Aprovação de Lula cai para 24% e atinge pior índice de seus mandatos

O governo ficou atônito e restou à Fazenda revogar a medida
A reação do governo à crise do Pix em janeiro, que precipitou o colapso de aprovação.
Mark

Como uma queda tão abrupta — de 35% para 24% em apenas dois meses — é possível?

Mimi

Não foi um único evento. Foi uma sequência: a crise do Pix em janeiro, a onda de fake news, o governo recuando, depois a inflação de alimentos e o presidente sugerindo que as pessoas parassem de comprar comida cara. Cada coisa alimentou a próxima.

Luke

Mas a pesquisa foi feita em 10 e 11 de fevereiro. Quanto desse colapso é reação imediata ao Pix, que foi em janeiro, e quanto é acumulação?

Mimi

A pesquisa não decompõe isso. Sabemos que o Pix foi a crise mais visível, mas a inflação é um problema contínuo que o presidente não conseguiu resolver.

Mark

Qual é o grupo mais afetado?

Mimi

Os mais pobres. Quem ganha até dois salários mínimos viu aprovação cair de 44% para 29%. Isso é exatamente o eleitorado que deveria estar com Lula.

Luke

Mas a margem de erro nesse grupo é de três pontos. Então a queda real está entre 26% e 32%, não necessariamente 29%. Ainda é uma queda grande, mas é importante ser preciso.

Mark

E no Nordeste, que é reduto do PT?

Mimi

Caiu de 49% para 33%. Numa região que tem 26% do eleitorado nacional. Isso é sinal de alerta genuíno.

Luke

Verdade. Mas entre os próprios eleitores de Lula em 2022, a desaprovação subiu de 7% para 13%. Isso é preocupante, mas 13% ainda é minoria. A maioria migrou para "regular", não para "ruim".

Mark

Então há espaço para recuperação?

Mimi

Teoricamente sim. Mas o presidente está apostando que 2025 será seu ano para combater fake news. Não está claro se isso vai inverter a curva.

Luke

E a pesquisa não fez projeções eleitorais para 2026, então não sabemos se essa aprovação baixa significa que ele perde ou se ainda é favorito.

  • Em apenas dois meses, a aprovação de Lula despencou 11 pontos percentuais, chegando a 24% — o pior índice de seus três mandatos combinados.
  • A crise do Pix em janeiro, marcada por desinformação nas redes e recuo precipitado do governo, funcionou como gatilho para uma desconfiança que já estava latente.
  • A inflação de alimentos corrói o cotidiano dos mais pobres, e uma declaração infeliz do presidente — sugerindo que as pessoas simplesmente parassem de comprar comida cara — amplificou a percepção de descaso.
  • O estrago atinge o coração eleitoral do PT: entre nordestinos, a aprovação caiu de 49% para 33%; entre eleitores de até dois salários mínimos, de 44% para 29%.
  • O governo tenta reposicionar a narrativa como uma guerra contra as fake news, mas a oposição já movimenta nomes como Tarcísio de Freitas e Pablo Marçal, testando o terreno para 2026.

Em dois meses, a popularidade do presidente Lula atingiu o patamar mais baixo de toda a sua trajetória política, com apenas 24% de aprovação e 41% de reprovação segundo o Datafolha. O dado não é apenas um número: é o reflexo de um governo que enfrentou crises de comunicação, inflação persistente e uma relação fragilizada com as próprias bases que o sustentaram. A erosão entre nordestinos, trabalhadores de baixa renda e eleitores fiéis de 2022 revela que a confiança, uma vez abalada, exige muito mais do que recuos e trocas de equipe para ser restaurada.

Em dois meses, a aprovação do presidente Lula caiu de 35% para 24%, marcando o pior índice de sua carreira política em três passagens pelo Palácio do Planalto. A reprovação chegou a 41%, também recorde. Os dados são de pesquisa Datafolha realizada em 10 e 11 de fevereiro, com 2.007 eleitores em 113 cidades.

O colapso não é acidental. Em janeiro, o governo anunciou a fiscalização de transações via Pix acima de R$ 5.000. A oposição acusou controle indevido, as redes sociais espalharam rumores de taxação e o governo recuou — aparentemente de surpresa. Lula atribuiu o episódio a falhas de comunicação e promoveu o marqueteiro Sidônio Palmeira para substituir Paulo Pimenta. Mas os problemas continuaram. A inflação de alimentos segue corroendo a renda das famílias, e uma sugestão pública do presidente para que as pessoas deixassem de comprar comida cara foi amplamente interpretada como esquiva de responsabilidade.

O que torna os números mais graves é onde eles doem. Entre eleitores de até dois salários mínimos, a aprovação caiu de 44% para 29%. Entre os com ensino fundamental, recuou 15 pontos. No Nordeste, reduto histórico do PT, a queda foi de 49% para 33%. Entre os próprios eleitores que votaram em Lula em 2022, a aprovação recuou 20 pontos, chegando a 46%, enquanto a desaprovação quase dobrou.

Lula tenta enquadrar a crise como uma batalha contra a desinformação, declarando que quer 'desmascarar as mentiras das fake news'. Sobre 2026, sinalizou cautela, dizendo que será candidato 'se estiver legal de saúde'. A oposição, por sua vez, já movimenta nomes como Tarcísio de Freitas, Pablo Marçal e Gusttavo Lima. Bolsonaro permanece inelegível até 2030. Pesquisas ainda apontam Lula como favorito para a próxima eleição, mas o impacto de longo prazo dessa onda de desaprovação — especialmente entre suas bases — permanece uma incógnita.

Em dois meses, a aprovação do presidente Lula despencou de 35% para 24%, marcando o pior índice de sua carreira política em três passagens pelo Palácio do Planalto. A reprovação, por sua vez, disparou para 41%, um recorde negativo. Os números vêm de uma pesquisa Datafolha realizada nos dias 10 e 11 de fevereiro, que ouviu 2.007 eleitores em 113 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O colapso de popularidade não é acidental. Ele reflete o impacto de sucessivas crises que atingem o governo. A mais visível delas eclodiu em janeiro, quando a administração anunciou que começaria a fiscalizar transações via Pix acima de R$ 5.000. A oposição imediatamente acusou o governo de controle indevido, enquanto uma onda de desinformação espalhou-se pelas redes afirmando que haveria uma taxa sobre a modalidade. O governo, aparentemente desprevenido, recuou e revogou a medida. Lula atribuiu o fracasso a falhas na comunicação e promoveu o marqueteiro baiano Sidônio Palmeira para substituir Paulo Pimenta na chefia do setor. Os problemas, porém, não cessaram.

A inflação de alimentos permanece como fonte constante de desgaste. O presidente contribuiu para piorar a situação ao sugerir publicamente que as pessoas deixassem de comprar comida cara — uma frase que, embora teoricamente lógica, foi interpretada como uma esquiva de responsabilidade e amplamente explorada pela oposição. Antes desta queda, o melhor índice de desaprovação que Lula havia enfrentado era de 28% em outubro e dezembro de 2005, durante a crise do mensalão em seu primeiro mandato. O maior índice de reprovação anterior era de 34%, registrado em dezembro passado. Seu terceiro mandato, iniciado em 2023, havia mantido uma relativa estabilidade, com aprovação média de 36% e reprovação de 31% ao longo de nove levantamentos anteriores.

O estrago é particularmente preocupante porque atinge grupos historicamente próximos ao PT. Entre eleitores que ganham até dois salários mínimos — um segmento que representa 51% da amostra e tem margem de erro de apenas três pontos — a aprovação caiu de 44% para 29%. Entre aqueles com apenas ensino fundamental, o recuo foi de 15 pontos, de 53% para 38%. No Nordeste, reduto eleitoral tradicional do petismo, a aprovação deslizou de 49% para 33%, numa região que concentra 26% do eleitorado nacional. Entre os próprios eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, a aprovação recuou 20 pontos, chegando a 46%, enquanto a desaprovação quase dobrou, de 7% para 13%.

Quando os números são convertidos em saldo entre aprovação e desaprovação, Lula mantém-se positivo apenas entre os menos escolarizados, com margem de dez pontos, e entre nordestinos, com apenas três pontos. Os piores resultados aparecem nas faixas de renda acima de dois salários mínimos: entre 2 e 5 salários, saldo de menos 33 pontos; entre 5 e 10, também menos 33 pontos; acima de 10, menos 45 pontos. Para efeito de comparação, Jair Bolsonaro tinha reprovação de 40% no mesmo período de seu mandato, mas aprovação de 31%, ligeiramente melhor que a de Lula agora.

O presidente tem tentado enquadrar a crise como uma batalha contra a desinformação. "Esse é o meu ano. Eu quero desmascarar essa quantidade de mentira que tem nas fake news, no celular, todo mundo mentindo para todo mundo", disse em viagem ao Norte na semana anterior. Ele também sinalizou cautela sobre sua candidatura em 2026, afirmando que será candidato "se estiver legal de saúde". Enquanto isso, a oposição se movimenta. O governador Tarcísio de Freitas, variantes bolsonaristas das redes como Pablo Marçal e Gusttavo Lima, e outros presidenciáveis testam o terreno. Bolsonaro permanece inelegível até 2030. Pesquisas recentes ainda apontam Lula como favorito para 2026, mas o impacto de longo prazo dessa onda de desaprovação permanece incerto.

Esse é o meu ano. Eu quero desmascarar essa quantidade de mentira que tem nas fake news, no celular, todo mundo mentindo para todo mundo
— Presidente Lula, em viagem à região Norte
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Paraíba Online ↗
Kontakt FAQ