Anvisa autoriza testes em humanos de vacina 100% brasileira contra malária

A malária afetou 9,9 milhões de pessoas no mundo no ano passado, com 118 mil casos no Brasil em 2026, principalmente na região amazônica, causando febre, anemia e comprometimento de órgãos em casos graves.
100% de eficácia em laboratório. Agora, isso tem que ser testado em humano.
Ricardo Gazzinelli explica o próximo passo crucial para a vacina brasileira contra malária.
Mark

Por que essa vacina é diferente das outras que já existem contra malária?

Mimi

Ela não foi feita para combater apenas uma variante do parasita. A Vivaxin codifica pedaços de várias variantes diferentes, então oferece proteção mais ampla. Em laboratório, alcançou 100% de eficácia.

Luke

Mas 100% em laboratório é bem diferente de 100% em pessoas. É por isso que precisam dos testes clínicos agora.

Mark

Quantas pessoas vão participar dessa primeira fase?

Mimi

Quarenta e oito voluntários, entre 18 e 59 anos. Metade recebe a vacina em três doses, metade recebe placebo. Vão ser acompanhados por um ano inteiro no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte.

Luke

Quarenta e oito é um número pequeno para uma primeira fase, mas é típico. O que importa é que metade recebe placebo, então conseguem medir o efeito real.

Mark

Quando essa vacina poderia estar disponível para a população?

Mimi

Se tudo correr bem, entre cinco e sete anos. Mas isso depende das próximas fases, que vão acontecer na Amazônia com mais de 300 voluntários.

Luke

Cinco a sete anos é uma estimativa otimista. Muitas vacinas enfrentam atrasos. Mas é bom ter um horizonte claro.

Mark

Por que a malária é tão importante no Brasil agora?

Mimi

Em 2026, o Brasil teve 118 mil casos, quase todos na Amazônia. No mundo, foram 9,9 milhões de pessoas afetadas. É uma doença que mata e deixa sequelas graves.

Luke

Esses números são do ano passado, então a situação pode ter mudado. Mas sim, a malária segue sendo um problema de saúde pública real, especialmente na região amazônica.

  • A malária infectou 118 mil brasileiros só em 2026, quase todos na Amazônia, e continua sem vacina específica para o parasita mais prevalente nas Américas.
  • A Vivaxin rompe com abordagens anteriores ao codificar múltiplas variantes do Plasmodium vivax, alcançando 100% de eficácia nos testes laboratoriais — mas o salto para o corpo humano ainda precisa ser validado.
  • Quarenta e oito voluntários iniciam agora um ano de acompanhamento no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, divididos entre doses reais e placebo, para medir segurança e resposta imunológica.
  • Se os dados forem favoráveis, fases seguintes levarão a vacina para mais de 300 voluntários na Amazônia — o território onde a doença é mais cruel e onde a prova definitiva precisa acontecer.
  • A chegada da Vivaxin aos postos de saúde é projetada para daqui a cinco a sete anos, um horizonte que exige que tudo corra bem — e que mantém a urgência viva em cada etapa do caminho.

Após quinze anos de pesquisa silenciosa nos laboratórios brasileiros, a ciência nacional alcança um limiar histórico: a Anvisa autorizou os primeiros testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida pela UFMG contra o Plasmodium vivax — o parasita que adoece milhões nas Américas e que, até hoje, nunca teve um imunizante específico. É um momento em que a paciência da investigação encontra a urgência do sofrimento humano, abrindo uma possibilidade concreta de proteção para populações que há gerações convivem com a malária como destino inevitável.

A Anvisa autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina inteiramente brasileira contra a malária, desenvolvida ao longo de 15 anos por cientistas da UFMG em parceria com a USP e o laboratório Cristália. O que distingue o imunizante é sua arquitetura: em vez de mirar uma única variante do parasita, a Vivaxin foi projetada para codificar fragmentos de diferentes cepas do Plasmodium vivax, o principal causador da doença no Brasil. Nos testes laboratoriais, a eficácia chegou a 100% — mas, como resume o coordenador Ricardo Gazzinelli, validar esses resultados em pessoas reais é o próximo e decisivo passo.

A primeira fase clínica reunirá 48 voluntários entre 18 e 59 anos no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Metade receberá três doses da vacina; a outra metade, um placebo. O acompanhamento durará um ano e terá foco em segurança e resposta imunológica. Se os resultados forem promissores, o projeto avança para fases na região amazônica, com mais de 300 participantes — o cenário onde a doença é mais intensa e onde a vacina precisará provar seu valor real.

O peso do contexto é dado pelos números: 118 mil casos de malária no Brasil em 2026, quase todos na Amazônia, e 9,9 milhões de infectados no mundo no ano anterior. Nos casos graves, a doença compromete a consciência, provoca anemia severa e danifica órgãos vitais. Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, destacou que a Vivaxin será a primeira vacina do mundo desenvolvida especificamente contra o Plasmodium vivax — com potencial de impacto não apenas no Brasil, mas em todos os países das Américas onde o parasita circula. A projeção é que o imunizante chegue aos postos de saúde em cinco a sete anos, se cada etapa confirmar o que os laboratórios já indicam.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde para o início dos testes em humanos de uma vacina contra malária inteiramente desenvolvida no Brasil. O imunizante, chamado Vivaxin, é fruto de 15 anos de trabalho em laboratório conduzido por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais, em colaboração com pesquisadores da USP e o laboratório farmacêutico Cristália.

O que distingue essa vacina de outras já existentes é sua abordagem: ela foi desenhada para codificar fragmentos de diferentes variantes do parasita Plasmodium vivax, o principal causador de malária no Brasil. Diferentemente de imunizantes que visam apenas uma única variante, a Vivaxin oferece proteção mais ampla. Ricardo Gazzinelli, coordenador do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, resume o momento: os testes de laboratório alcançaram 100% de eficácia, mas agora é preciso validar esses resultados em pessoas de verdade.

A primeira fase clínica envolverá 48 voluntários com idades entre 18 e 59 anos. Eles serão acompanhados durante um ano no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Metade receberá três doses da vacina; a outra metade, grupo de controle, receberá um placebo — uma substância inerte que permite aos pesquisadores medir se a resposta imunológica vem realmente do imunizante e não de fatores externos. O objetivo dessa etapa é avaliar segurança e resposta imunológica.

Se os resultados forem promissores, o projeto avança para as duas fases seguintes, que ocorrerão na região amazônica e envolverão mais de 300 voluntários. Caso tudo transcorra conforme esperado, os cientistas pretendem solicitar o registro definitivo à Anvisa para iniciar a produção em larga escala. A projeção é que a vacina chegue aos postos de saúde entre cinco e sete anos.

O contexto que torna esse desenvolvimento urgente é claro nos números. Em 2026, o Brasil registrou 118 mil casos de malária, quase todos concentrados na Amazônia. Globalmente, a doença afetou 9,9 milhões de pessoas no ano anterior. Os sintomas incluem febre, fadiga, náusea, dores de cabeça e no corpo, perda de apetite e icterícia. Quando o tratamento é retardado, a forma grave pode causar alteração da consciência, anemia severa e danificar órgãos vitais como fígado e baço.

Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, enfatizou a relevância global da iniciativa. A malária causada pelo Plasmodium vivax afeta todas as Américas, e a Vivaxin será a primeira vacina do mundo desenvolvida especificamente para esse tipo de parasita. Para Safatle, trata-se de um avanço com potencial impacto significativo na saúde pública internacional, com possibilidade de contribuir para a erradicação da doença em múltiplos continentes.

Ela codifica pedaços das diferentes variantes do parasita. O que nós fizemos no laboratório deu 100%. Agora, isso tem que ser testado em humano.
— Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas/UFMG
É a primeira vacina do mundo sendo desenvolvida para esse tipo de malária. É um avanço muito importante. A gente está falando aqui de um impacto de saúde pública global bastante importante.
— Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa
Quieres la nota completa? Lee el original en G1 ↗
Contáctanos FAQ