Jovem relata quatro anos de abuso sexual: agressor condenado com pena suspensa

Ema sofreu abuso sexual contínuo durante quatro anos na infância, resultando em trauma psicológico grave, internamento hospitalar, comportamento agressivo e dificuldades relacionais duradouras na vida adulta.
Ele brincava comigo como uma boneca de trapos
Ema descreve como o agressor a controlava e manipulava durante os quatro anos de abuso.
Mark

Como é que uma criança de nove anos não fala sobre algo assim durante quatro anos?

Mimi

Ema explica que estava a ser controlada e manipulada por um homem muito mais velho. Ele tinha poder sobre ela. Chegou um ponto em que não sabia o que fazer — ele tinha-a na mão.

Mark

A família não viu sinais?

Mimi

Viram, mas não compreenderam o que significavam. A mãe descreve uma mudança violenta no comportamento — agressividade, gritos, comportamento que parecia vir do nada. Só depois é que perceberam que era trauma.

Mark

E o agressor?

Mimi

Trinta anos, tocava trombone na mesma banda. Aproveitava as deslocações para a isolar. Começou com gestos que pareciam amigáveis, depois intensificou.

Mark

Qual foi a sentença?

Mimi

Três anos de prisão com pena suspensa. Continua a viver normalmente. Ema sente que não houve justiça — as provas todas foram confirmadas, mas ele não pagou realmente.

Mark

E agora, aos dezenove anos?

Mimi

Carrega com sequelas graves. Não consegue relacionar-se com homens. Um abraço, um toque — tudo a assusta ou a machuca. Até com o pai tem dificuldade. Disse que a vida nunca mais foi a mesma.

  • Abuso sexual entre os 9 e os 13 anos numa banda filarmónica
  • Agressor condenado a três anos de prisão com pena suspensa
  • Ema internada em Psiquiatria; sequelas duradouras aos 19 anos

Os abusos ocorreram durante quatro anos numa banda filarmónica, com o agressor aproveitando deslocações para intensificar o controlo e manipulação da vítima. A família só descobriu quando o comportamento de Ema se tornou violento e agressivo, sinais de trauma psicológico que levaram a internamento hospitalar.

Ema, agora com 19 anos, revelou em exclusivo ter sido abusada sexualmente entre os 9 e 13 anos por um membro de uma banda filarmónica. O agressor foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa.

Ema tinha nove anos quando um homem mais velho começou a aproximar-se dela na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão. Ele tocava trombone. O que ela interpretou como amizade transformou-se, ao longo dos meses, em algo físico — beijos, toques no pescoço e nos braços. Durante quatro anos, até aos treze, os abusos continuaram. Ninguém sabia.

As deslocações da banda para atuar em diferentes localidades tornavam-se oportunidades. Enquanto os outros membros se espalhavam pela localidade, ele a isolava num canto, falava com ela, mantinha-a perto. Ema descreve o processo como uma progressão deliberada: começou com gestos que pareciam amigáveis, mas que, olhando para trás aos dezenove anos, reconhece como o início de um padrão de controlo. "Ele brincava comigo como uma boneca de trapos", disse.

A família não desconfiou de nada até que o comportamento de Ema mudou de forma violenta. A mãe relata uma transformação perturbadora: a filha tornou-se agressiva, gritava, queria agredir os pais. Era como se tivesse um botão que carregava e se tornava uma pessoa completamente diferente. A força que usava era tanta que os pais chegaram a ter medo de estar com ela. Ema foi internada na ala de Psiquiatria de um hospital. Só então a verdade emergiu.

O agressor, com trinta anos à data do julgamento, foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa. Continua a fazer uma vida normal, como se nada tivesse acontecido. Para Ema e para a sua família, a sentença não representou justiça. "Todas as provas foram entregues e todas as provas foram confirmadas. Três anos de pena suspensa na minha cabeça não faz sentido", disse a jovem. "Eu pensei que ele iria pagar de alguma forma. Acho muito injusto porque não têm noção de como a vítima realmente fica."

Aos dezenove anos, Ema continua a carregar as marcas do que lhe foi feito. Nunca conseguiu relacionar-se com homens. Um toque simples, um abraço, uma mão no ombro — tudo traz memórias más. Tem dificuldade em lidar com o próprio pai. A ideia de começar uma conversa com alguém do sexo masculino causa-lhe muito medo. "Tenho muita pena de não conseguir ter um contacto mais forte e mais aberto com o meu, porque as coisas conseguiram magoar-me até esse ponto", confessou. O tempo, disse, não apaga a dor. A vida nunca mais foi a mesma.

Três anos de pena suspensa na minha cabeça não faz sentido. Eu pensei que ele iria pagar de alguma forma.
— Ema, vítima
Era como se tivesse um botão em que carregava e se tornava uma pessoa completamente diferente. Queria agredir-nos.
— Mãe de Ema
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