem?

Mimi

Renan Santos, claramente. Ele tinha espaço para fazer acusações diretas sem precisar enfrentar respostas. Caiado ganhou palco, mas sua mensagem foi mais sobre crítica à polarização. Cury usou para se apresentar como construtor de consensos.

Mark

Caiado parecia estar tentando se posicionar como uma terceira via?

Mimi

Exatamente. Ele falava de eleitores que se sentem perdidos entre Lula e Flávio, e oferecia seus apoios estaduais como prova de que havia uma alternativa viável. Era uma estratégia clara de captura do voto "cansado".

Mark

E a questão das mulheres no debate?

Mimi

Reveladora. Três homens faltaram e ninguém reclamou muito. Mas as mulheres candidatas foram excluídas do convite. Clariana Barão apontou a contradição: as mulheres são maioria do eleitorado, mas não estavam na mesa.

Mark

Isso muda algo para os próximos debates?

Mimi

Provavelmente. A pressão por inclusão de gênero é clara agora. E se Lula e Flávio continuarem ausentes, o padrão fica insustentável. Se comparecerem, o debate muda completamente de dinâmica.

  • Debate presidencial de 2026 realizado em 23 de agosto, promovido por Band e Estadão
  • Lula e Flávio Bolsonaro não compareceram; eleição marcada para 4 de outubro de 2026
  • Caiado, Cury e Renan Santos foram os três candidatos presentes no palco
  • Clariana Barão e manifestantes protestaram contra exclusão de mulheres candidatas

Lula e Flávio Bolsonaro não compareceram ao debate, transformando-se nos principais alvos de críticas dos candidatos presentes sobre polarização e escândalos. Caiado criticou a polarização fomentada pelos dois principais candidatos; Renan Santos acusou ambos de envolvimento com escândalos; Cury pediu desculpas pela indefinição inicial.

No primeiro debate presidencial de 2026 promovido por Band e Estadão, Lula e Flávio Bolsonaro não compareceram, deixando Caiado, Cury e Renan Santos como protagonistas. Ausentes, os dois principais candidatos se tornaram principais alvos de ataques.

O primeiro debate presidencial da campanha de 2026 aconteceu no domingo, 23 de agosto, promovido pela Band e pelo Estadão em parceria com TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan. A eleição está marcada para 4 de outubro. Mas os dois nomes que dominam as pesquisas e definem o tom da disputa não estavam lá.

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os principais candidatos à Presidência, não compareceram. Também ausente foi o governador mineiro Romeu Zema, que flutua em torno de 3% nas intenções de voto. Isso deixou o palco para três candidatos que até então ocupavam posições secundárias na corrida: Ronaldo Caiado, do PSD; Augusto Cury, do Avante; e Renan Santos, do Missão. O resultado foi um debate que, paradoxalmente, transformou os ausentes nos principais alvos de ataque.

Caiado usou boa parte de seu tempo para criticar a polarização que, segundo ele, é alimentada por Lula e Flávio. Em conversa com jornalistas após o confronto, o ex-governador de Goiás disse ter ouvido de eleitores que sentem estar "jogando o voto no lixo" ao ter de escolher entre o petista e o filho mais velho de Jair Bolsonaro. Caiado citou apoios que recebe de governadores em diversos estados — João Rodrigues em Santa Catarina, Sandro Alex no Paraná, Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Tarcísio de Freitas em São Paulo — e afirmou estar confiante no primeiro turno. Sua mensagem final foi direta: "Quem falta a debate deve ter muito a esconder." Ele também mencionou escândalos de corrupção envolvendo os núcleos das duas campanhas principais.

Renan Santos, do Missão, foi ainda mais agressivo. Chamou Lula de ladrão e disse que tanto o presidente quanto Flávio, se eleitos, trabalhariam para abafar o escândalo do banco Master. "Como ambos estão na mão do Vorcaro, eles vão querer salvar o Vorcaro", afirmou, aplicando o que chamou de "lógica dedutiva na realidade política". Renan também declarou não querer votos de eleitores de Lula, com exceção daqueles que dependem do Bolsa Família e são pobres. Ele encerrou dizendo que brilharia "ainda mais" nos próximos debates se Lula e Flávio comparecessem.

Augusto Cury, por sua vez, começou o debate com um pedido de desculpas. Havia inicialmente desistido de participar, indignado com as ausências de Lula e Flávio e mencionando que o presidente teria uma entrevista em outro canal no mesmo horário. Minutos depois, voltou atrás. "Eu pensei, refleti, pensei em vocês, pensei no Brasil, até peço desculpas, porque um líder que não reconhece seus erros não é digno de comandar uma empresa ou país", disse. Cury aproveitou o espaço para anunciar que pretende convidar uma série de políticos para formar um eventual ministério, citando Caiado, os governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, os ministros Renan Filho e José Múcio, além dos ex-ministros Aldo Rebelo e José Eduardo Cardozo. "Quero fazer um pacto nacional", declarou.

A colunista Roseann Kennedy observou que o debate, sem Lula e Flávio, "virou um ensaio de frases de efeito perfeitamente calculadas" e que Renan Santos foi o principal beneficiado pela ausência dos dois principais candidatos, usando o espaço de televisão para ganhar visibilidade nacional. Gilberto Kassab, candidato a vice na chapa do PSD com Caiado, defendeu seu companheiro de chapa, dizendo que as críticas foram direcionadas conforme os assuntos abordados.

Mas o debate também evidenciou outra ausência significativa: a das mulheres. Clariana Barão, candidata pelo Democracia Cristã, reclamou que três homens "esnobaram" o convite enquanto as mulheres foram excluídas. "A realidade brasileira mudou: as mulheres são a maioria da população e do eleitorado, não é mais possível debater o futuro do País sem ouvir as mulheres", disse. Manifestantes também se reuniram às portas dos estúdios da Band para protestar contra a exclusão da candidata Samara Martins, da UP. O próximo confronto entre presidenciáveis pode trazer mudanças tanto na participação dos principais candidatos quanto na representação de gênero.

Eu pensei, refleti, pensei em vocês, pensei no Brasil, até peço desculpas, porque um líder que não reconhece seus erros não é digno de comandar uma empresa ou país
— Augusto Cury, candidato do Avante
A realidade brasileira mudou: as mulheres são a maioria da população e do eleitorado, não é mais possível debater o futuro do País sem ouvir as mulheres
— Clariana Barão, candidata pelo Democracia Cristã
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