Anitta retorna aos palcos em São Paulo não apenas para apresentar um novo álbum, mas para propor um reencontro com camadas da identidade brasileira que o sucesso global muitas vezes obriga a deixar para trás. A turnê 'Equilibrivm', com shows no Parque Villa-Lobos nos dias 8 e 9 de agosto, coloca o candomblé e as tradições afro-indígenas no centro de uma produção artística de grande alcance popular. É um gesto que pertence tanto à música quanto à memória coletiva de um país ainda em processo de reconhecer suas próprias raízes.
Anitta retorna aos palcos com turnê 'Equilibrivm' em São Paulo
Tirar a espiritualidade de espaços fechados e colocá-la no meio da cidade
Por que você acha que Anitta escolheu explorar candomblé e cultura afro-indígena justamente agora, neste momento de sua carreira?
Talvez porque depois de conquistar o mundo com hits globais, há uma necessidade de retorno, de enraizamento. O candomblé não é apenas religião para ela — é ancestralidade, é resistência. Colocar isso em um álbum é um ato de afirmação.
A divisão do álbum em duas partes — você acha que isso tem a ver com a dualidade do próprio candomblé, entre o mundo material e o espiritual?
Muito provavelmente. O candomblé trabalha com essa ponte constante entre os dois mundos. Duas partes podem significar exatamente isso: a jornada entre o que vemos e o que sentimos, entre o corpo que dança e o espírito que guia.
Como você imagina que um show no Parque Villa-Lobos, um espaço aberto e urbano, consegue criar a intimidade necessária para explorar algo tão profundo quanto religião?
Parques têm sua própria magia. Céu aberto, natureza ao redor — isso não é tão diferente do que o candomblé busca. E talvez a intenção seja exatamente essa: tirar a espiritualidade de espaços fechados e colocá-la no meio da cidade, dizendo que ela pertence a todos.
As faixas "Mandinga" e "Ogum Me Rodeia" — esses nomes carregam peso histórico. Mandinga foi usada como xingamento contra africanos escravizados.
Exatamente. Anitta está ressignificando essas palavras, trazendo-as de volta com poder e beleza. Ogum é um orixá guerreiro. Chamar uma música assim é invocar proteção, força, ancestralidade. É reclamar o que foi roubado.
The Pulse
- Após anos voltada ao mercado global, Anitta faz uma virada deliberada: o novo álbum mergulha no candomblé e na cultura afro-indígena brasileira, territórios historicamente marginalizados.
- A escolha não é apenas estética — ao colocar uma religião perseguida por séculos no centro de sua produção, a artista assume uma posição política e cultural explícita.
- Os dois shows no Parque Villa-Lobos prometem uma experiência imersiva, com faixas como 'Ogum Me Rodeia' e 'Mandinga' transformando a performance em algo próximo do ritual.
- Com ingressos a partir de R$ 370 e estrutura de festival a partir do meio-dia, a turnê testa se o público brasileiro está pronto para receber essa versão mais enraizada da artista.
Anitta retorna aos palcos em São Paulo não apenas para apresentar um novo álbum, mas para propor um reencontro com camadas da identidade brasileira que o sucesso global muitas vezes obriga a deixar para trás. A turnê 'Equilibrivm', com shows no Parque Villa-Lobos nos dias 8 e 9 de agosto, coloca o candomblé e as tradições afro-indígenas no centro de uma produção artística de grande alcance popular. É um gesto que pertence tanto à música quanto à memória coletiva de um país ainda em processo de reconhecer suas próprias raízes.
Anitta chega a São Paulo este fim de semana com uma proposta diferente de tudo que a consagrou internacionalmente. A turnê do álbum 'Equilibrivm' — lançado este ano e dividido em duas partes — é uma imersão deliberada no candomblé, nas tradições afro-indígenas e nas camadas mais profundas da identidade brasileira. Os shows acontecem no Parque Villa-Lobos nos dias 8 e 9 de agosto, a partir do meio-dia, com ingressos a partir de R$ 370.
O setlist reflete essa nova direção: 'Meia Noite', 'Mandinga', uma parceria com Marina Sena, e 'Ogum Me Rodeia' compõem um repertório conectado ao universo espiritual que permeia o trabalho. A estrutura em duas partes do álbum sugere uma narrativa de jornada, e os shows funcionam como espaço onde essa narrativa ganha corpo.
Para quem acompanha a trajetória da artista, o contraste é evidente. Anitta construiu sua projeção global com hits como 'Envolver' e 'Vai Malandra', voltada para o mercado internacional. Agora, ela vira o olhar para dentro — para uma religião de matriz africana que sofreu perseguição por séculos no Brasil e ainda enfrenta preconceito. Ao colocá-la no centro de sua produção, a cantora faz uma escolha que vai além do artístico: é um ato de reconhecimento de uma cultura que, segundo ela própria parece sugerir com o projeto, merecia estar no centro há muito tempo.
Anitta retorna aos palcos este fim de semana em São Paulo com uma proposta que mergulha fundo nas raízes culturais brasileiras. A turnê do álbum "Equilibrivm", lançado este ano, marca um momento de exploração deliberada da religião candomblé, das tradições afro-indígenas e da identidade nacional. O disco, dividido em duas partes, representa uma mudança de direção para a artista conhecida por sucessos globais como "Envolver" e "Vai Malandra".
Os dois shows acontecem no Parque Villa-Lobos, na região oeste da capital, nos dias 8 e 9 de agosto, a partir do meio-dia. Os ingressos custam a partir de R$ 370. O setlist inclui faixas que reforçam essa nova direção temática: "Meia Noite", "Mandinga", uma parceria com Marina Sena, e "Ogum Me Rodeia", todas conectadas ao universo espiritual e cultural que permeia o trabalho.
Este retorno aos palcos não é apenas um lançamento de disco. Representa um momento em que Anitta escolhe aprofundar sua conexão com elementos da cultura brasileira que historicamente foram marginalizados ou apropriados. O candomblé, em particular, é uma religião de matriz africana que sofreu perseguição durante séculos no Brasil e continua enfrentando preconceito. Ao colocá-lo no centro de sua produção artística, a cantora faz uma escolha política e cultural explícita.
A estrutura do álbum em duas partes sugere uma narrativa dividida, talvez refletindo diferentes aspectos dessa exploração cultural ou diferentes momentos da jornada espiritual que o trabalho propõe. Essa divisão também oferece oportunidade para que os shows funcionem como experiência imersiva, onde o público pode vivenciar as duas dimensões do projeto.
Para quem acompanha a carreira de Anitta, essa virada marca um contraste com sua trajetória anterior, que se concentrou em alcance internacional e produção de hits para o mercado global. Agora, ela volta o olhar para dentro, para as camadas mais profundas da identidade brasileira. A turnê "Equilibrivm" promete ser o espaço onde essa exploração ganha corpo e movimento, onde a música encontra o ritual, onde a performance se torna celebração de uma cultura que merecia estar no centro há muito tempo.
Notable Quotes
A turnê explora religião candomblé, cultura afro-indígena brasileira e brasilidade— Descrição do projeto 'Equilibrivm'