Alcolumbre evita compromisso com agenda de Lula em primeira reunião com Teresa Leitão

Alcolumbre ouviu. Mas não se comprometeu.
O presidente do Senado recebeu a nova líder do governo mas evitou assumir compromissos sobre votação de projetos prioritários.
Mark

Por que Alcolumbre recusou retirar a PEC da aposentadoria especial se o governo pediu explicitamente?

Mimi

Porque tem amplo apoio no Senado. Alcolumbre precisa manter sua credibilidade com os pares. Ceder ao governo em tudo o tornaria um presidente da Casa capturado.

Luke

Mas a gente sabe quem apoia? O texto diz "amplo apoio", mas não nomeia as bancadas ou os números.

Mimi

Justo. O que sabemos é que o impacto fiscal é real — três bilhões por ano — e que a equipe econômica se opõe fortemente.

Mark

E quanto aos projetos que Leitão apresentou? A PEC da Segurança e o fim da escala 6x1?

Mimi

Alcolumbre não se comprometeu com nenhum deles. Apenas disse que avaliaria. Para o governo, é frustrante porque significa que não há data nem garantia.

Luke

Espera — o texto diz que a discussão sobre a jornada fica para depois do recesso. Isso é uma sinalização clara de que não vai acontecer em breve.

Mimi

Exatamente. É um adiamento disfarçado de "avaliação".

Mark

Leitão é nova nesse cargo. Ela consegue reverter isso?

Mimi

Depende de como ela negocia. Mas a primeira reunião mostra que Alcolumbre não é fácil de pressionar. Ele tem poder e sabe disso.

Luke

Uma coisa que não fica clara: por que Alcolumbre mantém essa postura de autonomia? É ideológico, é poder político, é pressão de bancadas específicas?

Mimi

Provavelmente tudo junto. Mas o texto não detalha isso.

  • Teresa Leitão estreou como líder do governo no Senado com uma agenda ambiciosa — e saiu da reunião sem nenhum compromisso concreto de Alcolumbre.
  • O governo tentou retirar da pauta uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, alegando impacto fiscal de R$ 3 bilhões por ano — e foi ignorado.
  • Alcolumbre manteve a votação da PEC previdenciária em dois turnos, sinalizando que o Senado seguirá seu próprio ritmo, independentemente das pressões do Palácio.
  • A discussão sobre o fim da escala 6x1 foi empurrada para depois do recesso, revelando que as prioridades do governo não são necessariamente as prioridades da Casa.
  • Com Beto Faro cotado para liderar o PT no Senado e a articulação política em reconfiguração, o Planalto enfrenta um Legislativo que negocia cada passo — mas não cede a pauta.

No jogo silencioso entre o Executivo e o Legislativo, a chegada de Teresa Leitão ao Senado como nova líder do governo revelou menos uma aliança do que uma fronteira. Alcolumbre recebeu a lista de prioridades do Planalto com cortesia, mas sem concessões — mantendo sobre a pauta do Senado uma autonomia que nenhuma troca de liderança parece capaz de dissolver. O episódio lembra que, em democracias maduras, o poder de pautar é, muitas vezes, o poder real.

Teresa Leitão chegou à residência oficial do Senado na manhã de terça-feira carregando as prioridades do Palácio do Planalto para o segundo semestre: a PEC da Segurança Pública e a proposta de extinção da escala 6x1. Havia assumido a liderança do governo na Casa semanas antes, no lugar de Jaques Wagner. Tinha uma hora com Davi Alcolumbre. Ele ouviu. Mas não se comprometeu.

O encontro ganhou contornos mais tensos porque, horas depois, o plenário analisaria exatamente uma matéria que o governo queria bloquear: a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Leitão pediu explicitamente que Alcolumbre retirasse o item da pauta, citando o impacto fiscal. O presidente do Senado recusou. Segundo o Ministério da Previdência, a medida custaria cerca de R$ 3 bilhões por ano — R$ 30 bilhões em uma década — ao ampliar exceções às regras da reforma previdenciária de 2019. Ainda assim, a proposta tem amplo apoio no Senado e seguirá tramitando normalmente.

O episódio marcou o tom da nova fase da articulação política do governo na Casa. Lula escolheu a senadora pernambucana para recompor pontes após a saída de Wagner, mas a primeira reunião deixou claro que Alcolumbre preserva sua autonomia sobre a pauta — nem sempre coincidente com as urgências do Planalto. O fim da escala 6x1, segundo aliados do presidente do Senado, ficará para depois do recesso parlamentar. A proposta sequer havia sido enviada à CCJ.

Naquela quarta-feira, Alcolumbre receberia representantes do governo, parlamentares e integrantes do Movimento Vida Além do Trabalho. O PT também escolheria seu novo líder no Senado, com Beto Faro como favorito para ocupar a vaga deixada por Leitão. O recado do momento era simples: a mudança de liderança não mudou a geometria do poder. O governo teria de negociar cada passo com um Senado que tem agenda própria.

Teresa Leitão chegou à residência oficial do Senado na terça-feira de manhã com uma lista de prioridades do Palácio do Planalto. A nova líder do governo na Casa, que havia assumido o cargo deixado por Jaques Wagner semanas antes, tinha uma hora para apresentar ao presidente Davi Alcolumbre os projetos que o governo considerava estratégicos para o segundo semestre: a PEC da Segurança Pública e a proposta que extinguiria a escala 6x1 de trabalho, reduzindo a jornada máxima dos trabalhadores.

Alcolumbre ouviu. Mas não se comprometeu. O presidente do Senado afirmou apenas que avaliaria a pauta apresentada, evitando qualquer sinalização sobre quando ou se essas matérias seriam levadas à votação. Para Leitão, a resposta foi menos do que esperava. O encontro ocorria poucas horas antes de o plenário analisar uma proposta que o governo tentava bloquear: a PEC que criaria uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Leitão havia pedido explicitamente que Alcolumbre retirasse essa matéria da pauta, argumentando seu elevado impacto fiscal. Alcolumbre recusou.

Os números explicam a preocupação da equipe econômica. Segundo cálculos do Ministério da Previdência, a medida geraria um impacto de aproximadamente três bilhões de reais por ano — trinta bilhões em uma década. O texto reduz a idade mínima para aposentadoria da categoria, estabelece regras de transição para profissionais já na carreira e estende o benefício a agentes indígenas de saúde e de saneamento. Para o governo, a PEC amplia as despesas obrigatórias da União ao criar uma nova exceção às regras estabelecidas pela reforma da Previdência de 2019. Apesar dessa resistência, a matéria conta com amplo apoio no Senado. Alcolumbre sinalizou que a proposta seguirá tramitando normalmente, com votação em dois turnos, respeitando o intervalo regimental entre eles. A expectativa era que o primeiro turno fosse analisado naquela semana e o segundo na semana seguinte.

O encontro entre Leitão e Alcolumbre marcava o início de uma nova fase da articulação política do governo no Senado. Lula havia escolhido a senadora pernambucana para substituir Wagner após o baiano deixar o cargo em meio às investigações relacionadas ao caso Banco Master. A expectativa do Planalto era que Leitão conseguisse destravar projetos considerados estratégicos. Mas a primeira reunião sinalizava que Alcolumbre mantinha sua autonomia sobre a pauta, nem sempre alinhada com as prioridades do Palácio.

Segundo aliados do presidente do Senado, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ficaria para depois do recesso parlamentar — um adiamento que sugeria que essas matérias não eram prioridade imediata na agenda de Alcolumbre. Naquela quarta-feira, o presidente do Senado receberia representantes do governo, parlamentares e integrantes do Movimento Vida Além do Trabalho, responsável pela mobilização em defesa do fim da escala 6x1. A proposta ainda não havia sido despachada para a Comissão de Constituição e Justiça. Também naquela quarta-feira, a bancada do PT escolheria o novo líder do partido no Senado, com o senador Beto Faro como favorito para assumir a vaga deixada por Leitão. O que ficava claro era que, apesar da mudança de liderança, o governo teria de negociar cada passo com um Senado que guardava suas próprias prioridades.

Alcolumbre afirmou que faria uma avaliação da pauta apresentada, evitando assumir compromisso com a tramitação das propostas
— Interlocutores do encontro
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