Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais para desenvolvimento de hardware

O negócio de hardware assenta sobre bases instáveis, corroído pelo roubo
A Apple descreve na queixa a fundação do projeto de hardware da OpenAI como comprometida por dependência ilegal de segredos comerciais.
Mark

O que torna este caso particularmente grave para a OpenAI neste momento?

Mimi

O timing é tudo. Estão a preparar-se para uma entrada em bolsa, e um processo desta magnitude sobre roubo de propriedade intelectual é exatamente o tipo de incerteza que os investidores temem. Pode atrasar ou até bloquear os planos.

Mark

Tang Yew Tan passou 24 anos na Apple. Como é que alguém com essa história consegue fazer isto?

Mimi

Porque conhece o sistema por dentro. Sabe quem contactar, como falar com engenheiros, que perguntas fazer. É precisamente por isso que a Apple o visou — ele era o elo perfeito entre os dois mundos.

Mark

A Apple diz que isto é "apenas a ponta do icebergue". O que é que isso significa?

Mimi

Significa que acreditam que descobriram apenas uma fração do que realmente aconteceu. Há provavelmente muito mais que não conseguem provar ou que ainda não viram.

Mark

Jony Ive não está acusado. Porquê?

Mimi

Porque Ive não é funcionário da Apple — é um parceiro independente. A lei protege menos as pessoas que já saíram da empresa. A Apple focou-se em quem estava dentro e tinha acesso direto aos segredos.

Mark

Se a OpenAI perde, quanto é que isto custa?

Mimi

Não é apenas dinheiro. É a credibilidade. É dizer ao mundo que a sua tecnologia de hardware foi construída sobre roubo. Nenhum consumidor quer isso, nenhum investidor quer isso.

Mark

A OpenAI diz que não tem interesse em segredos comerciais. Acreditam?

Mimi

Não. Se não tivessem interesse, não teriam contratado alguém que passou 24 anos na Apple para ser diretor de hardware. Essa contratação é a prova.

  • A Apple acusa a OpenAI de ter orquestrado uma campanha sistemática para extrair segredos comerciais através de entrevistas de emprego manipuladas — uma acusação que, se provada, representa uma das formas mais calculadas de espionagem corporativa do setor tecnológico.
  • Tang Yew Tan, com 24 anos de casa na Apple e agora diretor de hardware da OpenAI, está no centro da tempestade: a empresa de Cupertino alega que ele usou nomes de código confidenciais para fazer candidatos revelarem informações sobre produtos ainda não lançados.
  • A aquisição da io Products por 6,5 mil milhões de dólares — a startup cofundada por Tan e pelo lendário designer Jony Ive — surge agora sob suspeita, com a Apple a afirmar que o negócio de hardware da OpenAI assenta em fundações ilegais.
  • A OpenAI rejeita todas as acusações e mantém o discurso de empresa focada na inovação, mas o processo chega num momento de extrema vulnerabilidade: a empresa vale 852 mil milhões de dólares e preparava-se para entrar em bolsa.
  • A Apple avisa que as suas descobertas são 'apenas a ponta do icebergue', pedindo indemnização e uma injunção que impeça a OpenAI de continuar a usar as informações alegadamente roubadas.

No cruzamento entre a inovação tecnológica e a lealdade corporativa, a Apple abriu uma batalha judicial contra a OpenAI na Califórnia, acusando-a de transformar o recrutamento numa ferramenta de espionagem industrial. O caso coloca em evidência as tensões invisíveis que percorrem o ecossistema tecnológico quando antigos colaboradores transitam entre gigantes rivais, carregando consigo décadas de conhecimento acumulado. Mais do que uma disputa entre empresas, este processo interroga os limites éticos e legais da competição numa era em que a inteligência artificial redefine o valor dos segredos.

Na sexta-feira, a Apple entrou com uma ação judicial de 41 páginas contra a OpenAI num tribunal federal da Califórnia, descrevendo o que classifica como uma campanha coordenada para roubar segredos comerciais através do recrutamento de ex-funcionários. A empresa de Sam Altman rejeitou as acusações, afirmando estar focada no desenvolvimento de tecnologia inovadora e sem qualquer interesse em segredos alheios.

O nome mais visado é Tang Yew Tan, atual diretor de hardware da OpenAI, que passou 24 anos na Apple antes de cofundar a io Products — adquirida pela OpenAI por cerca de 6,5 mil milhões de dólares em 2025. A Apple alega que Tan usou nomes de código de projetos confidenciais durante entrevistas de emprego para extrair informações sobre produtos não comercializados, chegando a instruir candidatos a levarem componentes físicos como baterias e placas de circuito para esses encontros. O engenheiro Chang Liu, também ex-Apple, é igualmente visado.

A io Products havia sido fundada em 2024 por Jony Ive — o designer icónico por trás do iMac e do iPhone — em parceria com Tan e outros ex-executivos da Apple. Ive não é alvo do processo. A empresa está na origem do dispositivo de inteligência artificial que a OpenAI prepara para o mercado de consumo, fruto de uma parceria com Sam Altman iniciada discretamente em 2023.

A Apple afirma que as suas descobertas representam 'apenas a ponta do icebergue' e que o negócio de hardware da OpenAI 'assenta agora sobre as bases mais instáveis'. Depois de a OpenAI não ter respondido às preocupações levantadas em fevereiro, a Apple pediu indemnização e uma ordem judicial que proíba o uso das suas informações confidenciais. O processo surge num momento crítico: a OpenAI, avaliada em 852 mil milhões de dólares e com mais de 180 mil milhões angariados junto de investidores, preparava-se para uma entrada em bolsa — planos que esta batalha judicial pode comprometer significativamente.

Na sexta-feira, a Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI num tribunal federal da Califórnia, acusando a empresa de Sam Altman de orquestrar uma campanha sistemática para roubar segredos comerciais e informações sobre produtos ainda não lançados. A queixa, com 41 páginas, descreve um esforço agressivo e coordenado que teria envolvido a contratação de antigos funcionários da Apple e o uso de processos de recrutamento para extrair dados confidenciais destinados ao desenvolvimento de um dispositivo de hardware próprio. A OpenAI rejeitou as acusações, afirmando não ter interesse em segredos comerciais alheios e mantendo-se focada no desenvolvimento de tecnologia inovadora.

O alvo principal da ação é Tang Yew Tan, atual diretor de hardware da OpenAI, que passou 24 anos na Apple antes de ajudar a fundar a io Products, uma empresa de hardware que foi adquirida pela OpenAI por aproximadamente 6,5 mil milhões de dólares em 2025. Segundo a Apple, Tan teria utilizado nomes de código de projetos confidenciais durante entrevistas de emprego na OpenAI para extrair informações de candidatos sobre produtos da Apple ainda não comercializados. A empresa também alega que Tan instruiu funcionários da Apple a levarem componentes físicos, como baterias e placas de circuito, para essas mesmas entrevistas. Outro antigo funcionário da Apple visado no processo é o engenheiro Chang Liu.

A io Products, também nomeada na ação, foi fundada em 2024 por Jony Ive, o lendário designer que criou o iMac e o iPhone, em colaboração com Tang Tan e outros ex-executivos da Apple. Ive não é visado no processo. A parceria entre Ive e Sam Altman, diretor executivo da OpenAI, começou discretamente em 2023 e resultou na compra da io Products, que está na origem do dispositivo de inteligência artificial que a OpenAI está a preparar para o mercado consumidor.

A Apple descreve as suas descobertas como "apenas a ponta do icebergue" e sublinha que teve uma visão limitada do que ocorria internamente na OpenAI. Na queixa, a empresa afirma que o negócio incipiente de hardware da OpenAI "assenta agora sobre as bases mais instáveis, corroído pela sua dependência ilegal de segredos comerciais roubados". A Apple pediu uma indemnização e uma ordem judicial que proíba a OpenAI de usar as suas informações confidenciais, alegando que o processo se tornou necessário depois de a OpenAI não ter respondido às preocupações levantadas pela empresa em fevereiro.

Esta ação judicial chega num momento crítico para a OpenAI. A empresa, avaliada em 852 mil milhões de dólares, já angariou mais de 180 mil milhões de dólares junto de investidores e estava a preparar-se para uma entrada em bolsa. A expansão para o hardware de consumo era vista como uma grande oportunidade de crescimento, e este processo pode dificultar significativamente esses planos. A Apple, em comunicado enviado à AFP, afirmou estar determinada a defender "o trabalho árduo e as inovações das nossas equipas". A OpenAI, por sua vez, garantiu estar "concentrada no desenvolvimento de tecnologia inovadora que capacita as pessoas em todo o mundo", rejeitando qualquer interesse em segredos comerciais de outras empresas.

A todos os níveis, desde membros da equipa técnica até ao diretor de hardware, a OpenAI tem vindo a roubar segredos comerciais e informações confidenciais da Apple
— Apple, na queixa de 41 páginas
Não temos qualquer interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos concentrados no desenvolvimento de tecnologia inovadora
— OpenAI, em resposta às acusações
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