Em eleições presidenciais marcadas por uma margem de menos de dois pontos percentuais entre os dois primeiros colocados, o psiquiatra Augusto Cury — terceiro colocado com 3,4 milhões de votos — anunciou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno, mas não sem antes negociar publicamente compromissos concretos. O gesto revela algo mais amplo do que uma aliança eleitoral: é o sinal de uma política em que candidatos menores recusam a submissão e exigem que seu peso seja reconhecido em forma de garantias escritas. No espaço entre a lealdade e a independência, Cury encontrou uma terceira via — a
Augusto Cury anuncia apoio a Flávio Bolsonaro com compromissos públicos
Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão!
Por que Cury insistiu em um compromisso público escrito em vez de apenas apoiar Bolsonaro?
Porque ele sabia que tinha poder de barganha. Com 3,4 milhões de votos em uma eleição decidida por menos de dois pontos, ele podia condicionar o apoio a garantias reais.
Mas quanto desse compromisso Bolsonaro realmente vai cumprir depois? Um documento assinado antes da eleição não é lei.
Verdade. Mas Cury deixou claro que vai cobrar — ele disse que discordará publicamente se Bolsonaro não honrar os compromissos.
E quanto aos eleitores de Cury? Todos vão seguir para Bolsonaro, ou alguns podem ir para Lula?
Não sabemos ao certo. Cury apoiou Bolsonaro, mas nem todos os seus eleitores são obrigados a seguir. Alguns podem rejeitar a escolha.
Exatamente. O apoio de um candidato não transfere automaticamente seus votos. É uma suposição que precisa ser testada nas urnas.
Qual era a posição de Cury sobre Lula antes disso?
A fonte não detalha isso. Sabemos que Cury apoiou Bolsonaro, mas não temos informação sobre por que rejeitou Lula ou se considerou apoiá-lo.
Isso é um vazio importante. Sem saber a lógica por trás da rejeição a Lula, fica difícil entender completamente a decisão de Cury.
E o fim da reeleição presidencial — por que isso era tão importante para Cury?
Ele colocou em primeiro lugar no compromisso, o que sugere que era uma prioridade central. Mas a fonte não explica sua motivação pessoal ou ideológica por trás disso.
Le Pouls
- Com apenas 1,87 ponto percentual separando Flávio Bolsonaro de Lula no primeiro turno, cada bloco de eleitores se torna decisivo — e os 3,4 milhões de votos de Cury entram em cena como moeda de negociação real.
- Cury recusou o papel de coadjuvante: exigiu uma conversa direta, sem intermediários, e apresentou oito prioridades por escrito antes de declarar qualquer apoio.
- O compromisso assinado por Bolsonaro abrange desde expansão da telemedicina e proteção tecnológica às mulheres até financiamento de microempresas e duplicação da produção sustentável de alimentos em dez anos.
- Cury deixou explícito que não integrará um eventual governo e que manterá sua independência crítica — transformando o apoio em um instrumento de pressão contínua, não em rendição.
- A manobra reposiciona Cury como ator político relevante mesmo fora da disputa, e impõe a Bolsonaro compromissos públicos que poderão ser cobrados caso ele vença o segundo turno.
Em eleições presidenciais marcadas por uma margem de menos de dois pontos percentuais entre os dois primeiros colocados, o psiquiatra Augusto Cury — terceiro colocado com 3,4 milhões de votos — anunciou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno, mas não sem antes negociar publicamente compromissos concretos. O gesto revela algo mais amplo do que uma aliança eleitoral: é o sinal de uma política em que candidatos menores recusam a submissão e exigem que seu peso seja reconhecido em forma de garantias escritas. No espaço entre a lealdade e a independência, Cury encontrou uma terceira via — a do apoio com condições.
Augusto Cury terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 3,4 milhões de votos e 2,89% dos válidos. Na quinta-feira, anunciou que esses votos iriam para Flávio Bolsonaro — mas não sem antes impor condições claras e negociadas publicamente.
O psiquiatra descreveu um encontro direto com o candidato do PL, sem intermediários. "Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios", afirmou. Deixou claro desde o início que não participaria de um eventual governo e que sua independência de pensamento não estava à venda. Bolsonaro demonstrou abertura para ouvir — e Cury aproveitou para apresentar suas exigências por escrito.
O compromisso público assinado por Bolsonaro incluía expansão da telemedicina, proteção tecnológica às mulheres contra a violência, valorização salarial dos professores, financiamento de até dez milhões de microempresas, fortalecimento do cooperativismo e duplicação da produção sustentável de alimentos em dez anos. A lista começava pelo fim da reeleição presidencial.
O contexto tornava o apoio potencialmente decisivo. Bolsonaro liderava o primeiro turno com 47,03% contra 45,16% de Lula — margem inferior a dois pontos percentuais. Os eleitores de Cury representavam um bloco capaz de inclinar a balança em uma disputa tão apertada.
Mais do que uma transferência de votos, a movimentação de Cury sinalizava uma postura política distinta: apoiar sem se submeter, negociar publicamente e manter o direito de discordar. "Meu apoio não é um cheque em branco", disse. Era uma forma de exercer influência sem abrir mão da própria voz — e de transformar o apoio em um compromisso que poderia ser cobrado depois.
Augusto Cury saiu da disputa presidencial em terceiro lugar, com 3,4 milhões de votos — 2,89% do total válido no primeiro turno — e nesta quinta-feira anunciou que aqueles votos agora iriam para Flávio Bolsonaro. Mas o psiquiatra não entregou seu apoio sem condições. Ele exigiu que o candidato do PL assinasse um compromisso público com oito prioridades específicas, começando pelo fim da reeleição presidencial.
Cury descreveu um encontro direto com Bolsonaro, sem intermediários. "Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios", disse. Deixou claro desde o início que não participaria de um eventual governo e que sua independência de pensamento não seria negociável. O candidato do PL respondeu com disposição de ouvir e incorporar propostas — e Cury aproveitou a abertura para apresentar suas exigências por escrito.
O psiquiatra foi direto ao ponto: "Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo." A postura refletia uma negociação política clara, onde Cury buscava garantir que seu apoio tivesse peso real nas prioridades de um possível governo Bolsonaro.
O compromisso público que Flávio assinou incluía transformação da saúde com expansão de telemedicina, proteção integral às mulheres com uso de tecnologia contra violência, e transformação da educação com valorização e melhores salários para professores. Havia também metas econômicas: financiamento de até dez milhões de microempresas para estimular empreendedorismo, fortalecimento do cooperativismo e defesa do ato cooperativo, e duplicação da produção sustentável de alimentos em dez anos.
O contexto eleitoral tornava o apoio de Cury potencialmente significativo. Flávio Bolsonaro liderava o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscava reeleição, ficava com 45,16%. A margem era estreita — menos de dois pontos percentuais — e a disputa seguia para o segundo turno. Os 3,4 milhões de eleitores que votaram em Cury representavam um bloco que poderia fazer diferença em uma eleição tão apertada.
A estratégia de Cury sinalizava uma abordagem diferente da política tradicional. Ele não apenas apoiava; negociava publicamente, deixando claro que seu apoio tinha preço e que ele continuaria independente mesmo após a declaração. Isso criava uma situação onde Bolsonaro não apenas ganhava votos, mas também assumia compromissos específicos que poderiam ser cobrados depois. Para Cury, era uma forma de manter influência sem se submeter — uma posição que refletia a fragmentação política do momento e a crescente exigência de candidatos menores por garantias concretas antes de entregar seu apoio.
Citations marquantes
Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios. Disse-lhe claramente que não participaria de seu governo e que minha independência de pensamento seria inegociável.— Augusto Cury
Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo.— Augusto Cury