Os abusos ocorreram durante quatro anos numa banda filarmónica, com o agressor aproveitando deslocações para intensificar o controlo e manipulação da vítima. A família só descobriu quando o comportamento de Ema se tornou violento e agressivo, sinais de trauma psicológico que levaram a internamento hospitalar.
Jovem relata quatro anos de abuso sexual: agressor condenado com pena suspensa
Ele brincava comigo como uma boneca de trapos
Como é que uma criança de nove anos não fala sobre algo assim durante quatro anos?
Ema explica que estava a ser controlada e manipulada por um homem muito mais velho. Ele tinha poder sobre ela. Chegou um ponto em que não sabia o que fazer — ele tinha-a na mão.
A família não viu sinais?
Viram, mas não compreenderam o que significavam. A mãe descreve uma mudança violenta no comportamento — agressividade, gritos, comportamento que parecia vir do nada. Só depois é que perceberam que era trauma.
E o agressor?
Trinta anos, tocava trombone na mesma banda. Aproveitava as deslocações para a isolar. Começou com gestos que pareciam amigáveis, depois intensificou.
Qual foi a sentença?
Três anos de prisão com pena suspensa. Continua a viver normalmente. Ema sente que não houve justiça — as provas todas foram confirmadas, mas ele não pagou realmente.
E agora, aos dezenove anos?
Carrega com sequelas graves. Não consegue relacionar-se com homens. Um abraço, um toque — tudo a assusta ou a machuca. Até com o pai tem dificuldade. Disse que a vida nunca mais foi a mesma.
O Pulso
- Abuso sexual entre os 9 e os 13 anos numa banda filarmónica
- Agressor condenado a três anos de prisão com pena suspensa
- Ema internada em Psiquiatria; sequelas duradouras aos 19 anos
Os abusos ocorreram durante quatro anos numa banda filarmónica, com o agressor aproveitando deslocações para intensificar o controlo e manipulação da vítima. A família só descobriu quando o comportamento de Ema se tornou violento e agressivo, sinais de trauma psicológico que levaram a internamento hospitalar.
Ema, agora com 19 anos, revelou em exclusivo ter sido abusada sexualmente entre os 9 e 13 anos por um membro de uma banda filarmónica. O agressor foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa.
Ema tinha nove anos quando um homem mais velho começou a aproximar-se dela na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão. Ele tocava trombone. O que ela interpretou como amizade transformou-se, ao longo dos meses, em algo físico — beijos, toques no pescoço e nos braços. Durante quatro anos, até aos treze, os abusos continuaram. Ninguém sabia.
As deslocações da banda para atuar em diferentes localidades tornavam-se oportunidades. Enquanto os outros membros se espalhavam pela localidade, ele a isolava num canto, falava com ela, mantinha-a perto. Ema descreve o processo como uma progressão deliberada: começou com gestos que pareciam amigáveis, mas que, olhando para trás aos dezenove anos, reconhece como o início de um padrão de controlo. "Ele brincava comigo como uma boneca de trapos", disse.
A família não desconfiou de nada até que o comportamento de Ema mudou de forma violenta. A mãe relata uma transformação perturbadora: a filha tornou-se agressiva, gritava, queria agredir os pais. Era como se tivesse um botão que carregava e se tornava uma pessoa completamente diferente. A força que usava era tanta que os pais chegaram a ter medo de estar com ela. Ema foi internada na ala de Psiquiatria de um hospital. Só então a verdade emergiu.
O agressor, com trinta anos à data do julgamento, foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa. Continua a fazer uma vida normal, como se nada tivesse acontecido. Para Ema e para a sua família, a sentença não representou justiça. "Todas as provas foram entregues e todas as provas foram confirmadas. Três anos de pena suspensa na minha cabeça não faz sentido", disse a jovem. "Eu pensei que ele iria pagar de alguma forma. Acho muito injusto porque não têm noção de como a vítima realmente fica."
Aos dezenove anos, Ema continua a carregar as marcas do que lhe foi feito. Nunca conseguiu relacionar-se com homens. Um toque simples, um abraço, uma mão no ombro — tudo traz memórias más. Tem dificuldade em lidar com o próprio pai. A ideia de começar uma conversa com alguém do sexo masculino causa-lhe muito medo. "Tenho muita pena de não conseguir ter um contacto mais forte e mais aberto com o meu, porque as coisas conseguiram magoar-me até esse ponto", confessou. O tempo, disse, não apaga a dor. A vida nunca mais foi a mesma.
Citações Notáveis
Três anos de pena suspensa na minha cabeça não faz sentido. Eu pensei que ele iria pagar de alguma forma.— Ema, vítima
Era como se tivesse um botão em que carregava e se tornava uma pessoa completamente diferente. Queria agredir-nos.— Mãe de Ema