Com 2,89% dos votos e mais de três milhões de brasileiros que depositaram nele sua confiança, Augusto Cury encerrou sua candidatura presidencial de 2026 e, como tantos antes dele na história política do país, converteu sua derrota em moeda de negociação. Ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, após conversa por videochamada, Cury inscreve seu nome no ritual recorrente das coalizões brasileiras — onde o fim de uma campanha raramente significa o fim da política.
Augusto Cury anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno
Três milhões de votos em um segundo turno apertado
Por que Cury, sendo terceiro colocado, tinha tanto peso para negociar?
Porque três milhões de votos em um segundo turno apertado podem ser decisivos. Flávio tinha margem pequena sobre Lula — menos de dois pontos. Cury podia oferecer um bloco de eleitores.
Mas sabemos realmente para onde esses votos iriam? Cury recomendou Bolsonaro, mas seus eleitores não são obrigados a seguir.
Verdade. Historicamente, nem sempre os eleitores de um candidato derrotado seguem a recomendação dele.
E o que Cury ganhou em troca?
A reportagem menciona negociações por videochamada, mas não detalha o que foi acordado. Provavelmente cargos ou influência política futura.
Exatamente — a gente sabe que houve negociação, mas não sabe o conteúdo dela. É um acordo fechado.
Isso muda a percepção do apoio?
Muda. Não é apenas convicção política — é transação. Cury estava na posição de vender seu apoio ao melhor ofertante.
E Lula não tentou comprar? Ou Cury preferiu Bolsonaro desde o início?
A reportagem não diz. Só sabemos que Cury escolheu Bolsonaro e negociou com ele.
Então o segundo turno começava com essa incerteza: quantos dos três milhões de Cury iriam realmente para Bolsonaro?
Exatamente. Era um apoio anunciado, mas sua efetividade real dependeria do comportamento dos eleitores.
Il Polso
- Com apenas dois pontos percentuais separando Flávio Bolsonaro de Lula, cada fração de eleitorado se torna disputada com intensidade crescente.
- A adesão de Cury a Bolsonaro sinaliza uma unificação do campo da direita, pressionando Lula a recuperar terreno antes do segundo turno.
- A negociação por videochamada no próprio dia do anúncio revela que o apoio não foi gratuito — compromissos políticos foram colocados sobre a mesa.
- Os três milhões de eleitores de Cury agora enfrentam uma escolha que seu candidato já fez por eles, mas que cada um precisará confirmar nas urnas.
Com 2,89% dos votos e mais de três milhões de brasileiros que depositaram nele sua confiança, Augusto Cury encerrou sua candidatura presidencial de 2026 e, como tantos antes dele na história política do país, converteu sua derrota em moeda de negociação. Ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, após conversa por videochamada, Cury inscreve seu nome no ritual recorrente das coalizões brasileiras — onde o fim de uma campanha raramente significa o fim da política.
Augusto Cury terminou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 em terceiro lugar, com 2,89% dos votos válidos — mais de três milhões de brasileiros. Sem passagem ao segundo turno, o escritor e ex-candidato pelo Avante precisava decidir o que fazer com seu capital político.
A resposta veio na quinta-feira, 8 de outubro: Cury anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Lula (PT). A decisão não foi espontânea — os dois conversaram por videochamada no mesmo dia, ocasião em que compromissos políticos foram negociados. É um roteiro familiar na política brasileira: candidatos eliminados trocam apoio por promessas de influência em um eventual novo governo.
O contexto tornava o gesto relevante. Bolsonaro liderava com 56 milhões de votos (47,03%), mas Lula estava próximo, com 53,8 milhões (45,15%). A margem estreita fazia de qualquer apoio adicional um elemento potencialmente decisivo. Com a direita se consolidando ao redor de Bolsonaro, Lula enfrentava o desafio de reconquistar eleitores antes que o segundo turno definisse o próximo presidente. O que os eleitores de Cury fariam com a recomendação de seu candidato permanecia a pergunta sem resposta.
Augusto Cury encerrou sua jornada na campanha presidencial de 2026 em terceiro lugar. O escritor e ex-candidato pelo Avante conquistou 2,89% dos votos válidos no primeiro turno — mais de três milhões de brasileiros — mas não avançou para a disputa final. Na quinta-feira, 8 de outubro, ele anunciou sua decisão: apoiaria Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
A escolha não foi improviso. Cury e Bolsonaro conversaram por videochamada no mesmo dia do anúncio, momento em que o ex-candidato negociou compromissos políticos com quem liderava a corrida. Essa negociação marca um padrão conhecido nas eleições brasileiras: candidatos que não avançam buscam extrair concessões futuras em troca de seu apoio e da mobilização de seus eleitores.
Os números do primeiro turno mostravam uma disputa acirrada no topo. Flávio Bolsonaro havia conquistado 56 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou logo atrás com 53,8 milhões de votos, representando 45,15%. A margem era estreita — pouco mais de dois pontos percentuais separavam o favorito do presidente em exercício. Em um segundo turno, cada voto importava, e a base de Cury — ainda que modesta em comparação com os dois principais candidatos — poderia fazer diferença.
O apoio de Cury representava mais do que um gesto simbólico. Seus eleitores precisavam escolher um lado, e a recomendação de seu candidato original tinha peso. Além disso, a negociação por videochamada sugeria que Cury havia obtido algo em troca: promessas sobre cargos, políticas públicas ou influência em um eventual governo Bolsonaro. Esses acordos raramente são tornados públicos na íntegra, mas fazem parte do funcionamento das coligações políticas brasileiras.
O anúncio chegava em momento crítico da campanha. Com o segundo turno se aproximando, ambos os candidatos principais buscavam consolidar apoios e convencer eleitores indecisos. A saída de Cury da disputa e sua adesão a Bolsonaro criava um novo cenário: o campo da direita se unificava enquanto Lula enfrentava a tarefa de recuperar terreno perdido no primeiro turno. O que aconteceria com os votos de Cury no segundo turno — se seus eleitores seguiriam sua recomendação ou buscariam outros caminhos — permanecia em aberto, mas a dinâmica da eleição havia mudado.
Citazioni salienti
Cury declarou seu apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva— Augusto Cury, ex-candidato do Avante