Alunos da Escola 72 continuam na Junta da Estrela por dois a três anos

É importante que se cumpram os timings
Aviso dos pais sobre a necessidade de a câmara cumprir os prazos de reabilitação da escola.
Mark

Porque é que a câmara não conseguiu ter os contentores prontos a tempo?

Mimi

Os atrasos foram tão significativos que, duas semanas antes das aulas começarem, ainda era incerto onde os alunos iam estudar. A junta ofereceu uma alternativa rápida.

Mark

E os pais aceitaram ficar na sede da junta indefinidamente?

Mimi

Não indefinidamente — mas sim, aceitaram bem melhor do que aceitariam contentores. O espaço é grande, respeitou-se o distanciamento, e os miúdos adaptaram-se. Muitos preferem ficar ali até às obras acabarem.

Mark

Qual é a garantia de que as obras vão começar quando prometem?

Mimi

Nenhuma, honestamente. O arquitecto Gonçalo Byrne fez o estudo prévio, o concurso deveria sair no segundo semestre de 2021, e a obra levaria 18 meses. Mas em Lisboa, as reabilitações escolares raramente cumprem prazos.

Mark

Os pais sabem disso?

Mimi

Sabem. Por isso Joana Mascarenhas foi clara: "é importante que se cumpram os timings". Há expectativa, mas também desconfiança baseada na experiência.

Mark

E se as obras atrasarem?

Mimi

Os alunos continuam na junta. Dois a três anos lectivos é o horizonte, mas pode ser mais. Tudo depende de a câmara conseguir fazer o que promete.

  • A deterioração do edifício histórico tornou-se insustentável, deixando dezenas de alunos sem escola apenas duas semanas antes do início do ano lectivo.
  • A solução dos contentores no Mercado do Rato colapsou antes de começar, expondo a falta de planeamento do executivo camarário PS-BE e gerando críticas da oposição.
  • A Junta da Estrela transformou a sua própria sede em escola em poucos dias, conquistando a confiança de pais e alunos que hoje recusam qualquer outra alternativa.
  • O estudo prévio de reabilitação foi apresentado em Janeiro com um calendário ambicioso: concurso de empreitada no segundo semestre de 2021 e conclusão das obras em 18 meses.
  • A comunidade escolar aplaude os planos, mas a associação de pais lança um aviso claro — o historial de atrasos em Lisboa torna o cumprimento dos prazos uma exigência, não um desejo.

No coração de Lisboa, uma escola histórica em ruína forçou uma comunidade a improvisar o seu futuro. A Escola Básica 72, privada do seu edifício na Rua da Bela Vista à Lapa, encontrou abrigo inesperado na sede da Junta da Estrela — uma solução nascida da urgência que acabou por ganhar o afecto de pais e alunos. Enquanto o projecto de reabilitação do arquitecto Gonçalo Byrne promete devolver uma escola renovada até 2023/2024, a comunidade escolar aguarda com esperança temperada pela memória de promessas que o tempo já desmentiou.

A Escola Básica 72, instalada num edifício histórico na Rua da Bela Vista à Lapa, chegou a um ponto de degradação que tornou impossível continuar a receber alunos. A Câmara de Lisboa optou inicialmente por transferi-los para contentores no Mercado do Rato, mas a montagem atrasou-se de tal forma que, a duas semanas do início das aulas, ainda não havia resposta concreta sobre onde decorreria o ano lectivo.

Foi a Junta da Freguesia da Estrela que resolveu a situação. Em poucos dias, a sua sede na Rua do Quelhas foi adaptada para funcionar como escola provisória. O espaço mostrou-se adequado — amplo, respeitoso e funcional, nas palavras de Joana Mascarenhas, da associação de pais. A solução agradou tanto que muitos encarregados de educação passaram a preferir que os alunos ali ficassem até ao fim das obras de reabilitação.

Luís Newton, presidente da junta, descartou as alternativas anteriormente consideradas — os contentores e a Escola Secundária do Restelo — afirmando que a comunidade escolar já não aceitaria outra opção. A gestão da crise valeu elogios até da oposição socialista na freguesia, enquanto o executivo camarário foi criticado pela tentativa de afastar os alunos do seu território.

Em Janeiro, o arquitecto Gonçalo Byrne apresentou aos pais o estudo prévio de reabilitação do edifício. O projecto inclui novos equipamentos, entre os quais um campo de basquete, e uma renovação completa da escola. O vereador da Educação, Manuel Grilo, anunciou que o concurso de empreitada seria lançado no segundo semestre de 2021, com 18 meses de execução previstos, ficando a empresa municipal SRU responsável pela obra.

Os pais ficaram satisfeitos com os planos e a perspectiva de regressar a uma escola renovada no ano lectivo 2023/2024. Mas Joana Mascarenhas não deixou de alertar para a importância de cumprir os prazos. Em Lisboa, o historial de reabilitações escolares com atrasos é longo, e essa memória pesa sobre as expectativas de quem aguarda — pacientemente, mas não sem vigilância.

A Escola Básica 72, um edifício histórico na Rua da Bela Vista à Lapa que se deteriorava progressivamente, deixou os seus alunos sem um lugar seguro para estudar. Quando a degradação se tornou insustentável, a Câmara de Lisboa decidiu transferir os estudantes para contentores no Mercado do Rato — uma solução que se revelou impraticável quando os atrasos na montagem deixaram em aberto, apenas duas semanas antes do início das aulas, onde decorreria o ano lectivo.

A Junta da Freguesia da Estrela interveio rapidamente. A sua sede, na Rua do Quelhas, foi transformada em escola provisória em poucos dias, ainda em Setembro. O espaço revelou-se adequado: amplo o suficiente para manter o distanciamento entre alunos, e os miúdos adaptaram-se bem. Joana Mascarenhas, da associação de pais e encarregados de educação, descreveu a solução como respeitosa e funcional, acrescentando que muitos encarregados prefeririam que os alunos permanecessem ali até à conclusão das obras de reabilitação.

Luís Newton, presidente da junta, concordou que já não fazia sentido considerar outras opções — nem os contentores do Mercado do Rato, nem a Escola Secundária do Restelo, que também tinha sido equacionada pela câmara. "Hoje a comunidade escolar nem sequer nos ia permitir pensar nos contentores", afirmou o autarca. A solução ganhou até elogios da oposição socialista na freguesia, enquanto o executivo camarário PS-BE foi criticado por inacção e pela tentativa de "desenraizar" os alunos.

Em Janeiro, foi apresentado aos pais o estudo prévio de reabilitação, elaborado pelo arquitecto Gonçalo Byrne. O projecto promete transformações significativas: novos equipamentos, incluindo um campo de basquete, e uma renovação completa do edifício. Manuel Grilo, vereador da Educação, informou que o concurso de empreitada deveria ser lançado no segundo semestre de 2021, com um prazo de execução de 18 meses. A empresa municipal SRU ficaria responsável pela gestão da obra.

Os pais ficaram "muito satisfeitos" com o que viram nos planos. A perspectiva é que no ano lectivo 2023/2024 os alunos regressem a uma escola completamente renovada. Mas Joana Mascarenhas deixou um aviso: "é importante que se cumpram os timings". A história recente das reabilitações escolares em Lisboa está repleta de projectos que ultrapassaram os prazos previstos, e essa experiência pesa nas expectativas dos encarregados de educação. Os alunos permanecerão na Junta da Estrela durante dois a três anos lectivos — um período que dependerá, em última análise, da capacidade de a câmara cumprir o calendário que prometeu.

Hoje a comunidade escolar nem sequer nos ia permitir pensar nos contentores
— Luís Newton, presidente da Junta da Estrela
É um espaço grande, foi sempre respeitado o distanciamento, os miúdos adaptaram-se muito bem
— Joana Mascarenhas, associação de pais e encarregados de educação
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