Em meio a tensões institucionais e pressões sociais crescentes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou que não obstruirá a PEC que extingue a escala 6x1 — regime que impõe a milhões de trabalhadores brasileiros seis dias de labor para cada dia de descanso. A promessa, transmitida a lideranças partidárias em conversas privadas, representa um gesto de abertura num momento em que as relações entre o Senado e o governo Lula atravessam fissuras delicadas. Como tantas vezes na história das reformas trabalhistas, o destino da mudança depende menos da lei em si do que das alianças e temper
Alcolumbre promete prioridade à PEC da escala 6x1 no Senado
Reconheceu a pressão social e prometeu encaminhamento rápido
Por que a promessa de Alcolumbre é importante agora? Ele é só um voto.
Ele não é só um voto — ele é quem controla a pauta do Senado. Se o presidente da Casa não quer votar algo, aquilo fica parado indefinidamente. Ele está dizendo que não vai fazer isso com a PEC da escala 6x1.
Mas ele disse isso em conversas privadas com lideranças, não em público. Há diferença entre sinalizar para aliados e se comprometer formalmente.
E qual é o pano de fundo? Por que ele estava em dúvida antes?
Alcolumbre derrubou a indicação de Jorge Messias para o STF, que era uma prioridade do governo Lula. Isso criou uma tensão real. Ninguém sabia se ele ia usar essa tensão para travar outras pautas do governo.
E agora? Eles se reencontraram em um evento público, mas isso resolve a tensão?
Não resolve, mas sinaliza que ambos estão dispostos a trabalhar juntos em algumas coisas. A PEC da escala 6x1 é uma delas.
Otto Alencar também prometeu prioridade na CCJ. Isso é vinculante?
Não. Otto pode prometer, mas se houver objeções procedimentais ou se a comissão não se reunir, a promessa fica no papel. O que sabemos é que ele disse que vai priorizar.
Verdade, mas Otto é presidente da comissão. Se ele quer votar rápido, a comissão vota rápido. Ele tem poder sobre a agenda.
Então o caminho está aberto?
O caminho está menos bloqueado. Mas a PEC ainda precisa passar pela Câmara primeiro, depois pela CCJ, depois pelo plenário do Senado. Muita coisa pode mudar.
Der Puls
- Milhões de trabalhadores brasileiros vivem sob uma escala que lhes concede apenas um dia de descanso para cada seis de trabalho — e a pressão social por mudança nunca esteve tão alta.
- Alcolumbre havia mantido postura ambígua em relação ao governo Lula, chegando a articular contra a indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubar um veto presidencial sobre dosimetria penal.
- Um reencontro público entre Lula e Alcolumbre em 12 de maio, na posse de Kassio Nunes Marques no TSE, sinalizou uma possível — ainda que cautelosa — reaproximação entre o Palácio do Planalto e a Casa Alta.
- Otto Alencar, presidente da CCJ do Senado, garantiu que a PEC terá prioridade no colegiado, descrevendo-a como matéria de interesse direto do trabalhador.
- O avanço real da PEC ainda aguarda a conclusão da votação na Câmara dos Deputados — e a manutenção da disposição de Alcolumbre quando o texto finalmente cruzar o corredor entre as duas Casas.
Em meio a tensões institucionais e pressões sociais crescentes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou que não obstruirá a PEC que extingue a escala 6x1 — regime que impõe a milhões de trabalhadores brasileiros seis dias de labor para cada dia de descanso. A promessa, transmitida a lideranças partidárias em conversas privadas, representa um gesto de abertura num momento em que as relações entre o Senado e o governo Lula atravessam fissuras delicadas. Como tantas vezes na história das reformas trabalhistas, o destino da mudança depende menos da lei em si do que das alianças e temperamentos dos que guardam as portas do poder.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, sinalizou em conversas privadas com lideranças partidárias que não criará obstáculos à PEC que extingue a escala 6x1. O parlamentar amapaense da União Brasil reconheceu a pressão social em torno do tema e comprometeu-se a dar encaminhamento ao texto assim que ele chegar da Câmara dos Deputados.
A sinalização ganha peso por vir num momento de relação tensa entre Alcolumbre e o governo Lula. Nos últimos meses, o presidente do Senado articulou contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e derrubou um veto presidencial sobre dosimetria penal — movimentos que abriram uma fissura com o Palácio do Planalto e deixaram dúvidas sobre como ele se comportaria diante de pautas prioritárias para o governo.
Otto Alencar, senador baiano do PSD e presidente da CCJ do Senado, reforçou o compromisso ao afirmar que a matéria terá prioridade no colegiado, classificando-a como de interesse direto do trabalhador. A declaração sugere que a comissão não pretende travar o processo.
Um encontro público entre Lula e Alcolumbre em 12 de maio, durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do TSE, foi o primeiro reencontro dos dois após o episódio Messias. A presença lado a lado dos dois líderes — junto a Hugo Motta, Edson Fachin e membros da família Bolsonaro — sugeriu uma possível reaproximação, ainda que cautelosa.
A escala 6x1 afeta milhões de trabalhadores que cumprem seis dias consecutivos de trabalho com apenas um dia de descanso. O próximo passo depende de quando a Câmara concluir sua votação e enviar o texto ao Senado — e de se Alcolumbre manterá sua disposição quando esse momento chegar.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, sinalizou nos últimos dias que não vai criar obstáculos à tramitação da PEC que extingue a escala 6x1. A informação chegou a lideranças partidárias próximas a ele através de conversas privadas, conforme reportado pelo SBT News. O parlamentar amapaense filiado à União Brasil reconheceu a pressão social em torno do tema e comprometeu-se a dar encaminhamento ao texto assim que ele chegar da Câmara dos Deputados.
Essa sinalização é significativa porque Alcolumbre havia mantido uma postura ambígua em relação ao governo Lula nos últimos meses. O presidente do Senado havia articulado para derrubar a indicação de Jorge Messias, então Advogado-Geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Esse movimento criou uma fissura nas relações entre o Palácio do Planalto e a Casa Alta, deixando em aberto como Alcolumbre se comportaria diante de pautas prioritárias para o governo.
Otto Alencar, senador baiano do PSD e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, reforçou o compromisso ao afirmar que a PEC terá prioridade no colegiado assim que for encaminhada por Alcolumbre. Em declaração à mesma publicação, Alencar descreveu a matéria como sendo de interesse direto do trabalhador, sinalizando que a comissão não vai travar o processo.
Os sinais de movimento na PEC da escala 6x1 ganham contexto quando observados à luz de outros pontos de tensão entre Alcolumbre e o governo. A PEC da Segurança, por exemplo, permanece parada no Senado. Além disso, Alcolumbre havia derrubado um veto presidencial sobre o projeto de lei da dosimetria, demonstrando disposição de confrontar o Palácio do Planalto quando julga necessário.
Um encontro público entre Lula e Alcolumbre no dia 12 de maio, durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, marcou o primeiro reencontro dos dois após a rejeição da indicação de Messias ao STF. O evento reuniu também o presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente do STF, Edson Fachin, além de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. A presença lado a lado dos dois líderes sugeriu uma possível reaproximação, ainda que cautelosa.
A escala 6x1, contra a qual a PEC se volta, afeta milhões de trabalhadores brasileiros que cumprem seis dias consecutivos de trabalho com apenas um dia de descanso. A pressão social pela mudança tem crescido, e a sinalização de Alcolumbre de que não vai criar dificuldades representa um passo importante para que a matéria avance na Casa Alta. O próximo movimento dependerá de quando a Câmara dos Deputados concluir sua votação e enviar o texto ao Senado.
Bemerkenswerte Zitate
É uma matéria de interesse do trabalhador— Otto Alencar, senador baiano e presidente da CCJ