Argentina registra fechamento de 32 mil empresas sob governo Milei

Redução de 3.485 postos de trabalho formais apenas em julho, afetando empregabilidade e renda de trabalhadores argentinos.
dezoito meses de queda consecutiva, sem interrupção
O registro de empresas empregadoras na Argentina caiu ininterruptamente desde o início do governo Milei.
Mark

Como você lê esses números? Trinta e duas mil empresas em oito meses — é uma queda catastrófica ou faz parte de um ajuste esperado?

Mimi

É uma queda significativa e consistente. O que chama atenção é que não foi um mês ruim isolado — foram dezoito meses consecutivos de redução. Isso sugere uma pressão estrutural, não um acidente.

Luke

Mas precisamos ser cuidadosos com o que esses números realmente dizem. Sair do cadastro não significa que a empresa fechou. Pode ser que tenha ficado sem funcionários registrados ou tenha se reorganizado.

Mimi

Verdade. Mas mesmo que nem todas tenham fechado definitivamente, o fato de desaparecerem do registro de empregadores é significativo — significa que deixaram de ter trabalhadores formais registrados.

Mark

E por que isso está acontecendo? Qual é a causa raiz?

Mimi

Não é uma causa única. É uma combinação: consumo fraco porque as famílias estão endividadas e priorizando gastos essenciais, custos de energia muito altos, dificuldade de acesso ao crédito, e agora concorrência de importações que cresceram 34,7%.

Luke

Mas a produção industrial caiu 12% no mesmo período. Então não é só que as empresas estão fechando — é que a economia inteira está contraindo. Isso é importante para entender o contexto.

Mimi

Exatamente. E os efeitos variam. Mineração cresceu em julho, mas comércio e indústria encolheram. Então alguns setores conseguem navegar isso, outros não.

Mark

Qual é o custo humano que você vê aqui?

Mimi

Apenas em julho, 3.485 postos de trabalho formais desapareceram. Multiplique isso por oito meses e você tem uma ideia. São pessoas que perderam renda, famílias que ficaram mais vulneráveis.

Luke

Mas também precisamos dizer: não sabemos quantas dessas pessoas encontraram trabalho informal ou em outro lugar. Os dados nos dizem que os postos formais desapareceram, não nos dizem o que aconteceu com as pessoas.

Mimi

Justo. Mas em uma economia em contração, é improvável que a maioria tenha encontrado algo melhor.

  • A cada mês desde a posse de Milei, o país perde mais empregadores registrados — 948 só em julho, somando 32.290 ao longo de dezoito meses ininterruptos.
  • Famílias endividadas e com contas de serviços mais altas reduziram o consumo ao essencial, esvaziando a demanda que sustentava pequenos e médios negócios.
  • Importações de bens de consumo saltaram 34,7% enquanto a produção industrial argentina recuou 12%, colocando empresas locais em desvantagem direta frente a produtos estrangeiros.
  • Custos de energia, carga tributária e crédito escasso comprimem margens já estreitas, tornando inviável a operação de negócios que antes sobreviviam com folga mínima.
  • O impacto é desigual entre setores — mineração cresce enquanto comércio e indústria encolhem — mas a trajetória geral aponta para uma economia ainda sem sinal claro de reversão.

Em pouco mais de dois anos sob o governo de Javier Milei, a Argentina viu desaparecer do registro oficial mais de 32 mil empresas empregadoras — uma contração silenciosa, mas persistente, que dura dezoito meses consecutivos. O esforço de conter a inflação por meio da austeridade fiscal produziu um ambiente de demanda enfraquecida, custos crescentes e concorrência externa ampliada, combinação que se mostrou insustentável para milhares de negócios, sobretudo os menores. O que os números revelam não é apenas uma estatística econômica, mas o peso humano das escolhas de política pública: empregos extintos, famílias com menos renda e uma economia ainda em busca do seu ponto de equilíbrio.

A Argentina perdeu mais de 32 mil empresas empregadoras nos primeiros oito meses do governo Javier Milei. Dados divulgados pelo órgão oficial de supervisão de riscos do trabalho mostram uma contração de 6,3% no total de empregadores registrados, queda que se estende por dezoito meses consecutivos. Em novembro de 2023, véspera da posse de Milei, havia 512.357 empresas com ao menos um funcionário no sistema; em julho deste ano, esse número havia caído para 480.067.

O ritmo piorou ao longo do tempo. Só em julho, 948 empregadores deixaram o cadastro e 3.485 postos de trabalho formais desapareceram. Vale notar que sair do registro não significa necessariamente encerramento definitivo — pode indicar reorganização ou ausência temporária de funcionários —, mas a tendência é inequívoca.

Três forças combinadas explicam o cenário. Primeiro, o consumo das famílias enfraqueceu: contas de serviços mais altas e endividamento crescente deixaram menos dinheiro disponível para outros gastos. Segundo, os custos operacionais subiram — energia, impostos e dificuldade de acesso ao crédito passaram a consumir fatias maiores do faturamento de pequenas e médias empresas. Terceiro, a abertura às importações fez as compras externas de bens de consumo crescerem 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação a 2023, enquanto a produção industrial local recuou 12%.

Os efeitos não foram uniformes: a mineração cresceu em julho, enquanto comércio e indústria encolheram. Mas o padrão geral é de uma economia sob pressão persistente. A redução de 32.290 empresas empregadoras traduz, em números, o custo humano da austeridade fiscal — negócios encerrados, empregos extintos e famílias com menos renda. A Argentina segue em trajetória de contração, sem que esteja claro quando essa curva poderá se inverter.

A Argentina perdeu mais de 32 mil empresas empregadoras nos primeiros oito meses do governo de Javier Milei. Os números, divulgados pelo órgão oficial de supervisão de riscos do trabalho no sábado, mostram uma contração de 6,3% no total de empregadores registrados — queda que se estende por dezoito meses consecutivos sem interrupção. Em novembro de 2023, mês anterior à posse de Milei, havia 512.357 empresas com pelo menos um funcionário registrado no sistema de seguro contra acidentes. Sete meses depois, em julho deste ano, esse número havia caído para 480.067.

O ritmo da deterioração acelerou-se. Apenas em julho, o país registrou 948 empregadores a menos que em junho, enquanto 3.485 postos de trabalho formais desapareceram no mesmo período. É importante notar que sair do cadastro não significa necessariamente que uma empresa fechou as portas — pode significar que ficou sem funcionários registrados, passou por reorganização ou mudança administrativa. Mas a tendência é clara: a economia está contraindo, e as empresas estão desaparecendo do registro oficial.

O cenário que explica essa queda é multifatorial e reflete as pressões que o governo Milei enfrentou ao tentar conter a inflação através de cortes severos de gastos públicos. O consumo das famílias enfraqueceu significativamente. Segundo a Confederação Argentina da Média Empresa, o aumento das contas de serviços e o endividamento das famílias deixaram menos dinheiro disponível para outras compras. Com orçamentos apertados, os consumidores priorizaram despesas essenciais, reduzindo a demanda por produtos e serviços que as empresas ofereciam.

Ao mesmo tempo, as empresas enfrentaram custos operacionais crescentes que comprimiram suas margens. A União Industrial Argentina apontou os custos de energia, a carga tributária e as dificuldades de acesso ao crédito como obstáculos principais para pequenas e médias indústrias. Com vendas fracas, esses gastos fixos passaram a representar uma parcela cada vez maior do faturamento, tornando insustentável a operação de muitos negócios.

Um terceiro fator de pressão veio da concorrência externa. O governo Milei reduziu barreiras às importações, e o resultado foi um aumento de 34,7% nas compras de bens de consumo do exterior no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. Enquanto isso, a produção industrial argentina recuou 12% no mesmo intervalo. Produtos estrangeiros mais baratos ou com melhor qualidade percebida passaram a competir diretamente com a produção local, pressionando ainda mais as margens das empresas argentinas.

Os efeitos dessa contração não foram uniformes. Em julho, comércio e indústria encolheram na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a mineração cresceu. Alguns setores conseguiram se adaptar ou se beneficiar das mudanças de política; outros não. Mas o padrão geral é de uma economia sob pressão, com empresas desaparecendo do registro oficial a uma taxa consistente há mais de um ano e meio.

O que esses números revelam é o custo real das políticas de austeridade fiscal. Ao cortar gastos públicos para combater a inflação, o governo Milei criou um ambiente de demanda fraca, custos elevados e maior concorrência externa — um tripé que se mostrou letal para muitas empresas, especialmente as pequenas e médias. A redução de 32.290 empresas empregadoras não é apenas um número econômico abstrato; representa negócios que encerraram operações, empregos que desapareceram e famílias que perderam renda. A Argentina continua em uma trajetória de contração, e não está claro quando ou se essa tendência será revertida.

A redução no número de empresas ocorre em um cenário de consumo enfraquecido, custos elevados e maior concorrência de produtos importados
— Centro de Economia Política Argentina (CEPA) e entidades empresariais
Os custos de energia, a carga tributária e as condições de financiamento estão entre os principais obstáculos para as pequenas e médias indústrias
— União Industrial Argentina (UIA)
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ