Sete anos após a Samsung inaugurar o mercado dos dobráveis, a Apple apresentou o iPhone Duo — um dispositivo que, ao dobrar-se, revela não apenas um ecrã maior, mas também as ambições renovadas de uma empresa a reposicionar-se num mercado global em contração. Sob a liderança estreante de John Ternus, a Apple sobe simultaneamente os preços dos seus modelos Pro e enfrenta resistência regulatória europeia ao seu novo Siri com inteligência artificial, traçando um retrato de uma empresa que aposta alto num momento de incerteza coletiva.
Apple lança iPhone Duo dobrável e aumenta preços dos modelos Pro
Outros criaram dobráveis que parecem dois telemóveis colados desajeitadamente
Porque é que a Apple entrou agora no mercado dos dobráveis, sete anos depois da Samsung? Parece uma decisão estranha para uma empresa que normalmente lidera.
A Apple raramente é primeira. O que faz é esperar até que uma categoria tenha potencial real, depois entra com um produto refinado. Os dobráveis ainda representam menos de 2% do mercado, mas a IDC prevê crescimento — e a Apple quer capturar esse crescimento.
Mas espera — a IDC prevê que a Apple capture um terço do mercado de dobráveis ainda este ano? Isso é uma previsão, não um facto. Não sabemos se vai acontecer.
Verdade. É uma estimativa. Mas o ponto é que a Apple vê potencial onde antes havia apenas um nicho.
E quanto aos preços? 2.000 dólares é muito dinheiro para um telemóvel, mesmo que seja dobrável.
É caro, sim. Mas a Huawei está a vender o seu Mate XT 2 a 2.560 euros, e a Xiaomi o seu 18 Fold a 1.410 euros. O iPhone Duo fica no meio.
Mas aqui está a questão: a Apple aumentou também os preços dos iPhone 18 Pro em 100 dólares. Isso é o primeiro aumento na linha principal desde a escassez de chips. A empresa diz que é por causa da IA, mas não justificou publicamente.
Então estão a usar a IA como desculpa para aumentar preços?
Não é bem assim. A Apple aumentou os preços dos Macs e iPads em junho, citando explicitamente o impacto da escassez de componentes provocada pela expansão da IA. É uma cadeia de abastecimento real, não uma desculpa inventada.
Certo, mas o mercado de smartphones está em contração. As entregas estão a cair. Aumentar preços quando a procura está a cair é uma aposta arriscada.
Será que o novo Siri com IA ajuda a justificar esses preços?
Teoricamente, sim. Mas há um problema: o Siri não estará disponível na União Europeia para telemóveis no lançamento. A Apple está em disputa com Bruxelas sobre privacidade de dados.
E isso é importante porque a UE é um mercado enorme para a Apple. Se o Siri não funciona lá, o argumento de venda fica enfraquecido.
El Pulso
- A Apple entrou tardiamente no mercado dos dobráveis, mas fê-lo com um preço de 2.000 dólares e a promessa de superar os concorrentes que, segundo Ternus, 'colaram dois telemóveis de forma desajeitada'.
- Os modelos iPhone 18 Pro e Pro Max ficaram 100 dólares mais caros, o primeiro aumento na linha principal em anos, sem justificação pública — num mercado global de smartphones em queda histórica.
- As rivais chinesas Huawei e Xiaomi já anteciparam o movimento da Apple, lançando os seus próprios dobráveis dias antes, intensificando a corrida num nicho que ainda representa menos de 2% das vendas globais.
- O novo Siri com IA será lançado em setembro, mas não chegará à União Europeia em telemóveis, tablets ou relógios, bloqueado por uma disputa regulatória sobre privacidade de dados que divide Bruxelas e Cupertino.
- As funções de IA mais avançadas terão limites diários de utilização, com a Apple a sugerir que um acesso mais amplo será cobrado no futuro — sinalizando uma nova camada de monetização sobre os seus serviços.
Sete anos após a Samsung inaugurar o mercado dos dobráveis, a Apple apresentou o iPhone Duo — um dispositivo que, ao dobrar-se, revela não apenas um ecrã maior, mas também as ambições renovadas de uma empresa a reposicionar-se num mercado global em contração. Sob a liderança estreante de John Ternus, a Apple sobe simultaneamente os preços dos seus modelos Pro e enfrenta resistência regulatória europeia ao seu novo Siri com inteligência artificial, traçando um retrato de uma empresa que aposta alto num momento de incerteza coletiva.
A Apple apresentou esta semana o iPhone Duo, o seu primeiro telemóvel dobrável, marcando a estreia de John Ternus como rosto público da empresa. Com o tamanho de um passaporte fechado e um ecrã que se desdobra à dimensão de um iPad, o dispositivo chega ao mercado a 23 de outubro por cerca de 2.000 dólares — uma entrada tardia num segmento que a Samsung inaugurou há sete anos, mas que a consultora IDC prevê que a Apple domine em quase um terço ainda este ano.
Ao mesmo tempo, a Apple aumentou em 100 dólares os preços dos iPhone 18 Pro e Pro Max, fixando-os em 1.199 e 1.299 dólares respetivamente. É o primeiro reajuste na linha principal desde as perturbações nas cadeias de abastecimento, e a empresa não ofereceu explicação pública — embora em meses anteriores tenha citado o impacto da expansão da inteligência artificial como fator de pressão nos custos. Notavelmente, nenhum modelo iPhone 18 padrão foi apresentado no evento.
O contexto é de mercado em contração: as entregas globais de smartphones caem, os preços sobem, e os dobráveis surgem como a única categoria com crescimento previsto. As concorrentes chinesas já se anteciparam — a Huawei lançou o Mate XT 2 a partir de 2.560 euros e a Xiaomi o seu 18 Fold a partir de 1.410 euros, ambos dias antes do anúncio da Apple.
O novo Siri com inteligência artificial será lançado em versão de teste a 14 de setembro em inglês, com versões em português e outras línguas previstas para outubro. Porém, não estará disponível na União Europeia para telemóveis, tablets ou relógios: a Apple está em disputa com Bruxelas sobre privacidade de dados, alegando que a exigência europeia de abrir os seus dispositivos a assistentes concorrentes viola a privacidade dos utilizadores. As funções de IA mais sofisticadas terão ainda limites diários de utilização, com acesso alargado prometido mediante pagamento futuro. A Apple tenta assim posicionar-se ao mesmo tempo como inovadora em hardware, defensora da privacidade e justificadora de preços mais altos — num momento em que o mercado e os reguladores lhe exigem respostas em várias frentes.
A Apple entrou esta semana no mercado dos telemóveis dobráveis com o iPhone Duo, um movimento que marca simultaneamente a estreia do novo executivo John Ternus na liderança da empresa e um reposicionamento agressivo nos preços. O anúncio, feito na quarta-feira passada, vem acompanhado de aumentos de 100 dólares nos modelos iPhone 18 Pro e Pro Max — o primeiro reajuste na linha principal desde que a escassez de componentes começou a pressionar as cadeias de abastecimento globais.
O iPhone Duo, com o tamanho de um passaporte, desdobra-se para revelar um ecrã que a Apple descreve como tão natural e intuitivo quanto o de um iPad. Ternus, apresentando o dispositivo num vídeo pré-gravado, criticou diretamente os concorrentes, afirmando que "outros criaram dobráveis que parecem dois telemóveis colados de forma desajeitada um ao outro". O aparelho chega ao mercado a partir de 23 de outubro, com um preço de cerca de 2.000 dólares, ou 1.718 euros. Isto representa uma entrada tardia no segmento — a Samsung apresentou o seu primeiro dobrável sete anos antes — mas num nicho que ainda representa menos de 2% das vendas globais de smartphones. Apesar desta fatia reduzida, a consultora IDC prevê que a Apple capture quase um terço deste mercado ainda este ano.
Os preços dos iPhone 18 Pro e Pro Max foram fixados em 1.199 e 1.299 dólares, respetivamente — 1.030 e 1.116 euros. Estes valores representam um aumento de 100 dólares face aos preços de lançamento da linha anterior. A Apple não forneceu justificação pública para este reajuste, embora em junho tenha aumentado os preços dos seus Macs e iPads, citando explicitamente o impacto da escassez de componentes provocada pela expansão da inteligência artificial. Em julho, a empresa tinha alertado que os smartphones também sofreriam reajustes. Notavelmente, a Apple não apresentou um modelo iPhone 18 padrão neste evento, focando-se exclusivamente na gama Pro.
O contexto de mercado é de contração. As entregas globais de smartphones registam uma queda sem precedentes, e os preços estão a subir. Neste cenário, os telemóveis dobráveis emergem como a única categoria com previsão de crescimento — precisamente porque a Apple está agora a entrar. As concorrentes chinesas já tinham antecipado este movimento. A Huawei apresentou na segunda-feira o seu Mate XT 2, um dobrável de três dobras, a partir de 19.999 yuan (2.560 euros). A Xiaomi lançou o seu 18 Fold a partir de 10.999 yuan (1.410 euros).
A Apple afirma ter reduzido significativamente a marca da dobra a meio do ecrã — a principal crítica dirigida aos dobráveis existentes — e promete uma estrutura em titânio. O novo assistente Siri com inteligência artificial, apresentado em junho, será lançado em versão de teste a 14 de setembro em inglês, seguindo-se versões em francês, coreano, japonês, espanhol e português em outubro. No entanto, enfrenta restrições regulatórias significativas. Não estará disponível na União Europeia para telemóveis, tablets e relógios no lançamento. A Apple está em disputa com Bruxelas sobre questões de privacidade de dados — a empresa alega que a exigência europeia de abrir os seus dispositivos a assistentes de IA concorrentes viola a privacidade dos utilizadores, enquanto a UE vê a medida como necessária para impedir abusos de posição dominante.
Além disso, as funções de IA mais sofisticadas terão limites diários de utilização, embora a Apple tenha indicado que "um acesso alargado será oferecido mediante pagamento no futuro". Na sua apresentação inicial, Ternus destacou extensamente a proteção de dados, contrastando a abordagem da Apple com a de "outros", que, segundo ele, veem os dados "como algo a ser recolhido e armazenado". A empresa também apresentou novos relógios Apple Watch Series 12 e Ultra 4, bem como auscultadores AirPods 5. O que fica claro é que a Apple está a tentar reposicionar-se simultaneamente como inovadora em hardware dobrável, defensora da privacidade contra reguladores europeus, e justificadora de preços mais altos num mercado em contração.
Citas Notables
Outros criaram dobráveis que parecem dois telemóveis colados de forma desajeitada um ao outro— John Ternus, novo executivo da Apple
Um acesso alargado será oferecido mediante pagamento no futuro— Apple, sobre as funções de IA mais sofisticadas