Na Saxónia-Anhalt, um estado alemão de 2,1 milhões de habitantes, o partido AfD conquistou 44% dos votos nas eleições regionais de domingo — um resultado sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com uma participação histórica de 76,5%, o eleitorado enviou um sinal inequívoco de insatisfação com a ordem política estabelecida, embora a barreira de três assentos para a maioria absoluta e a determinação dos restantes partidos em não cooperar com o AfD deixem em aberto a questão de quem, afinal, governará. A Alemanha, que construiu décadas da sua identidade sobre a rejeição do extremi
AfD vence eleições no leste da Alemanha com vitória histórica de 44%
Fizemos história hoje. Precisamos de uma mudança política fundamental.
Como é que um partido de extrema-direita consegue chegar a 44% numa democracia europeia moderna?
A Saxónia-Anhalt é uma região que tem enfrentado dificuldades económicas e mudanças demográficas significativas. O AfD oferece respostas simples a problemas complexos, e a participação recorde de 76,5% mostra que as pessoas estavam mobilizadas.
Mas precisamos de ser claros: 44% é a projeção, não o resultado final contado. E mesmo que se confirme, o partido pode não conseguir governar — faltam-lhe assentos para maioria absoluta.
Então todos os outros partidos vão bloquear o AfD?
Essa é a intenção declarada. Todos os principais partidos mantêm uma barreira de não cooperação com o AfD. O governador Sven Schulze já sinalizou que quer formar uma coligação multipartidária.
Mas isso é uma estratégia frágil. Se o AfD continuar a crescer, em algum momento essa barreira pode não resistir — ou o partido consegue maioria absoluta noutras eleições.
Qual é o contexto histórico que torna isto tão significativo?
Nenhum partido de extrema-direita controlou um estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha construiu a sua identidade democrática em torno da rejeição do extremismo de direita.
É importante notar que o AfD é classificado como extremista de extrema-direita pelos órgãos de segurança alemães, mas o partido rejeita essa classificação. Há debate legítimo sobre como caracterizar o movimento.
E o que vem a seguir?
Depende de como se desenrola a negociação de coligação. Se conseguirem bloquear o AfD, a questão é quanto tempo essa barreira aguenta. Se não conseguirem, é um ponto de viragem na política alemã.
O Pulso
- O AfD obteve 44% dos votos na Saxónia-Anhalt, mais do dobro do segundo classificado CDU com 18,5%, num resultado que os próprios líderes do partido descrevem como histórico e sem paralelo no pós-guerra alemão.
- A participação de 76,5% — máximo histórico na região — revela uma mobilização eleitoral profunda e deliberada, sugerindo que o voto não foi protesto casual, mas convicção organizada.
- Apesar da vitória expressiva, o AfD fica a três assentos da maioria absoluta necessária para governar sozinho, abrindo uma janela que os restantes partidos estão determinados a usar para bloquear o seu acesso ao poder.
- O governador Sven Schulze sinalizou a intenção de construir uma coligação multipartidária de bloqueio, mantendo a 'barreira' de não cooperação com o AfD que todos os principais partidos alemães têm sustentado.
- O resultado redefine o que é politicamente possível na Alemanha: um partido classificado como extremista de extrema-direita conquistou a maior votação numa eleição regional desde o fim da Segunda Guerra Mundial, independentemente do que aconteça a seguir.
Na Saxónia-Anhalt, um estado alemão de 2,1 milhões de habitantes, o partido AfD conquistou 44% dos votos nas eleições regionais de domingo — um resultado sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com uma participação histórica de 76,5%, o eleitorado enviou um sinal inequívoco de insatisfação com a ordem política estabelecida, embora a barreira de três assentos para a maioria absoluta e a determinação dos restantes partidos em não cooperar com o AfD deixem em aberto a questão de quem, afinal, governará. A Alemanha, que construiu décadas da sua identidade sobre a rejeição do extremismo de direita, confronta-se agora com uma reconfiguração do seu mapa político que poucos julgavam possível.
A Saxónia-Anhalt acordou segunda-feira com um resultado sem precedente na história política alemã do pós-guerra. O AfD venceu as eleições regionais com 44% dos votos, mais do dobro do CDU, que ficou em segundo lugar com 18,5%. As projeções confirmavam o que os líderes do partido já celebravam antes de os votos estarem totalmente contados.
Ulrich Siegmund, o candidato de 35 anos que liderava a lista do AfD, declarou que tinham "feito história" e que o país precisava de uma mudança política fundamental. Alice Weidel, co-líder nacional do partido, descreveu o resultado como um "mandato claro para governar". A euforia era real — mas havia uma complicação aritmética.
Com 39 assentos projetados num parlamento que exige 42 para maioria absoluta, o AfD ficava a três cadeiras de governar sozinho. O governador Sven Schulze sinalizou de imediato a intenção de formar uma coligação multipartidária para bloquear o acesso do partido ao poder, mantendo a barreira de não cooperação que todos os principais partidos alemães têm sustentado face a um partido classificado como extremista de extrema-direita — etiqueta que Siegmund rejeita.
O restante espectro político ficou fragmentado: Die Linke com 9,5%, Verdes com 9%, Social-Democratas com 8%, e o BSW de Sahra Wagenknecht a regressar ao parlamento ao superar os 5%. O FDP ficou de fora com apenas 2%.
O que mais impressionou foi a participação: 76,5% dos eleitores foram às urnas, um máximo histórico numa região de 2,1 milhões de habitantes. Esse número sugeria uma mobilização real e determinada, não um voto de protesto passageiro. A Alemanha, que construiu décadas da sua identidade política sobre a rejeição do extremismo de direita, confronta-se agora com uma reconfiguração profunda do seu mapa político — independentemente de quem venha a governar a Saxónia-Anhalt.
A Saxónia-Anhalt acordou segunda-feira com um resultado que nenhum partido de extrema-direita tinha conseguido na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O AfD venceu as eleições regionais de domingo com 44% dos votos — mais do que o dobro da pontuação do CDU, o partido de centro-direita do chanceler Friedrich Merz, que ficou em segundo com 18,5%. Os votos ainda estavam a ser contados quando as projeções confirmaram o que os líderes do AfD já celebravam como história feita.
Ulrich Siegmund, o candidato de 35 anos que encabeçava a lista do AfD, não escondeu a euforia. "Fizemos história hoje", declarou, acrescentando que o país precisava de "uma mudança política fundamental", de "uma política que finalmente proteja os nossos próprios interesses, o nosso próprio país". Alice Weidel, co-líder do partido, reforçou a mensagem: o resultado era "histórico" e constituía "um mandato claro para governar". Ambos falavam como quem tinha acabado de conquistar algo que parecia impossível semanas antes.
Mas havia um pormenor que complicava a narrativa de vitória total. Se os números se confirmassem na contagem final, o AfD teria 39 assentos no parlamento regional da Saxónia-Anhalt. Para governar sozinho, precisava de 42. Essa diferença de três assentos abria uma porta que todos os outros partidos estavam determinados a manter fechada. O governador do estado, Sven Schulze, já sinalizava que pretendia formar uma coligação multipartidária capaz de bloquear o acesso do AfD ao poder. Todos os principais partidos alemães tinham mantido até ali uma "barreira" explícita de não cooperação com o partido, que é classificado como "extremista de extrema-direita" — uma etiqueta que Siegmund rejeita.
O resto do espectro político ficou disperso. A Die Linke, partido de extrema-esquerda, obteve 9,5%. Os Verdes e os Social-Democratas ficaram com 9% e 8%, respetivamente. O BSW, a Aliança Sahra Wagenknecht, conseguiu ultrapassar a barreira dos 5% necessária para regressar ao parlamento, contrariando as expectativas. O FDP, partido liberal, ficou de fora com apenas 2%.
O que mais chamou atenção foi a participação. Numa região de 2,1 milhões de habitantes, 76,5% dos eleitores foram às urnas — um máximo histórico. Esse número sugeria que o voto não era casual, que havia uma mobilização real por trás dos resultados. As sondagens publicadas pela televisão pública ARD nas semanas anteriores tinham colocado o AfD em primeiro com 42%, mas o resultado final superou até essas projeções.
O significado histórico era inegável. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha tinha construído a sua identidade política em torno da rejeição do extremismo de direita. O país tinha-se esforçado por décadas para se redimir do seu passado sombrio, quando era governado por Adolf Hitler. Agora, um partido classificado como extremista de extrema-direita tinha conquistado a maior votação numa eleição regional. Não estava claro se conseguiria governar, mas estava claro que tinha mudado algo no mapa político alemão.
Citações Notáveis
Fizemos história hoje. Precisamos de uma mudança política fundamental neste país, com uma política que finalmente proteja os nossos próprios interesses, o nosso próprio país.— Ulrich Siegmund, candidato do AfD
É um resultado histórico. Este é um mandato claro para governar.— Alice Weidel, co-líder do AfD