Ainda há tempo para o Brasil encontrar um estadista?

Mais de 48 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza, enfrentando desigualdade estrutural e falta de oportunidades de ascensão social.
Um estadista deveria se perguntar: isso aumentará ou diminuirá as oportunidades da criança mais pobre?
O autor define o teste fundamental para qualquer líder que pretenda servir o Brasil com integridade.
Mark

Por que o autor volta a esse tema agora, nove anos depois de "Brasil, o ocaso de uma nação"?

Mimi

Porque a situação não melhorou. As mesmas instituições corruptas, os mesmos ciclos de desigualdade. Mas também porque há uma eleição vindo, e é um momento em que a pergunta sobre liderança se torna urgente novamente.

Mark

Ele parece dizer que os dois candidatos principais já falharam. Como alguém que já foi presidente pode ser candidato novamente?

Mimi

Exatamente. Ambos os grupos políticos tiveram décadas no poder. Se não conseguiram resolver a pobreza, a desigualdade, a desconfiança nas instituições, por que confiar que farão diferente agora?

Mark

E então ele menciona Ronaldo Caiado. Por que esse nome específico?

Mimi

Porque Caiado não faz parte desses dois grupos que dominaram a presidência. Ele tem avaliação popular alta, histórico de integridade, e vem de fora do establishment que fracassou. É uma sugestão de que há alternativa.

Mark

Mas o artigo não é uma campanha aberta, certo?

Mimi

Não. É mais uma reflexão sobre o que o Brasil precisa—um estadista com valores específicos—e uma observação de que talvez exista alguém que se encaixe nessa descrição. A ênfase está no tipo de líder necessário, não em um nome.

Mark

O que mais o preocupa: a economia ou a desigualdade?

Mimi

A desigualdade. Porque ela é o sintoma de instituições que não funcionam. Um país pode ser a décima economia do mundo e ainda estar no 84º lugar em desenvolvimento humano. Isso não é acidente—é escolha institucional.

  • Brasil é 10ª economia mundial mas ocupa 84º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU
  • Mais de 48 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza
  • Ronaldo Caiado teve a melhor avaliação popular entre governadores em 2026 (Genial/Quaest)
  • Os dois candidatos principais representam grupos que ocuparam a presidência por mais de duas décadas

Brasil é 10ª economia mundial mas ocupa apenas 84º lugar em desenvolvimento humano, refletindo falha de instituições e governantes em priorizar bem-estar coletivo. Autor identifica seis valores inegociáveis para estadistas: integridade, competência administrativa, respeito democrático, combate à desigualdade, pacificação social e coragem contra interesses indevidos.

Artigo de opinião argumenta que o Brasil necessita de líderes com integridade e competência para reverter desigualdade e desconfiança institucional, questionando se próximas eleições podem representar mudança real.

Nove anos atrás, o autor publicou nesta Folha um artigo intitulado "Brasil, o ocaso de uma nação", descrevendo a lacuna que percebia entre o otimismo das proclamações oficiais e a realidade vivida por milhões de brasileiros presos em ciclos de pobreza e privação. A pergunta que o motivava então permanece urgente agora: o país conseguirá encontrar um líder à altura de seus desafios?

O diagnóstico é estrutural. Apoiando-se nas análises de Daron Acemoglu e James Robinson, o autor argumenta que o desenvolvimento de uma nação não depende primariamente de planos econômicos sofisticados, mas da solidez de suas instituições e do compromisso genuíno de seus governantes com o bem-estar coletivo. Quando instituições se corrompem e líderes se desviam de seu propósito público, proliferam grupos que concentram riqueza e estabelecem alianças promíscuas para alimentar interesses privados. A amoralidade, a corrupção e a desagregação social se disseminam. As nações, então, entram em declínio, e os mais pobres sofrem primeiro. Aristóteles já havia descrito essa trajetória há mais de dois milênios: o homem aperfeiçoado pela virtude é o melhor dos animais; separado da lei e da justiça, é o pior.

Nove anos depois, a agonia não diminuiu. Políticas destrutivas e comportamentos corrosivos dilaceraram a sociedade brasileira e erodíram a confiança nas instituições. O Brasil é hoje a décima maior economia do mundo, mas ocupa apenas o 84º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas—uma disparidade que revela a falha fundamental em traduzir crescimento econômico em qualidade de vida. Mais de 48 milhões de brasileiros ainda vivem abaixo da linha de pobreza, sem acesso às oportunidades básicas que permitiriam ascensão social.

O que o país precisa, segundo o autor, é de estadistas dotados de seis valores inegociáveis. Primeiro, integridade pessoal que sirva como exemplo moral. Segundo, competência administrativa permeada pelo dever cívico. Terceiro, respeito genuíno ao regime democrático. Quarto, luta constante contra a desigualdade, começando com programas que promovam mobilidade social. Quinto, capacidade de pacificar a sociedade—não buscando vingança contra adversários políticos, mas devolvendo esperança aos que a perderam. Sexto, coragem para enfrentar interesses indevidos que comprometem o futuro coletivo. Um verdadeiro estadista, em cada decisão, deveria se perguntar: isso aumentará ou diminuirá as oportunidades da criança que nasceu ontem na família mais pobre do país?

A próxima eleição nacional oferecerá uma oportunidade de resgate? O autor é cético. Os dois candidatos que lideram as pesquisas representam correntes políticas que ocuparam a presidência por mais de vinte anos, tiveram chance de produzir prosperidade e falharam. Ambos carregam altos índices de rejeição e dificilmente conseguirão unir o país diante da turbulência econômica que se aproxima. Pior ainda, ambos os grupos demonstraram desprezo pela verdade, pela legalidade e pela dignidade humana, como revelaram os episódios ligados à pandemia e ao escândalo do INSS.

Mas não tudo está perdido. O autor identifica uma luz na escuridão: Ronaldo Caiado, governador de Goiás, descrito como uma figura íntegra admirada pelos cidadãos de sua região. Em 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest, Caiado possui a melhor avaliação popular entre todos os governadores e ex-governadores do Brasil. Com trajetória humanística robusta—um médico que aliviava a dor dos corpos quebrados—ele representa a possibilidade de um caminho diferente. O autor, parafraseando Chico Buarque, sugere que colocar os destinos do país nas mãos de alguém assim poderia finalmente encerrar a aflição infinita que assola o Brasil, permitindo que uma flor brote de cada chão impossível.

O homem, quando aperfeiçoado pela virtude, é o melhor dos animais; mas, quando separado da lei e da justiça, é o pior de todos
— Aristóteles, citado pelo autor
Para consertar o esfrangalho atual, o país necessita de governantes dotados de integridade pessoal, competência administrativa, respeito democrático, luta contra desigualdade, capacidade de pacificação social e coragem contra interesses indevidos
— Autor
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Folha de S.Paulo ↗
Kontakt FAQ