Anvisa aprova testes humanos de vacina brasileira contra malária vivax

Primeira vacina mundial contra malária vivax entra em testes humanos
A Anvisa aprovou ensaio clínico de fase 1 da Vivaxin, candidata desenvolvida pela UFMG para imunizar contra parasita sem proteção farmacológica em nenhum país.
Mark

Por que essa vacina é tão importante se já existem vacinas contra malária?

Mimi

Porque as duas vacinas que a OMS recomenda — RTS,S e R21 — funcionam contra o Plasmodium falciparum, não contra o vivax. E o vivax causa mais de 63% dos casos nas Américas. É como ter um remédio que funciona para metade do problema.

Luke

Mas quantas pessoas realmente têm acesso a essas duas vacinas hoje? E o vivax é realmente mais grave que o falciparum, ou só mais prevalente?

Mimi

Boa pergunta. O vivax não é necessariamente mais grave em termos de mortalidade, mas é mais insidioso — causa recaídas porque fica dormindo no fígado. Isso significa que mesmo depois de tratado, a pessoa pode adoecer novamente.

Mark

E esse teste com 48 pessoas vai realmente dizer se funciona?

Mimi

Não. Fase 1 só avalia segurança e se o corpo monta uma resposta imunológica. Eficácia real só sai em fases posteriores, com muito mais gente e acompanhamento mais longo.

Luke

Então estamos falando de pelo menos cinco, seis anos até saber se essa vacina realmente protege contra malária?

Mimi

Sim, se tudo correr bem. E há risco de não funcionar em nenhuma fase.

Mark

O Brasil tem 118 mil casos por ano. Qual é a urgência real aqui?

Mimi

A urgência é que não existe alternativa. Se você quer eliminar a malária vivax, precisa de uma vacina. Não há atalho.

Luke

E se essa vacina nunca sair do laboratório? O Brasil continua com os mesmos 118 mil casos?

Mimi

Continua. Por isso o plano de eliminação não aposta tudo em uma vacina — inclui controle de mosquito, diagnóstico e tratamento. Mas uma vacina seria um multiplicador de esforço.

  • O vivax causa mais de 63% dos casos de malária nas Américas e, ao contrário do falciparum, nunca teve uma vacina — uma lacuna que deixa milhões de pessoas sem proteção farmacológica.
  • A biologia traiçoeira do parasita, capaz de criar formas dormentes no fígado que provocam recaídas sem nova picada de mosquito, tornou o desenvolvimento de uma vacina um desafio científico de décadas.
  • Com 118 mil casos registrados no Brasil em 2025 — quase todos na Amazônia —, a urgência de novas ferramentas de prevenção é concreta e geograficamente concentrada.
  • Quarenta e oito voluntários saudáveis serão acompanhados por 360 dias para avaliar segurança, tolerância e resposta imune da Vivaxin em três níveis de dosagem.
  • Se as próximas fases confirmarem eficácia, a vacina poderá ser peça decisiva na meta brasileira de eliminar a transmissão local da malária até 2035.

No Brasil, onde a malária vivax responde pela maioria esmagadora dos casos nas Américas, a ciência deu um passo raro: pela primeira vez na história, uma vacina contra essa forma da doença recebeu autorização para ser testada em seres humanos. A Anvisa aprovou o ensaio clínico de fase 1 da Vivaxin, desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e o laboratório Cristália, abrindo uma fronteira que nenhum país havia cruzado antes. O gesto científico carrega peso simbólico e prático — pois o Plasmodium vivax, com sua capacidade de se esconder no fígado e ressurgir silenciosamente, sempre escapou das ferramentas de imunização disponíveis.

A Anvisa autorizou, em outubro, o primeiro teste humano de uma vacina contra malária vivax — marco inédito na história da medicina. A candidata, batizada de Vivaxin, foi desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com a USP e o laboratório Cristália, e agora entra na fase 1 dos ensaios clínicos.

O Plasmodium vivax é o parasita dominante nas Américas, responsável por mais de 63% dos casos regionais e por cerca de 9,9 milhões de infecções globais em 2024. No Brasil, foram registrados 118 mil casos autóctones em 2025, concentrados em mais de 99% na Amazônia. Apesar dessa escala, as duas vacinas antimaláricas recomendadas pela OMS foram desenvolvidas exclusivamente contra o Plasmodium falciparum, deixando o vivax sem imunizante.

O que torna esse parasita tão difícil de combater é sua capacidade de produzir hipnozoítos — formas dormentes que se instalam no fígado e podem desencadear recaídas meses ou anos depois, sem necessidade de nova picada. Nenhuma vacina existente foi projetada para enfrentar essa complexidade.

O ensaio será conduzido no Hospital das Clínicas da UFMG com 48 adultos saudáveis entre 18 e 59 anos, sem histórico de malária. Os participantes receberão três doses da Vivaxin ou placebo, com intervalos de 28 dias, em três níveis de dosagem diferentes. O acompanhamento durará 360 dias, avaliando segurança, reações e resposta imunológica — dados que vão orientar as fases seguintes do desenvolvimento.

A aprovação se insere em uma estratégia nacional mais ampla: o Ministério da Saúde tem como meta eliminar a transmissão local da malária até 2035. Se a Vivaxin se mostrar segura e eficaz, tornará o Brasil pioneiro em oferecer ao mundo a primeira ferramenta de imunização contra o parasita que mais adoece o continente americano.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária abriu caminho para o primeiro teste humano de uma vacina contra malária vivax — uma forma da doença que, até agora, nenhum país do mundo conseguiu imunizar. A aprovação saiu em outubro, autorizado o ensaio clínico de fase 1 da Vivaxin, candidata desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com a USP e o laboratório Cristália.

O parasita Plasmodium vivax é um problema particular nas Américas. Em 2024, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, causou cerca de 9,9 milhões de casos globalmente — e mais de 63% deles ocorreram na região. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 118.037 casos autóctones em 2025, concentrados em mais de 99% dos casos na Amazônia, onde o acesso a diagnóstico, tratamento e prevenção enfrenta obstáculos reais. Enquanto isso, as duas vacinas antimaláricas já recomendadas pela OMS — RTS,S/AS01 e R21/Matrix-M — foram desenhadas apenas contra o Plasmodium falciparum, deixando o vivax sem proteção farmacológica.

O que torna o vivax particularmente desafiador é sua biologia. Diferentemente de outras formas de malária, ele produz hipnozoítos, estágios dormentes que se alojam no fígado e podem causar recaídas sem que o mosquito volte a picar. Por isso, qualquer tratamento precisa agir simultaneamente na infecção sanguínea e nesses reservatórios hepáticos — uma complexidade que as vacinas existentes não enfrentam.

O teste de fase 1 será conduzido no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG. Quarenta e oito adultos saudáveis, entre 18 e 59 anos, sem histórico de malária, receberão a candidata ou placebo em três doses com intervalo de 28 dias entre elas. Os pesquisadores avaliarão três níveis diferentes de dosagem, observando segurança, reações locais e sistêmicas, e a capacidade da vacina de gerar resposta imunológica. O acompanhamento se estenderá por 360 dias, com exames clínicos e monitoramento contínuo. Esses dados iniciais orientarão as próximas fases, que buscarão demonstrar se a vacina realmente previne a infecção.

A aprovação regulatória representa um passo significativo dentro de uma estratégia nacional mais ampla. O Ministério da Saúde estabeleceu como meta eliminar a transmissão local da malária até 2035 — um objetivo que depende de múltiplas frentes: controle do mosquito, diagnóstico rápido, tratamento eficaz e, agora, potencialmente, uma vacina específica para o parasita que mais afeta o continente. Se a Vivaxin demonstrar segurança e eficácia nas fases subsequentes, ela se tornaria a primeira ferramenta de imunização contra o vivax disponível em qualquer lugar do mundo.

O Plasmodium vivax produz hipnozoítos, estágios dormentes no fígado capazes de causar recaídas sem nova picada
— Descrição técnica do parasita conforme resolução regulatória
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Afya | Home ↗
Nous contacter FAQ