Brent Jindra, apoiador de Trump, viu sua esposa Galina Bobreneva ser detida no aeroporto de Burbank em julho, permanecendo 16 dias sob custódia do ICE. Bobreneva entrou legalmente nos EUA com visto de turista, pediu asilo após invasão da Ucrânia e tinha processo de residência por casamento em análise quando foi presa.
Eleitor de Trump critica política migratória após detenção da esposa pelo ICE
Nunca houve mandato para perseguir pessoas que entraram legalmente
Como um apoiador de Trump acaba criticando a política migratória dele?
Quando a política se torna pessoal. Jindra votou nele três vezes. Acreditava na retórica sobre criminosos e entradas ilegais. Mas sua mulher entrou legalmente, pediu asilo legalmente, casou-se legalmente, apresentou o pedido de residência legalmente. E mesmo assim foi detida.
Mas ela não tinha documentação completa, certo?
Tinha documentação em processamento. O casal recebeu confirmação de que o pedido foi aceito. Ela entregou as impressões digitais. O governo depois disse que isso não confere status legal. É uma questão de interpretação — ou de intenção.
E as condições de detenção que ela descreveu?
Privação de sono, luzes permanentemente acesas, água escassa. Ela disse que se sentiu como um pedaço de carne. O GEO Group não comentou. O Departamento de Segurança Interna negou tudo. Mas ela passou 16 dias lá.
Quanto custou tirar ela de lá?
35 mil dólares. E ela saiu com uma tornozeleira eletrônica, limitada a 75 milhas de distância. Agora aguarda uma audiência em outubro. O processo pode levar meses.
O que Jindra diz sobre tudo isso?
Que nunca houve mandato para perseguir pessoas que entraram legalmente. Que a campanha era sobre criminosos. Mas a política não faz distinção — ou faz, mas de forma que não protege quem deveria estar protegido.
E agora?
Agora ele vê sua mulher vivendo dentro de um perímetro de 75 milhas, com uma tornozeleira, esperando outubro. E questiona tudo em que votou.
O Pulso
- Brent Jindra votou em Trump três vezes; sua esposa Galina Bobreneva foi detida pelo ICE em 13 de julho no aeroporto de Burbank
- Bobreneva entrou legalmente com visto de turista em 2021, pediu asilo em 2022, e tinha pedido de residência por casamento em análise quando foi presa
- Permaneceu 16 dias detida; saiu após pagamento de 35 mil dólares com tornozeleira eletrônica e restrição de 75 milhas
- Primeira audiência judicial marcada para 22 de outubro; processo pode levar meses
Brent Jindra, apoiador de Trump, viu sua esposa Galina Bobreneva ser detida no aeroporto de Burbank em julho, permanecendo 16 dias sob custódia do ICE. Bobreneva entrou legalmente nos EUA com visto de turista, pediu asilo após invasão da Ucrânia e tinha processo de residência por casamento em análise quando foi presa.
Vendedor que votou três vezes em Trump passa a criticar a política migratória republicana após o ICE deter sua esposa russa por 16 dias, apesar de ela ter pedido de green card em análise e nenhum antecedente criminal.
Brent Jindra é vendedor de tecnologia. Tem 48 anos. Votou em Donald Trump três vezes. Em julho, sua mulher, Galina Bobreneva, foi detida no aeroporto de Burbank, na Califórnia, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega — o ICE. Ela permaneceu presa por 16 dias. Desde então, Jindra critica a política migratória do presidente que apoiou nas urnas.
Bobreneva é russa. Entrou nos Estados Unidos legalmente, com visto de turista, no final de 2021. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, ela conseguiu duas prorrogações de permanência. Em 2022, pediu asilo. Conheceu Jindra em março de 2025, casaram-se em dezembro, e ele apresentou o pedido de residência por casamento em abril. O casal recebeu confirmação de que o processo havia sido aceito. Ela entregou as impressões digitais exigidas. Nenhum antecedente criminal. Nenhuma violação de lei.
No dia 13 de julho, agentes à paisana abordaram Bobreneva quando ela e Jindra desembarcavam do voo. Após cerca de 15 minutos de interrogatório, um agente a algemou e a colocou em um veículo sem identificação. Jindra tentou acionar o advogado de imigração do casal. Os agentes se recusaram a falar com ele. Ela passou uma noite no chão de uma cela no centro de Los Angeles. Depois foi acorrentada pelos tornozelos, cintura e punhos e levada ao centro de detenção de Adelanto, no deserto de Mojave.
Bobreneva descreveu as condições: privação constante de sono, luzes permanentemente acesas, escassez de água potável, apenas quatro chuveiros em funcionamento para cerca de 120 mulheres. "Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano", disse. O GEO Group, empresa que administra a unidade, não comentou. O Departamento de Segurança Interna negou as acusações e afirmou que os detentos recebem alimentação, água, atendimento médico e meios de contato com familiares e advogados. O órgão também classificou Bobreneva como "uma estrangeira ilegal" e declarou que autorização de trabalho ou pedido migratório pendente não conferem status legal.
Uma audiência de fiança ocorreu em 28 de julho. Bobreneva deixou a unidade no dia seguinte após o pagamento de 35 mil dólares — aproximadamente 182 mil reais. Saiu com uma tornozeleira eletrônica e ordem para comparecer ao ICE em San Francisco em 5 de agosto. Após mais de duas horas no prédio da imigração, recebeu instruções para retornar em 7 de setembro. Sua primeira audiência judicial está marcada para 22 de outubro. O processo pode levar meses. Enquanto aguarda, ela permanece limitada a um perímetro de 75 milhas por causa da tornozeleira.
Jindra agora questiona a agenda que apoiou nas urnas. "O apelo da campanha MAGA girava em torno de entradas ilegais de criminosos", afirmou. "Nunca houve um mandato para este presidente calibrar a mira e começar a perseguir pessoas que entraram legalmente." O governo Trump tenta elevar as prisões migratórias diárias para cerca de 2 mil. Ao visitar uma praia com a mulher, Jindra observou que ela aproveitava a liberdade "em todo o raio de 75 milhas dela" — uma frase que carrega o peso de uma restrição que nenhum dos dois esperava suportar.
Citações Notáveis
Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano— Galina Bobreneva, descrevendo as condições de detenção
O apelo da campanha MAGA girava em torno de entradas ilegais de criminosos. Nunca houve um mandato para este presidente calibrar a mira e começar a perseguir pessoas que entraram legalmente— Brent Jindra, criticando a política migratória