Meredydd Jones viveu décadas com cistos nos pulmões sem sintomas até sofrer dor extrema em 2016, levando a duas cirurgias em 2018 e 2019. A hidatidose é transmitida por tênia entre animais e humanos através de contaminação fecal, sendo endêmica no País de Gales devido às fazendas de ovelhas.
Agricultor galês descobre parasita após sofrer pior dor de sua vida
Troquei dois cistos por duas cicatrizes nas costelas
Por que Jones não sentiu nada durante todos esses anos?
Os cistos crescem muito lentamente. Ele pode ter sido infectado há 20 ou 30 anos e o corpo simplesmente os tolerou. Até que algo — talvez o tamanho, talvez a posição — desencadeou aquela dor extrema.
E como ele foi infectado?
Provavelmente pelas mãos. Tocou um cão infectado, comeu sem lavar bem as mãos. É tão simples quanto isso. E tão fácil de evitar.
Por que a doença está reaparecendo agora?
As campanhas de saúde pública funcionaram por um tempo, mas as pessoas relaxaram. Os tratamentos antiparasitários nos cães diminuíram. E a doença nunca desapareceu completamente — estava apenas dormindo.
O que os pesquisadores esperam descobrir com os rastreadores?
Querem ver se os cães estão realmente entrando em contato com ovelhas mortas infectadas. Se conseguirem mapear esses encontros, conseguem quebrar a corrente de transmissão.
Jones poderia ter evitado tudo isso?
Sim. Higiene das mãos. Tratamento regular dos cães. Coisas simples. Mas ninguém sabia que tinha a doença até a dor chegar.
E agora?
Agora ele vive com cicatrizes e um cisto no fígado que não podem remover. E a região está tentando evitar que mais pessoas como ele sofram o mesmo.
O Pulso
- Meredydd Jones, 86 anos, agricultor em Trecastle, País de Gales
- Viveu décadas com cistos nos pulmões sem sintomas até dor extrema em maio de 2016
- Duas cirurgias em 2018 e 2019 removeram cistos dos pulmões; um cisto no fígado permanece
- Hidatidose cística é endêmica em regiões de criação de ovelhas do País de Gales
- Pesquisadores usam rastreadores GPS em cães para estudar propagação da doença
Meredydd Jones viveu décadas com cistos nos pulmões sem sintomas até sofrer dor extrema em 2016, levando a duas cirurgias em 2018 e 2019. A hidatidose é transmitida por tênia entre animais e humanos através de contaminação fecal, sendo endêmica no País de Gales devido às fazendas de ovelhas.
Um agricultor de 86 anos no País de Gales viveu anos com cistos causados por tênia antes de sentir dor intensa que o levou ao hospital. A hidatidose cística, doença endêmica em regiões de criação de ovelhas, requer cirurgia e está reaparecendo na região.
Meredydd Jones tinha 86 anos e passava a vida inteira em Trecastle, no País de Gales, criando ovelhas como tantos outros fazendeiros da região. Durante décadas, ele não sabia que carregava cistos nos pulmões — o resultado silencioso de uma infecção parasitária que poderia ter permanecido invisível para sempre, não fosse uma noite de maio de 2016 que mudaria tudo.
Era maio quando Jones planejava sair para jantar com sua esposa Eileen. Ficou em casa porque não se sentia bem. Perto da meia-noite, a dor o derrubou — não era uma dor comum, não era algo que ele reconhecesse de sua vida inteira. Era a pior dor que havia experimentado. Chamou a ambulância. No hospital Nevill Hall, em Abergavenny, os médicos lhe deram algo que finalmente a aliviou. Ele ficaria internado por dez dias.
Os médicos suspeitaram rapidamente do que era. Hidatidose cística — uma doença causada por uma tênia que forma cistos lentos e silenciosos dentro do corpo. Na região central de Gales, onde as fazendas de ovelhas cobrem a paisagem, essa doença é endêmica. O fato de Jones ser um criador de ovelhas idoso provavelmente ajudou no diagnóstico. Os médicos daquela região tinham experiência com isso. Havia muitos casos.
Jones foi encaminhado para o principal especialista em cistos hidáticos em Londres. Lá, em 2018 e 2019, passou por duas cirurgias — uma em cada pulmão. Removeram os cistos. Ficaram as cicatrizes nas costelas. Ele ainda tem um cisto no fígado, mas os cirurgiões decidiram deixá-lo lá. "Troquei dois cistos por duas cicatrizes", disse ele depois.
A doença funciona assim: uma tênia vive entre animais de criação — ovelhas, vacas, cães. Os cães excretam os ovos. Se um ser humano ingere esses ovos, geralmente através de contaminação das mãos após manipular animais, os ovos podem formar cistos dentro do corpo. Inchaços. Dores. Exigem cirurgia. O epidemiologista Chris Williams, consultor do Serviço de Saúde Pública do País de Gales, explica que os sintomas podem levar dez ou vinte anos para aparecer. Por isso Jones viveu tanto tempo sem saber.
Há cerca de 25 anos, campanhas de saúde pública enfatizavam a importância de tratamentos antiparasitários regulares nos cães das fazendas e higiene das mãos. Funcionou por um tempo. Mas pesquisadores recentes descobriram que a hidatidose está reaparecendo em cães e ovelhas na região. Gwenllian Rees, da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade de Aberystwyth, supervisiona uma pesquisa que estuda as interações entre cães e humanos, analisando amostras de fezes. É crucial entender os níveis atuais da doença, os riscos para os agricultores, como ela está sendo transmitida.
A doutoranda Keira Washtell trabalha no projeto usando coleiras com rastreamento de GPS nos cães das fazendas. Os dispositivos emitem sinais que mostram exatamente onde cada cão vai, por quais campos passa, se entra em outras fazendas. Com esses dados, os pesquisadores esperam entender como a doença se propaga, como as tênias se disseminam. O cão precisa ingerir os cistos — e para isso, precisa encontrar partes infectadas de uma ovelha ou carneiro morto ou caído. Ao rastrear os movimentos, talvez consigam pistas de se isso realmente está acontecendo. É um esforço para evitar que mais agricultores como Jones vivam décadas carregando uma doença invisível.
Citações Notáveis
Não consegui aguentar a dor, que era mais forte que qualquer outra que já havia sentido— Meredydd Jones, agricultor
Os sintomas podem levar dez ou vinte anos para aparecer, por isso devemos abordar o problema o quanto antes— Chris Williams, epidemiologista do Serviço de Saúde Pública do País de Gales