Anvisa autoriza testes de vacina brasileira inédita contra malária vivax

A malária vivax causou 39 óbitos no Brasil em 2025 e pode provocar complicações graves como anemia, problemas respiratórios e ruptura do baço.
Primeira vacina brasileira contra um tipo que ainda não tem imunizante no mundo
A Vivaxin é a primeira vacina aprovada para testes em humanos contra a malária vivax, para a qual nenhuma vacina foi aprovada globalmente.
Mark

Por que essa vacina é tão diferente das que já existem?

Mimi

As duas vacinas contra malária que temos no mundo foram desenvolvidas para o Plasmodium falciparum, que é mais letal mas menos comum nas Américas e na Ásia. A vivax é o tipo que realmente circula aqui no Brasil — 85% dos casos — e nunca teve uma vacina aprovada contra ela.

Luke

Mas por que ninguém desenvolveu uma antes? É uma questão de mercado ou de dificuldade técnica?

Mimi

Provavelmente os dois. A malária falciparum mata mais pessoas em números absolutos porque é mais comum na África, onde há mais recursos de pesquisa. A vivax é mais comum nas Américas, que têm menos casos totais.

Mark

E essa tecnologia de proteína recombinante — é nova ou já foi usada em outras vacinas?

Mimi

Já foi usada em outras vacinas, mas a aplicação específica para a vivax é inédita. O que eles fizeram foi produzir em laboratório uma proteína que imita a superfície do parasita.

Luke

Então estamos falando de uma tecnologia comprovada aplicada a um novo alvo. Isso aumenta as chances de sucesso?

Mimi

Teoricamente sim, mas ainda estamos na fase 1. Temos 48 pessoas, metade recebendo placebo, e o objetivo agora é apenas verificar se é segura e se gera anticorpos.

Mark

E se passar nessa fase?

Mimi

Vai para fase 2 e 3, com muito mais voluntários, para testar se realmente funciona contra a doença.

Luke

Quanto tempo isso leva?

Mimi

Não há prazo definido no que foi divulgado, mas geralmente leva anos. O Brasil tem meta de eliminar a malária até 2035, então há urgência, mas também há realismo sobre o tempo que pesquisa leva.

  • Nenhuma vacina aprovada no mundo protege contra a malária vivax — e é exatamente essa lacuna que a Vivaxin tenta preencher, tornando o projeto uma aposta científica sem precedentes globais.
  • O parasita Plasmodium vivax tem um comportamento traiçoeiro: pode se esconder dormente no fígado por meses e reativar a doença sem nova picada de mosquito, dificultando o controle e o tratamento.
  • Em 2025, o Brasil registrou 118 mil casos de malária, 39 mortes e uma concentração de 99% dos casos na Amazônia — números que dão urgência concreta ao desenvolvimento de um imunizante eficaz.
  • A fase 1, com 48 participantes saudáveis testando três dosagens diferentes em esquema duplo-cego, vai determinar se a vacina é segura o suficiente para avançar a estudos maiores de eficácia.
  • Se aprovada ao longo das fases seguintes, a Vivaxin poderá se tornar peça central no Plano Nacional de Eliminação da Malária, que tem como meta interromper a transmissão local até 2035.

Em um país onde a malária vivax responde por 85% dos casos da doença, pesquisadores brasileiros chegaram a um limiar histórico: pela primeira vez, uma vacina desenvolvida no Brasil contra esse parasita específico recebeu autorização para ser testada em seres humanos. A Anvisa aprovou o início dos estudos clínicos de fase 1 da Vivaxin, criada por cientistas da UFMG, USP e laboratório Cristália, abrindo um caminho que nenhuma vacina no mundo percorreu até hoje contra o Plasmodium vivax. O que começa com 48 voluntários em Belo Horizonte pode, se a ciência confirmar segurança e eficácia, transformar a luta contra uma doença que ainda mata e adoece dezenas de milhares de brasileiros por ano.

A Anvisa autorizou nesta quarta-feira o início dos testes clínicos em humanos da Vivaxin, a primeira vacina brasileira desenvolvida contra a malária vivax — o tipo mais comum da doença no país e para o qual não existe nenhum imunizante aprovado no mundo. O produto é resultado de uma parceria entre o CTVacinas, grupo vinculado à UFMG, a Universidade de São Paulo e o laboratório Cristália. Sua tecnologia se baseia em uma proteína recombinante que replica estruturas da superfície do Plasmodium vivax, ensinando o sistema imunológico a reconhecer e combater o parasita antes que ele cause dano real.

A fase 1 autorizada pela Anvisa envolve 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos e sem histórico de malária. Divididos em dois grupos — um recebendo a vacina, outro recebendo placebo —, os participantes serão acompanhados por cerca de um ano no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Três dosagens diferentes serão testadas, em esquema de três doses com intervalo de 28 dias. O objetivo principal desta etapa é confirmar a segurança do imunizante e verificar se ele induz a produção de anticorpos.

O contexto torna o desenvolvimento ainda mais relevante: as duas vacinas contra malária recomendadas pela OMS — RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M — combatem o Plasmodium falciparum, predominante na África e mais letal, mas pouco frequente nas Américas. No Brasil, o vivax representa cerca de 85% dos 118 mil casos registrados em 2025, quase todos na Amazônia. A doença causou 39 mortes no ano passado e pode provocar complicações graves, além de recaídas meses após a infecção inicial, pois o parasita consegue permanecer dormente no fígado.

Se a fase 1 confirmar segurança, a Vivaxin avançará para estudos maiores de eficácia. Uma vacina bem-sucedida poderia se tornar ferramenta estratégica no Plano Nacional de Eliminação da Malária, que prevê interromper a transmissão local da doença até 2035. Por ora, tudo depende do que acontecer nos próximos meses com 48 pessoas em Belo Horizonte.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou nesta quarta-feira o início dos testes em humanos de uma vacina brasileira contra a malária vivax — o tipo mais comum no Brasil e para o qual ainda não existe um imunizante aprovado em nenhum lugar do mundo. O produto, chamado Vivaxin, foi desenvolvido por pesquisadores do CTVacinas, um grupo vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Universidade de São Paulo e o laboratório Cristália. A tecnologia por trás da vacina funciona de forma relativamente direta: os cientistas produziram em laboratório uma proteína que replica variantes de uma proteína presente na superfície do parasita Plasmodium vivax, o causador dessa forma da doença. Quando injetada, essa proteína atua como uma apresentação do invasor ao sistema imunológico, estimulando o corpo a produzir anticorpos capazes de reconhecer e combater o parasita se a pessoa tiver contato real com ele.

A autorização da Anvisa cobre os estudos clínicos de fase 1, etapa que se concentra principalmente em avaliar a segurança de um novo medicamento ou vacina. No caso de um imunizante, essa fase também busca verificar se o produto realmente induziu a produção de anticorpos contra o alvo pretendido. De acordo com a UFMG, o protocolo de pesquisa prevê 48 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia por malária. Os cientistas vão testar três dosagens diferentes da vacina para determinar qual se mostra mais segura e potencialmente eficaz. Os voluntários serão divididos em dois grupos: um receberá a Vivaxin, enquanto o outro receberá placebo. Nenhum dos participantes saberá em qual grupo está. O esquema estudado prevê três doses da vacina, com intervalo de 28 dias entre elas.

O estudo será realizado no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, e os voluntários serão acompanhados por cerca de um ano. Se a fase 1 demonstrar que a vacina é segura, ela avançará para as fases 2 e 3 dos testes clínicos, que envolvem um número bem maior de voluntários e buscam avaliar a eficácia do imunizante, além de continuar monitorando sua segurança.

O contexto que torna esse desenvolvimento significativo é que as duas vacinas contra malária atualmente recomendadas pela Organização Mundial da Saúde — RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M — têm como alvo o Plasmodium falciparum, o tipo mais grave e letal da doença, cuja ocorrência é mais comum na África. Embora o falciparum esteja associado à maioria dos casos graves, a malária vivax também pode ser séria: pode levar à morte e causar complicações como anemia grave, problemas respiratórios e ruptura do baço. Além disso, o Plasmodium vivax tem uma característica que torna o controle e o tratamento mais desafiadores — o parasita pode ficar dormente no fígado por meses e voltar a provocar episódios de malária, mesmo sem uma nova transmissão.

No Brasil, a malária vivax é predominante. O país registrou 118 mil casos de malária no ano passado, dos quais cerca de 85% foram do tipo vivax, e 99% ocorreram na região amazônica. A doença causou 39 óbitos em 2025. A transmissão ocorre principalmente pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, e os sintomas mais comuns incluem febre, calafrios e dor de cabeça.

O CTVacinas destaca que o Brasil mantém um Plano Nacional de Eliminação da Malária, com a meta de interromper a transmissão local da doença até 2035. Uma vacina contra o Plasmodium vivax, caso demonstre sua segurança e eficácia ao longo do desenvolvimento, poderá acrescentar uma ferramenta importante às estratégias de controle existentes. Por enquanto, o próximo passo é simples: 48 pessoas em Belo Horizonte receberão injeções e serão observadas. O que acontecer nos próximos meses determinará se essa vacina segue adiante ou se retorna ao laboratório.

Uma vacina contra o Plasmodium vivax, caso tenha sua segurança e eficácia demonstradas, poderá acrescentar uma ferramenta às estratégias de controle
— CTVacinas
Contattaci Domande frequenti