Ataque aos Montes Golã mata 11 crianças; Netanyahu promete resposta severa ao Hezbollah

Ataque matou 11 crianças e adolescentes num campo de futebol em Majdal Shams, representando o incidente mais mortífero contra civis israelitas na fronteira norte desde outubro de 2023.
O Hezbollah pagará um preço elevado que não pagou até agora
Netanyahu promete retaliação severa após ataque que matou 11 crianças num campo de futebol nos Montes Golã.
Mark

Por que é que o Hezbollah nega este ataque quando normalmente reivindica os seus ataques?

Mimi

É uma pergunta central. A negação é tão invulgar que levanta questões sobre o que realmente aconteceu — ou sobre o que o Hezbollah quer que se acredite que aconteceu. Pode ser uma questão de cálculo político ou militar.

Mark

Netanyahu diz que vai haver uma resposta severa. O que significa isso na prática?

Mimi

Significa que Israel está a preparar-se para uma escalada significativa. Quando um ministro fala em "guerra total", não está a usar palavras ao acaso. Estamos a falar de possíveis ataques aéreos em larga escala, talvez operações terrestres. A questão é se isso vai manter-se contido na fronteira ou se vai expandir-se.

Mark

Isto complica as negociações sobre Gaza?

Mimi

Dramaticamente. Israel estava a negociar um cessar-fogo com o Hamas enquanto Netanyahu estava nos EUA. Agora tem de regressar para lidar com uma crise potencial no norte. É difícil negociar paz num teatro enquanto se prepara para guerra noutro.

Mark

Onze crianças mortas. Como é que isto muda a dinâmica política interna em Israel?

Mimi

Muda tudo. A morte de crianças civis é um catalisador emocional e político poderoso. Cria pressão imediata para uma resposta forte. Netanyahu não pode ser visto como fraco neste momento, independentemente do que realmente aconteceu.

Mark

E se o Hezbollah realmente não foi responsável?

Mimi

Então Israel pode estar a preparar-se para retaliar contra alguém que não atacou. Ou o Hezbollah está a mentir. De qualquer forma, a verdade importa menos agora do que a perceção e a necessidade política de responder.

  • Onze crianças morreram num campo de futebol ao entardecer — a violência mais letal contra civis israelitas na fronteira norte desde outubro de 2023, deixando uma comunidade druza em choque.
  • Netanyahu interrompeu a visita aos EUA e o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita alertou publicamente que o país se aproxima de 'guerra total', elevando a retórica a um nível raramente visto.
  • O Hezbollah negou categoricamente qualquer envolvimento — uma postura invulgar para um grupo que habitualmente reivindica os seus ataques —, criando uma perigosa disputa de narrativas sobre quem puxou o gatilho.
  • Israel mantém a convicção da culpa do Hezbollah e prometeu um preço 'que não foi pago até agora', enquanto o exército já atacou um depósito de armas libanês em Kfar Kila.
  • A escalada ocorre precisamente quando Israel e Hamas negociam um cessar-fogo em Gaza, tornando qualquer resposta militar no norte uma variável capaz de redesenhar todo o conflito regional.

No sábado ao entardecer, um foguete transformou um campo de futebol em Majdal Shams num lugar de luto, ceifando a vida de onze crianças e adolescentes nos Montes Golã — o golpe mais mortífero contra civis israelitas na fronteira norte desde o início do conflito em outubro de 2023. Israel aponta o dedo ao Hezbollah, que nega o envolvimento de forma incomum, enquanto Netanyahu interrompe a sua visita aos Estados Unidos para reunir o Gabinete de Segurança e prometer retaliação. O episódio revela como a linha entre contenção e guerra total se torna cada vez mais ténue, num momento em que Gaza e o Líbano partilham o mesmo horizonte de incerteza.

Pouco antes do pôr do sol de sábado, um foguete atingiu um campo de futebol em Majdal Shams, nos Montes Golã, matando onze crianças e adolescentes. Foi o ataque mais mortífero contra civis israelitas na fronteira norte desde que os combates com o Hezbollah começaram, no dia seguinte ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Benjamin Netanyahu, que se encontrava em visita aos Estados Unidos, prometeu retaliação severa: 'O Hezbollah pagará um preço elevado por este ataque, um preço que não pagou até agora.' O primeiro-ministro encurtou a viagem para regressar a Israel e presidir ao Gabinete de Segurança. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, foi ainda mais longe, afirmando que o país se aproxima do 'momento em que enfrentaremos uma guerra total'.

O Hezbollah, porém, negou qualquer envolvimento — uma postura invulgar para um grupo que habitualmente reivindica os seus ataques. O porta-voz Mohammed Afif afirmou categoricamente não ter 'qualquer ligação com o incidente'. Israel manteve a acusação, com o contra-almirante Daniel Hagari a afirmar que o Hezbollah 'disparou um foguete contra crianças que jogavam futebol' e depois mentiu sobre o facto.

O ataque insere-se numa escalada progressiva na fronteira israelo-libanesa, com trocas de fogo cada vez mais frequentes e profundas desde outubro. No mesmo sábado, o Hezbollah reivindicou nove ataques a postos militares israelitas, enquanto Israel bombardeou um depósito de armas na aldeia fronteiriça de Kfar Kila.

O momento é particularmente sensível: Israel e o Hamas debatem uma proposta de cessar-fogo em Gaza que poderia libertar cerca de 110 reféns ainda em cativeiro. A possibilidade de uma guerra aberta com o Hezbollah no norte complica profundamente esse cenário, e a questão que paira sobre a região é qual será a magnitude da resposta israelita — e o que ela poderá desencadear.

Um foguete caiu num campo de futebol em Majdal Shams, uma cidade nos Montes Golã, pouco antes do pôr do sol de sábado. Onze crianças e adolescentes morreram no ataque. Foi o incidente mais mortífero contra civis israelitas na fronteira norte desde que os combates entre Israel e o Hezbollah começaram, no dia seguinte ao ataque do Hamas em 7 de outubro.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita que se encontrava em visita aos Estados Unidos, respondeu com uma promessa de retaliação severa. "O Hezbollah pagará um preço elevado por este ataque, um preço que não pagou até agora", declarou. O seu gabinete anunciou que Netanyahu encurtaria a viagem em várias horas para regressar a Israel e reunir o Gabinete de Segurança. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, foi mais longe, afirmando ao Canal 12 que "estamos a aproximar-nos do momento em que enfrentaremos uma guerra total".

Mas o Hezbollah negou qualquer envolvimento. Através de um comunicado, o grupo islamita afirmou não ter "qualquer ligação com o incidente" e negou "categoricamente todas as falsas alegações". Mohammed Afif, porta-voz principal da organização, reiterou à Associated Press que o grupo "nega categoricamente a realização de um ataque a Majdal Shams". Esta negação é invulgar — o Hezbollah costuma reivindicar os seus ataques. Israel, porém, mantém-se convicto da culpa do grupo e o contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz principal do exército, acusou o Hezbollah de ter "disparado um foguete contra crianças que jogavam futebol" e depois mentido sobre o facto.

O ataque ocorreu num contexto de escalada crescente na fronteira entre Israel e o Líbano. Desde outubro, os dois lados têm vindo a trocar ataques com regularidade crescente. Nas últimas semanas, a intensidade aumentou significativamente, com ataques aéreos israelitas e lançamentos de foguetes e drones do Hezbollah a atingirem alvos cada vez mais afastados da linha fronteiriça. No sábado, para além do ataque ao campo de futebol, houve outros incidentes violentos na região transfronteiriça. O Hezbollah afirmou ter levado a cabo nove ataques diferentes contra postos militares israelitas, utilizando foguetes e drones explosivos, incluindo morteiros Katyusha contra o comando militar da Brigada Haramoun em Maaleh Golani. O grupo também disse ter perdido três dos seus combatentes, embora sem especificar onde.

As forças armadas israelitas responderam com um ataque aéreo contra um depósito de armas do Hezbollah na aldeia fronteiriça de Kfar Kila, afirmando que militantes libaneses se encontravam no interior na altura do bombardeio. Imagens transmitidas pelo Canal 12 mostraram uma grande explosão num dos vales junto a Majdal Shams, território que Israel conquistou à Síria em 1967 e anexou em 1981.

O ataque surge num momento particularmente delicado. Israel e o Hamas estão a ponderar uma proposta de cessar-fogo que poderia pôr termo à guerra de quase dez meses em Gaza e libertar cerca de 110 reféns que permanecem em cativeiro. O ataque de 7 de outubro do Hamas matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no rapto de 250 pessoas. A possibilidade de uma guerra regional mais vasta envolvendo o Hezbollah complica significativamente o cenário político e militar. As autoridades israelitas consideram o ataque de sábado "muito grave" e afirmaram que agiriam em conformidade. A questão agora é qual será a magnitude e o alcance dessa resposta.

O Hezbollah pagará um preço elevado por este ataque, um preço que não pagou até agora
— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita
Estamos a aproximar-nos do momento em que enfrentaremos uma guerra total
— Israel Katz, ministro dos Negócios Estrangeiros israelita
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