A ANTT suspendeu os testes com radar de velocidade média em rodovias de oito estados, adiando mais uma vez uma tecnologia que promete transformar a fiscalização do trânsito no Brasil. A decisão, justificada pela necessidade de ajustes na sinalização e na comunicação com os motoristas, interrompe experimentos que haviam sido autorizados oficialmente há apenas dez dias. Em um país onde projetos sobre o tema tramitam no Congresso há mais de uma década sem aprovação, cada recuo institucional carrega o peso de vidas que a demora pode custar.
ANTT suspende testes de radar de velocidade média para ajustes
Suspensão temporária para ajustes que não têm prazo definido
Por que a ANTT decidiu suspender os testes agora, se já tinha tudo autorizado e publicado?
A agência disse que precisa fazer ajustes na sinalização e na comunicação com os motoristas. Parece que queriam melhorar a forma como as pessoas seriam informadas sobre esses novos radares antes de começar.
Mas o comunicado não explica quais ajustes específicos são necessários ou quanto tempo isso vai levar. É uma suspensão "temporária", mas sem prazo.
E qual é a diferença prática entre esse radar e os que já existem?
O radar tradicional mede sua velocidade em um ponto. Esse novo mede a velocidade média ao longo de um trecho inteiro da rodovia — digamos, nove quilômetros. Você não consegue mais desacelerar só quando vê o radar e depois acelerar de novo.
Exatamente. É por isso que chamam de "efeito canguru" — aquele pulo de velocidade que acontece depois que você passa. A Europa usa isso há tempos.
Se a tecnologia já funciona na Europa, por que o Brasil está tendo dificuldade em implementar?
Porque precisa virar lei. Desde 2015 há projetos na Câmara dos Deputados sobre isso, mas nenhum saiu do papel. O mais recente está preso em um projeto de segurança viária que tramita há dois anos.
E agora, com essa suspensão dos testes, fica mais difícil ainda argumentar que a tecnologia está pronta. Os testes eram a prova de que funcionava aqui.
Os motoristas seriam multados durante esses testes?
Não. Era só para observar como os equipamentos funcionavam e como as pessoas reagiam. Sem multas, sem consequências — só coleta de dados.
O que significa que a ANTT tinha um plano bem pensado. Suspender agora, por "ajustes de sinalização", parece vago.
El Pulso
- A ANTT autorizou os testes no dia 11 de setembro e os suspendeu antes mesmo de começarem, criando incerteza sobre quando — ou se — a tecnologia será efetivamente testada nas rodovias brasileiras.
- O 'efeito canguru' — motoristas que freiam apenas diante de radares pontuais e logo aceleram novamente — continua sem resposta tecnológica eficaz, enquanto países europeus já operam o modelo de velocidade média há anos.
- A ponte Rio-Niterói e trechos em Minas Gerais estavam entre os locais escolhidos, todos em concessões privadas, mas a suspensão paralisou os planos antes de qualquer equipamento entrar em operação.
- O período de testes de 180 dias, sem aplicação de multas, seria uma oportunidade rara de observar o comportamento real dos motoristas — oportunidade que agora fica adiada sem data definida.
- Com pelo menos quatro projetos de lei sobre o tema parados no Congresso desde 2015, a suspensão dos testes ameaça prolongar ainda mais uma discussão que já dura uma década sem desfecho.
A ANTT suspendeu os testes com radar de velocidade média em rodovias de oito estados, adiando mais uma vez uma tecnologia que promete transformar a fiscalização do trânsito no Brasil. A decisão, justificada pela necessidade de ajustes na sinalização e na comunicação com os motoristas, interrompe experimentos que haviam sido autorizados oficialmente há apenas dez dias. Em um país onde projetos sobre o tema tramitam no Congresso há mais de uma década sem aprovação, cada recuo institucional carrega o peso de vidas que a demora pode custar.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres suspendeu temporariamente os testes com radar de velocidade média que haviam sido autorizados para rodovias em oito estados brasileiros. A justificativa oficial aponta para a necessidade de ajustes na sinalização e de melhor comunicação com os motoristas antes de os equipamentos entrarem em operação. As autorizações, emitidas pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária e publicadas no Diário Oficial da União em 11 de setembro, foram interrompidas antes mesmo de os testes começarem.
Entre os locais selecionados estavam trechos em Minas Gerais e cerca de nove quilômetros da ponte Rio-Niterói, no sentido da capital fluminense. Todos os pontos ficavam em rodovias sob concessão privada. O objetivo central da tecnologia é eliminar o chamado 'efeito canguru' — o hábito de motoristas que reduzem a velocidade apenas ao passar por radares convencionais e aceleram logo em seguida. Ao calcular a velocidade média ao longo de um trecho inteiro, e não em um ponto isolado, o sistema já adotado em países como Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido torna esse comportamento ineficaz.
Os testes, quando retomados, funcionariam por 180 dias sem aplicação de multas, permitindo à ANTT avaliar a confiabilidade dos dados e a reação dos condutores. O problema é que a discussão sobre velocidade média no Brasil não é nova: desde 2015, ao menos quatro projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados para incluir essa modalidade de fiscalização no Código de Trânsito Brasileiro, e nenhum se tornou lei. O projeto mais recente integra uma proposta maior de segurança viária que tramita há cerca de dois anos no Congresso sem data de votação. A suspensão dos testes adiciona mais uma camada de incerteza a uma agenda que já se arrasta há uma década.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres recuou nos planos de testar uma tecnologia que poderia mudar a forma como o Brasil fiscaliza a velocidade nas rodovias. Os testes com radar de velocidade média, que haviam sido autorizados para começar em breve em oito estados, foram suspensos temporariamente. A ANTT justifica a decisão dizendo que precisa fazer ajustes na sinalização e melhorar a comunicação com os motoristas antes de colocar os equipamentos em funcionamento.
Os locais escolhidos para os experimentos incluíam trechos em Minas Gerais e um segmento de aproximadamente nove quilômetros da ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro, no sentido da capital fluminense. Todos os pontos selecionados ficavam em rodovias administradas por empresas privadas — nenhum teste seria realizado em São Paulo. As autorizações haviam sido publicadas no Diário Oficial da União no dia 11 de setembro, emitidas pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária, a Surod.
O objetivo dessa tecnologia é combater o que especialistas chamam de "efeito canguru": aquele comportamento do motorista que reduz a velocidade apenas quando passa por um radar tradicional e logo depois acelera novamente. Diferentemente dos radares convencionais, que medem a velocidade em um ponto específico, o radar de velocidade média calcula a velocidade do veículo ao longo de um trecho inteiro da rodovia. Esse modelo já funciona em países europeus como Itália, Espanha, Portugal e Reino Unido.
Os testes, quando fossem retomados, funcionariam sem aplicar multas aos motoristas flagrados acima do limite. O período de avaliação duraria 180 dias, durante os quais a ANTT observaria a confiabilidade dos dados coletados, o desempenho dos equipamentos e como os condutores reagiriam à presença desses novos radares. Essa abordagem permitiria à agência entender melhor o comportamento real nas rodovias antes de qualquer implementação em larga escala.
Mas essa não é uma ideia nova no Brasil. Desde 2015, pelo menos quatro projetos foram apresentados na Câmara dos Deputados propondo a inclusão da fiscalização por velocidade média no Código de Trânsito Brasileiro. Nenhum deles avançou o suficiente para se tornar lei. O mais recente está inserido em um projeto maior de segurança viária que tramita há cerca de dois anos no Congresso, sem data marcada para votação. A suspensão dos testes agora pode significar mais um atraso em uma discussão que já se arrasta há uma década.
Citas Notables
A suspensão é temporária e ocorre para ajustes na sinalização e na comunicação aos usuários— Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)