Apple supera receitas globais, mas China e serviços desiludem

O iPhone mantém-se como o motor que funciona, mesmo com escassez de componentes
Apesar das decepções na China e serviços, as vendas de smartphones cresceram 22%, ultrapassando estimativas.
Mark

Porque é que a China e os serviços decepcionaram quando o iPhone teve um desempenho tão forte?

Mimi

A Apple tem apostado em diversificar as suas receitas há anos — o iPhone sozinho não é suficiente. Mas estes dois negócios, que deveriam ser o futuro, estão a crescer mais lentamente do que o esperado. Na China, há pressão competitiva local e talvez sinais de desaceleração económica. Nos serviços, o crescimento tem limites porque depende da base instalada de utilizadores.

Mark

O reembolso de tarifas de 2 mil milhões dólares — isso é dinheiro que não vai voltar a aparecer?

Mimi

Exatamente. Esse foi um ganho único. Sem ele, a margem bruta seria mais fraca. Quando se olha para a sustentabilidade dos resultados, é preciso separar o que é operacional do que é extraordinário.

Mark

Tim Cook está a sair. Isso é uma mudança importante?

Mimi

É simbólico. Cook liderou a Apple durante 14 anos, através de crises e expansões. John Ternus vem da engenharia, do lado do hardware. Pode significar um recentramento na inovação de produtos em vez de na expansão de serviços.

Mark

Os aumentos de preço nos iPhones — isso não vai afastar clientes?

Mimi

Essa é a aposta. A Apple acredita que a marca é forte o suficiente para suportar preços mais altos. Mas há um limite. Se os preços subirem muito, mesmo os clientes leais começam a questionar se vale a pena.

Mark

Então o crescimento de 16% é bom ou é preocupante?

Mimi

É bom em termos absolutos. Mas o mercado olha para tendências. Se a China continua fraca e os serviços desaceleram, enquanto o iPhone depende de aumentos de preço para manter margens, há questões sobre o que vem a seguir.

  • O iPhone cresceu 22% e o lucro por ação superou estimativas, mas as ações caíram 3% — o mercado puniu as fraquezas, não celebrou as forças.
  • A China entregou 18,8 mil milhões em vez dos 19,6 esperados, alimentando receios sobre a desaceleração num dos mercados mais estratégicos da empresa.
  • Os serviços — a aposta no futuro digital da Apple — ficaram 700 milhões abaixo das projeções, questionando a velocidade da transição para receitas recorrentes.
  • A escassez de chips já encareceu Macs e iPads, e Tim Cook confirmou que os iPhones serão os próximos — uma ameaça direta ao motor que ainda mantém tudo a funcionar.
  • Cook despede-se em agosto deixando a empresa acima dos 5 biliões de capitalização bolsista, mas o seu sucessor, John Ternus, herda pressões de preços e cadeia de fornecimento que não têm solução imediata.

A Apple encerrou o seu terceiro trimestre fiscal com receitas globais de 109,42 mil milhões de dólares — um crescimento de 16% que, noutras circunstâncias, seria celebrado sem reservas. Mas a grandeza dos números totais não conseguiu esconder as fissuras: a China ficou aquém das expectativas e a divisão de serviços, tida como o futuro da empresa, também decepcionou. É o retrato de uma gigante que avança, mas cujos alicerces mais ambicionados ainda não sustentam o peso que lhes foi atribuído.

A Apple apresentou resultados do terceiro trimestre fiscal que revelam uma empresa a duas velocidades: números globais sólidos, mas com pontos de fraqueza nos mercados e divisões que mais importam para o futuro.

As receitas totais de 109,42 mil milhões de dólares superaram as previsões dos analistas, e o lucro por ação de 2,02 dólares ficou bem acima das estimativas de 1,89 dólares. O iPhone foi o grande motor, com vendas a crescerem 22% para 54,25 mil milhões. Tim Cook classificou este como o melhor trimestre de junho da história da empresa, com crescimento de dois dígitos em múltiplas categorias e em todas as regiões geográficas.

Mas a China entregou apenas 18,8 mil milhões em vez dos 19,6 mil milhões esperados, e os serviços — a divisão que a Apple tem cultivado como o seu futuro — ficaram em 30,7 mil milhões, 700 milhões abaixo das projeções. Estas duas decepções foram suficientes para fazer as ações recuarem cerca de 3% após o fecho do mercado.

O contexto agrava as preocupações. A escassez de chips de memória e processadores já forçou aumentos de preço nos Macs e iPads, e Cook admitiu que os iPhones serão os próximos a ser afetados. O crescimento expressivo nas vendas de smartphones pode estar a aproximar-se do seu pico antes de uma desaceleração induzida por preços mais elevados.

Cook parte em agosto deixando a Apple como apenas a segunda empresa da história a ultrapassar os 5 biliões de dólares em capitalização bolsista. O seu sucessor, John Ternus, assume o comando numa posição de força — mas com pressões reais na cadeia de fornecimento e num mercado chinês que ainda não deu sinais claros de recuperação.

A Apple divulgou resultados do terceiro trimestre fiscal que pintam um retrato dividido: números globais robustos ofuscados por fraquezas em dois dos seus pilares mais críticos. As receitas totais atingiram 109,42 mil milhões de dólares, ultrapassando as expectativas dos analistas em 570 milhões. O crescimento homólogo de 16% reflete uma empresa ainda em expansão. Mas quando se olha para onde esse dinheiro vem, a história fica mais complicada.

A China, mercado que representa uma fatia substancial do negócio global da Apple, trouxe apenas 18,8 mil milhões em vendas. Os analistas esperavam 19,6 mil milhões. É um desvio pequeno em termos percentuais, mas significativo o suficiente para gerar preocupação num mercado sensível a sinais de desaceleração. Os serviços — aquela divisão que a empresa tem cultivado como o seu futuro, oferecendo subscrições e conteúdo digital — chegaram aos 30,7 mil milhões, ficando 700 milhões abaixo das projeções de 31,4 mil milhões. Estas duas decepções foram suficientes para fazer as ações caírem cerca de 3% após o encerramento do mercado.

O iPhone, porém, mantém-se como o motor que funciona. As vendas do smartphone cresceram 22%, atingindo 54,25 mil milhões de dólares, superando as estimativas de 53,6 mil milhões. Mesmo com a escassez de componentes que tem afetado a indústria, e com aumentos de preço já implementados nos Macs e iPads no mês anterior, os consumidores continuam a comprar. Tim Cook, o CEO que se despede no final de agosto, aproveitou para sublinhar que este foi o melhor trimestre de junho da história da empresa, com crescimento de dois dígitos em iPhone, Mac e Serviços, e em todos os segmentos geográficos.

O lucro por ação atingiu 2,02 dólares, superando as estimativas de 1,89 dólares e o resultado de 1,57 dólares do trimestre homólogo. O lucro líquido subiu para 29,8 mil milhões, comparado com 23,4 mil milhões no mesmo período do ano anterior. A margem bruta expandiu-se para 50,1%, impulsionada em parte por um reembolso de tarifas no valor de cerca de dois mil milhões de dólares — uma vitória legal que a empresa conseguiu quando o Supremo Tribunal dos EUA considerou ilegais certas tarifas da administração Trump.

Cook deixa a empresa numa posição de força. A Apple ultrapassou recentemente a capitalização bolsista de 5 biliões de dólares, tornando-se apenas a segunda empresa a atingir esse marco, atrás apenas da Nvidia. Será substituído por John Ternus, que liderava a divisão de hardware. Mas a transição ocorre num momento em que a empresa enfrenta pressões reais. A escassez de chips de memória e processadores não é um problema passageiro — Cook já reconheceu que os aumentos de preço que chegaram aos computadores também chegarão aos iPhones. Isto significa que o crescimento de 22% nas vendas de smartphones pode estar próximo do seu pico, antes de uma possível desaceleração causada por preços mais altos. O mercado está atento.

A Apple orgulha-se de apresentar o melhor trimestre de junho de sempre, com crescimento de dois dígitos das receitas do iPhone, Mac e Serviços, e em todos os segmentos geográficos
— Tim Cook, CEO da Apple
Contáctanos FAQ