Anomalia submersa em Nikumaroro pode ser nova pista no mistério de Amelia Earhart

A resposta poderá estar escondida não na imagem, mas no fundo da lagoa
Após quase 90 anos, uma expedição investigará se a anomalia é parte do avião de Earhart ou uma formação natural.
Mark

O que torna este objeto tão diferente de outras anomalias já encontradas em Nikumaroro?

Mimi

A coincidência temporal é o que realmente intriga. Se a estrutura estava lá em 1938, apenas um ano depois do desaparecimento, isso sugere que chegou ali pouco depois de Earhart desaparecer. Mas coincidência não é prova.

Mark

Porque é que Pettigrew acredita que pode ser parte do avião?

Mimi

A forma alongada nas imagens lembra uma asa ou fuselagem. E Pettigrew vê a mesma anomalia em fotografias aéreas antigas. Mas Gillespie vê um pandanus tombado. As imagens enganam.

Mark

Se encontrarem alumínio no fundo da lagoa, isso resolveria o mistério?

Mimi

Não completamente. Alumínio sozinho não prova nada — há muitos destroços no oceano. Mas se encontrarem alumínio com características específicas do Electra, com marcas de construção, com peças identificáveis, aí sim começaria a haver uma história.

Mark

Porque é que levam magnetómetros e sonar antes de escavar?

Mimi

Porque querem evitar destruir o contexto. Se escavarem cegamente e encontrarem algo, já perderam a informação sobre como estava posicionado, o que o rodeava, como chegou lá. A arqueologia é sobre ler o sítio, não apenas retirar objetos.

Mark

E se não for nada? Se for realmente apenas uma árvore?

Mimi

Então a teoria de Nikumaroro perde uma das suas pistas mais promissoras. Mas a busca em Howland continua. O mistério não desaparece — apenas muda de direção.

  • O 'objeto Taraia' foi descoberto em 2020 em imagens de satélite de Nikumaroro
  • Pode corresponder a parte do Lockheed 10E Electra pilotado por Amelia Earhart em 1937
  • Uma expedição com 14 investigadores viajará 1.200 milhas náuticas para analisar a estrutura
  • Amelia Earhart desapareceu a 2 de julho de 1937 durante tentativa de volta ao mundo

O 'objeto Taraia' foi descoberto em imagens de satélite em 2020 e pode corresponder a parte do Lockheed 10E Electra pilotado por Earhart. Uma equipa liderada pelo arqueólogo Rick Pettigrew planeia uma expedição a Nikumaroro com 14 investigadores para analisar a estrutura usando câmaras, sonar e magnetómetros.

Uma anomalia submersa identificada em Nikumaroro pode representar parte do avião de Amelia Earhart desaparecido em 1937. Uma expedição investigará se a estrutura é realmente parte da aeronave ou uma formação natural.

Numa lagoa do atolão de Nikumaroro, no Pacífico Sul, repousa uma formação alongada que pode ser o fragmento mais procurado da história da aviação. Identificada pela primeira vez em 2020 através de imagens de satélite, a estrutura — batizada como "objeto Taraia" — apresenta uma silhueta que lembra, à primeira vista, parte de uma aeronave. Mas ninguém sabe ao certo o que é, de onde veio, ou se tem qualquer ligação ao Lockheed 10E Electra que desapareceu com Amelia Earhart há quase 90 anos.

Mike Ashmore, um antigo militar da Marinha dos Estados Unidos, foi quem primeiro viu a anomalia. Estava em casa, na Califórnia, a explorar virtualmente a lagoa de Nikumaroro através do Apple Maps quando a forma alongada lhe chamou a atenção. A semelhança com a asa de um avião pareceu-lhe demasiado intrigante para ignorar. Ashmore partilhou a descoberta num fórum associado ao The International Group for Historic Aircraft Recovery, a organização que há décadas estuda o desaparecimento de Earhart. A imagem ganhou vida própria entre os investigadores, e o objeto recebeu um nome que o acompanharia em todas as análises futuras.

Rick Pettigrew, diretor executivo do Archaeological Legacy Institute e investigador dedicado ao caso Earhart há vários anos, viu algo mais nas imagens. Ao comparar fotografias aéreas de diferentes períodos, Pettigrew acredita ter identificado a mesma anomalia em fotos captadas em 1938, apenas um ano após o desaparecimento da aviadora. Se a estrutura já estava lá nessa altura, isso poderia significar que chegou à lagoa pouco depois de Earhart desaparecer — uma coincidência demasiado notável para ser ignorada. Pettigrew está agora a preparar uma expedição em colaboração com a Universidade Purdue, instituição à qual Earhart esteve ligada através do seu departamento de aeronáutica.

A missão será uma operação complexa e dispendiosa. Catorze investigadores viajarão cerca de 1.200 milhas náuticas desde Majuro, nas Ilhas Marshall, até Nikumaroro — um atolão desabitado que pertence a Kiribati. Passarão aproximadamente cinco dias no local, equipados com câmaras, sonar e magnetómetros. A estratégia é meticulosa: antes de qualquer intervenção física, a equipa recolherá o máximo de dados possível sobre a estrutura e o seu contexto. Só depois dessa avaliação inicial poderá avançar uma eventual escavação com uma draga hidráulica. Pettigrew mostrou-se otimista à CNN, afirmando que acredita existirem "muitas possibilidades de fazer um anúncio emocionante". Ele considera que a estrutura poderá corresponder a uma parte da fuselagem de alumínio do Electra, embora reconheça que essa hipótese ainda precisa de ser demonstrada através de evidências físicas.

Mas nem todos os especialistas partilham esse entusiasmo. Ric Gillespie, fundador da TIGHAR e veterano de várias expedições a Nikumaroro, vê a anomalia de forma diferente. Na sua interpretação, a forma observada nas imagens é mais semelhante a um pandanus tombado — uma árvore comum na região — do que a uma parte de uma aeronave. Gillespie admite a possibilidade de Earhart ter sobrevivido inicialmente como náufraga na ilha, mas não acredita que o objeto Taraia seja o seu avião. Esta divergência explica a importância crítica da próxima expedição: as imagens, por si só, não permitem determinar com segurança a natureza da formação.

O desaparecimento de Earhart continua a alimentar teorias porque nenhuma das principais hipóteses conseguiu produzir uma prova definitiva. A versão oficial aponta para uma queda no oceano junto à ilha Howland, onde Earhart e o navegador Fred Noonan desapareceram a 2 de julho de 1937. Segundo essa hipótese, o avião ficou sem combustível enquanto procuravam alcançar Howland, caindo no Pacífico. A empresa Nauticos mantém esta linha de investigação e prepara uma nova busca submarina nas proximidades de Howland, utilizando veículos autónomos e novas técnicas de sonar.

Mas existe uma explicação alternativa. A teoria de Nikumaroro coloca Earhart e Noonan não no fundo do oceano, mas no atolão. Segundo esta hipótese, a aviadora teria desviado a rota para sul, conseguido aterrar no recife de Nikumaroro e sobrevivido durante vários dias ou até semanas. O avião acabaria posteriormente por ser levado para o oceano e destruído contra o recife. Esta possibilidade tem sido alimentada por vários indícios encontrados na ilha: restos ósseos descobertos em 1940, sinais de rádio que nunca foram confirmados de forma conclusiva, e vários objetos como um espelho, um recipiente de cosméticos, uma navalha e uma caixa que poderá ter contido um sextante. Nenhum destes elementos permitiu, até ao momento, estabelecer de forma definitiva que Earhart chegou a Nikumaroro.

É precisamente neste contexto que a análise do objeto Taraia poderá assumir importância decisiva. Se a estrutura for efetivamente parte do Electra, poderá fornecer a evidência material que tem faltado à teoria de Nikumaroro. Se, pelo contrário, se revelar uma formação natural, poderá eliminar uma pista que ameaça desviar a investigação. Quase 90 anos depois do desaparecimento de Earhart, a resposta poderá estar escondida não na imagem de satélite, mas no que os investigadores encontrarem quando chegarem finalmente ao fundo da lagoa.

Acredita existirem muitas possibilidades de fazer um anúncio emocionante
— Rick Pettigrew, arqueólogo e diretor do Archaeological Legacy Institute
A forma observada nas imagens é mais semelhante a um pandanus tombado do que a uma parte de uma aeronave
— Ric Gillespie, fundador da TIGHAR
Contact Us FAQ