Assembleia do RS aprova privatização da Corsan com 33 votos

Potencial impacto na universalização de serviços de saneamento para população de municípios atendidos pela Corsan, dependendo de implementação das metas contratuais.
A privatização marca uma transformação estrutural na gestão de saneamento
A aprovação da lei nº 211/2021 autoriza o estado a transferir controle da Corsan para investidores privados via IPO.
Mark

Por que o governo do Rio Grande do Sul decidiu privatizar a Corsan agora, e não antes?

Mimi

A resposta está no Novo Marco do Saneamento, a lei federal de 2020 que mudou as regras do jogo. Ela criou pressão para que estados e municípios modernizassem seus serviços, e a privatização virou uma opção atraente para quem não tinha recursos para investir sozinho.

Mark

Mas 33 votos em 55 não é uma maioria esmagadora. Isso significa que houve resistência?

Mimi

Sim. Significa que quase 40% da Assembleia votou contra ou se absteve. Privatização de serviço público sempre divide opinião — há quem tema pela qualidade do serviço e quem acredite que o privado é mais eficiente.

Mark

E os municípios? Por que o governo oferece ações para eles?

Mimi

É uma forma de ganhar apoio político e garantir que os municípios tenham voz na governança da empresa. Se um município é acionista, tem interesse em que a Corsan funcione bem. É também uma compensação pelo risco de mudança.

Mark

Qual é o risco real para quem usa água e esgoto da Corsan?

Mimi

Depende de como a empresa será gerida como privada. Se os novos donos investirem em infraestrutura e expandirem o acesso, a população ganha. Se priorizarem lucro sobre universalização, pode haver problemas — especialmente em cidades pequenas, que são menos lucrativas.

Mark

As metas de universalização estão garantidas?

Mimi

Estão no contrato, mas contratos podem ser renegociados. O que importa agora é fiscalização rigorosa e vontade política de cobrar cumprimento. A lei abre a porta; a execução é que dirá se funcionou.

  • O governo estadual, que detinha quase a totalidade das ações da Corsan, abre mão do controle majoritário em uma votação que dividiu o plenário: 33 votos a favor, 22 ausentes ou contrários.
  • A privatização via IPO na B3 expõe um serviço essencial à lógica do mercado de capitais, gerando tensão entre eficiência econômica e garantia de acesso universal à água e ao esgoto.
  • Municípios atendidos pela Corsan têm 90 dias para decidir se assinam o aditivo contratual e recebem até 10% do capital da empresa — uma janela estreita para uma escolha de décadas.
  • Quem aceitar as ações assume também metas de qualidade e universalização alinhadas ao Novo Marco do Saneamento, transformando a participação acionária em compromisso regulatório até 2062.
  • O processo de desestatização entra agora em sua fase mais crítica: a estruturação da oferta pública e a adesão dos municípios definirão se a promessa de eficiência se converte em serviço melhor para a população.

No último dia de agosto de 2021, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul decidiu reescrever o papel do Estado na gestão da água e do esgoto: com 33 votos, aprovou a privatização da Corsan, abrindo a companhia ao mercado de capitais por meio de um IPO na B3. A decisão não é apenas técnica ou financeira — é uma aposta de que o investimento privado pode alcançar onde a gestão pública encontrou limites. O destino de milhões de gaúchos que dependem de saneamento básico passará, a partir de agora, pelo desempenho de um novo modelo.

Na noite de 31 de agosto de 2021, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, com 33 votos, o projeto de lei nº 211/2021 — a autorização legal para privatizar a Corsan, a companhia estadual de saneamento que abastece dezenas de municípios gaúchos.

O mecanismo escolhido é um IPO na B3, a bolsa de valores brasileira. O governo, que hoje detém praticamente a totalidade das ações da empresa, poderá vender mais de 50% desse capital para investidores privados — tanto institucionais quanto pessoas físicas. A lógica é atrair recursos e eficiência que o modelo estatal não conseguiu garantir de forma consistente.

A lei, porém, reserva um papel para os municípios. Aqueles atendidos pela Corsan poderão receber até 63 milhões de ações — cerca de 10% do capital total — desde que assinem um aditivo contratual em até 90 dias após a vigência da lei. Em troca, ganham participação na empresa e uma extensão do contrato de concessão até 2062. A contrapartida é real: os municípios que aceitarem precisarão cumprir metas de qualidade, eficiência e universalização alinhadas ao Novo Marco do Saneamento federal.

O que está em jogo vai além das finanças. A Corsan é infraestrutura de vida cotidiana para milhões de pessoas. O sucesso da desestatização dependerá de como a oferta pública será estruturada e de como os municípios responderão à oportunidade — e à responsabilidade — de se tornarem acionistas. Os próximos meses serão o primeiro teste real de uma aposta que o estado fez em nome de toda a sua população.

Na terça-feira, 31 de agosto, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul votou a favor de uma transformação estrutural na forma como o estado gerencia seus serviços de saneamento. Com 33 votos dos 55 possíveis, os deputados aprovaram o projeto de lei nº 211/2021, abrindo caminho para que o governo estadual privatize a Companhia Riograndense de Saneamento, a Corsan.

O governo do RS atualmente controla 99,99% do capital social da companhia. A aprovação legislativa autoriza a transferência de mais de metade desse controle acionário para investidores privados. O mecanismo escolhido é uma oferta pública inicial — um IPO — na B3, a bolsa de valores brasileira. Isso significa que as ações da Corsan serão vendidas tanto no mercado primário quanto no secundário, abrindo a empresa para participação de investidores institucionais e pessoas físicas.

Mas a lei não deixa os municípios de fora. Como parte do acordo, o governo estadual fica autorizado a distribuir até 63 milhões de ações — aproximadamente 10% do capital total da companhia — para os municípios que são atendidos pela Corsan. Essa distribuição, porém, tem condições. Os municípios precisam assinar um aditivo contratual dentro de 90 dias após a lei entrar em vigor. Em troca, ganham participação acionária e uma extensão do contrato de concessão até 2062.

O aditivo contratual também traz obrigações. Os municípios que aceitarem a oferta de ações precisarão cumprir metas de qualidade, eficiência e universalização de serviços. Essas metas estão alinhadas com o Novo Marco do Saneamento, a legislação federal que redefine como o país aborda a água e o esgoto. A inclusão ou adequação dessas metas no contrato municipal representa um compromisso com padrões mais rigorosos de prestação de serviço.

A votação reflete uma decisão política clara: o estado acredita que a privatização pode trazer eficiência e investimento privado para um setor historicamente desafiador. A Corsan atende dezenas de municípios gaúchos, e a mudança de modelo de gestão afetará milhões de pessoas que dependem de água tratada e coleta de esgoto. O sucesso da desestatização dependerá agora de como a empresa será estruturada no mercado de capitais e de como os municípios responderão à oportunidade de se tornarem acionistas. Os próximos meses dirão se essa transformação entrega os ganhos de eficiência e universalização que a lei promete.

O governo do RS fica autorizado a transferir o controle acionário da Corsan para acionistas privados por meio de oferta pública inicial na B3
— Comunicado da Corsan, 31 de agosto de 2021
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