Anvisa autoriza fase 2 de testes da vacina SpiN-Tec, desenvolvida pela UFMG

Uma aposta brasileira de longa data em um imunizante 100% nacional
A SpiN-Tec representa o primeiro esforço bem-sucedido do Brasil em desenvolver uma vacina contra a Covid do zero.
Mark

Por que essa autorização da Anvisa importa agora, em 2023, quando já temos várias vacinas disponíveis?

Mimi

Porque é sobre soberania sanitária. O Brasil desenvolveu uma vacina do zero, com pesquisadores brasileiros, em laboratórios brasileiros. Se funcionar, não dependemos de importação para futuras variantes ou pandemias.

Luke

Mas precisamos ser claros: estamos na fase 2 de testes. Ainda há dois passos até aprovação final. E o prazo de final de 2024 é uma meta, não uma garantia.

Mark

Quantas pessoas vão participar dessa fase 2?

Mimi

372 voluntários, recrutados em três centros em Belo Horizonte. É um número significativo para começar a entender como o corpo responde em uma população maior.

Luke

Importante notar que todos esses voluntários já foram vacinados antes. Não estamos testando em pessoas sem exposição prévia ao vírus ou às vacinas existentes.

Mark

Qual é a diferença entre essa fase 2 e o que já foi feito?

Mimi

Na fase 1, testaram segurança básica e se a vacina provocava alguma resposta imunológica. Agora querem confirmar esses dados em mais gente e refinar o entendimento de como o sistema imunológico reage.

Luke

E há um detalhe importante: estão usando a dose que funcionou melhor na fase 1. Descartaram as outras. Isso reduz variáveis, mas também significa que já fizeram escolhas sobre qual caminho seguir.

Mark

A ButanVac está mais avançada ou menos?

Mimi

Ambas estão na fase 2, então estão no mesmo ponto. Mas a ButanVac começou seus testes dessa fase em junho, então tecnicamente tem alguns meses de vantagem.

Luke

Embora o Butantan tenha relatado dificuldades para recrutar voluntários. Não sabemos se a UFMG vai enfrentar o mesmo problema. Recrutamento é uma variável real que pode atrasar cronogramas.

Mark

Se tudo correr bem, quando teremos a vacina?

Mimi

O objetivo é final de 2024. Mas isso pressupõe que a fase 2 saia conforme planejado e que a fase 3 — que ainda não começou — também avance sem problemas.

Luke

E depois da fase 3 vem a análise final da Anvisa para aprovação. Nada disso é garantido. Muitas vacinas em desenvolvimento não chegam ao fim.

  • A Anvisa abriu caminho para a fase 2 da SpiN-Tec após a primeira etapa, iniciada em outubro de 2022, não registrar problemas de segurança e demonstrar resposta imunológica promissora.
  • O estudo agora recruta 372 voluntários em três centros de pesquisa em Belo Horizonte, usando a dose que apresentou melhor desempenho nos testes anteriores.
  • O perfil exigido é preciso: adultos saudáveis de 18 a 85 anos vacinados com CoronaVac ou AstraZeneca e com reforço há pelo menos seis meses — ou com infecção natural no mesmo intervalo.
  • A ButanVac, do Instituto Butantan, avança em paralelo, mas enfrenta dificuldades para recrutar voluntários suficientes — um obstáculo que a UFMG ainda não relatou.
  • Os próximos meses serão decisivos: os dados desta fase determinarão se a vacina pode cumprir o prazo prometido e chegar às mãos dos brasileiros até o final de 2024.

Em um momento em que o Brasil busca consolidar sua soberania científica, a Anvisa autorizou, em 1º de setembro, o avanço da vacina SpiN-Tec para a segunda fase de ensaios clínicos — um passo que transforma uma promessa nacional em possibilidade concreta. Desenvolvida integralmente pela UFMG, a SpiN-Tec carrega o peso simbólico de ser o primeiro imunizante 100% brasileiro contra a Covid-19, com a ambição de chegar ao público até o final de 2024. A ciência, aqui, não é apenas técnica: é também uma afirmação de que o país pode produzir, do início ao fim, as ferramentas de que precisa para proteger sua população.

A Anvisa deu sinal verde, em 1º de setembro, para que a UFMG avançasse com os testes clínicos da SpiN-Tec, vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no Brasil. A autorização não foi automática: veio porque a primeira fase, iniciada em outubro de 2022, apresentou resultados positivos — sem problemas de segurança e com evidências de resposta imunológica. Esses dados, divulgados pela Fiocruz em maio deste ano, foram o argumento que convenceu os reguladores a permitir o próximo passo.

A fase 2 é mais ambiciosa. Serão 372 voluntários distribuídos entre três centros de pesquisa em Belo Horizonte — a Faculdade de Medicina da UFMG, o Centro Freira de Pesquisa Clínica e o Centro Infection Control. O foco é aprofundar os dados de segurança e confirmar a capacidade imunológica da dose que melhor se saiu nos testes anteriores. Participam adultos saudáveis de 18 a 85 anos que tenham completado o esquema vacinal primário com CoronaVac ou AstraZeneca e recebido reforço há pelo menos seis meses — ou que tenham tido infecção natural no mesmo intervalo.

A SpiN-Tec não caminha sozinha. O Instituto Butantan desenvolve a ButanVac, que entrou em sua segunda fase clínica em junho com resultados preliminares igualmente positivos, mas enfrenta dificuldade para recrutar voluntários. Com a autorização da Anvisa, o projeto da UFMG entra em um período crítico: os dados que emergirem nos próximos meses dirão se a primeira vacina 100% brasileira contra a Covid pode, de fato, chegar ao público até o final de 2024.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na sexta-feira 1º de setembro, para que a Universidade Federal de Minas Gerais avançasse com os testes clínicos de sua vacina contra a Covid-19. A SpiN-Tec, como é chamada, representa uma aposta brasileira de longa data: um imunizante desenvolvido integralmente no país, com perspectiva de estar disponível ao público no final de 2024.

O avanço para essa segunda fase de testes não é automático. A Anvisa autorizou o prosseguimento porque os resultados iniciais foram promissores. A primeira fase começou em outubro de 2022, e os dados coletados naquele período não revelaram problemas de segurança. Mais importante: a vacina demonstrou capacidade de gerar resposta imunológica contra o vírus. Esses sinais positivos foram suficientes para que os reguladores permitissem o próximo passo.

Agora a pesquisa entra em território mais ambicioso. Serão recrutados 372 voluntários, distribuídos entre três centros de pesquisa em Belo Horizonte: a Faculdade de Medicina da UFMG, o Centro Freira de Pesquisa Clínica e o Centro Infection Control. O recrutamento fica a cargo dos próprios centros que conduzem o trabalho. O objetivo dessa etapa é coletar mais dados sobre segurança e sobre a capacidade do imunizante de provocar resposta imunológica, usando especificamente a dose que se saiu melhor nos testes anteriores.

O perfil dos participantes é bem definido. A fase 2 busca adultos saudáveis, homens e mulheres, entre 18 e 85 anos. Todos precisam ter completado o esquema vacinal primário contra a Covid usando CoronaVac ou AstraZeneca, e ter recebido pelo menos uma dose de reforço com AstraZeneca ou Pfizer há no mínimo seis meses antes de entrar no estudo. Há também espaço para quem teve infecção natural pelo vírus há pelo menos seis meses — esses também podem participar.

A SpiN-Tec não é a única vacina brasileira em desenvolvimento. O Instituto Butantan trabalha na ButanVac, que começou sua segunda fase de testes clínicos em junho. Os resultados preliminares da ButanVac também foram positivos: demonstraram segurança e capacidade de induzir produção de anticorpos. Mas o Butantan enfrentou um desafio prático que a UFMG não mencionou: dificuldade para recrutar voluntários suficientes para os testes.

Os dados da primeira fase da SpiN-Tec foram divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz em maio deste ano. Aquele anúncio marcou um ponto de inflexão: pela primeira vez, o Brasil tinha uma vacina contra a Covid que havia passado por testes iniciais com resultados que justificavam continuar. Agora, com a autorização da Anvisa para a fase 2, o projeto entra em um período crítico. Os próximos meses determinarão se a vacina pode realmente chegar às mãos de brasileiros no prazo prometido.

Os dados preliminares não indicaram problemas de segurança e apontaram potencial em gerar resposta imunológica ao vírus
— Resultados da fase 1 divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz em maio de 2023
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