Advogado de Adélio afirma que cliente corre risco de vida se libertado

Adélio Bispo permanece internado em medida de segurança desde 2018 após tentar assassinar o então candidato Jair Bolsonaro.
Os ânimos estão muito acirrados, ele não dura na rua
Advogado de Adélio Bispo explica por que acredita que seu cliente não sobreviveria em liberdade.
Mark

Por que o advogado está tão certo de que Adélio correria risco de vida se fosse libertado? É uma avaliação baseada em ameaças específicas ou é mais uma leitura do clima político?

Mimi

Zanone aponta o clima de polarização política como razão principal. Ele vê o Brasil dividido demais, os ânimos muito acirrados. Não menciona ameaças específicas documentadas, mas fala da impossibilidade de Adélio viver discretamente em um país tão polarizado.

Luke

Isso é importante notar: o advogado não cita ameaças concretas contra seu cliente. Ele está fazendo uma projeção sobre o clima político. Não sabemos se há grupos organizados contra Adélio ou se é uma avaliação mais geral sobre a segurança pessoal dele.

Mark

E quanto à perícia psiquiátrica que se aproxima? Qual é realmente o poder dela?

Mimi

A lei diz que quando Adélio completar três anos de internação, deve passar por novo laudo. Se os psiquiatras disserem que ele pode ser liberado, a defesa não vê como mantê-lo preso legalmente. Se disserem que precisa continuar em tratamento, os exames passam a ser anuais.

Luke

Mas há uma tensão aqui: o advogado acha improvável que Adélio seja liberado porque ainda está em tratamento. Então ele está confiando que os psiquiatras vão concordar com ele. Não sabemos qual é a opinião dos médicos que o acompanham.

Mark

Por que Zanone se opôs tão fortemente à transferência para Minas Gerais?

Mimi

Ele não confia no sistema prisional estadual. Acha que o federal oferece melhor estrutura de saúde mental e segurança. Além disso, talvez haja uma lógica de que quanto mais longe de Minas Gerais, menos exposto Adélio fica.

Luke

Mas isso também revela algo: o advogado está fazendo escolhas sobre onde seu cliente fica com base em sua avaliação de risco político e segurança pessoal, não apenas em critérios médicos ou legais puros.

Mark

E essa vitória recente sobre o procedimento disciplinar? O que muda?

Mimi

Significa que se Adélio tiver um surto, os funcionários podem contê-lo apenas para proteção até a equipe médica chegar. Ele não pode ser punido disciplinarmente porque é inimputável. Qualquer ação tem que ser voltada para o tratamento da doença mental.

Luke

Isso protege Adélio de punições arbitrárias, o que é importante. Mas também deixa claro que ele é visto como alguém que pode ter surtos. A questão é: com que frequência isso acontece? O texto não diz.

  • Adélio Bispo cumpre medida de segurança na Penitenciária Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul
  • Deve passar por perícia psiquiátrica até fim de 2021, completando três anos de internação
  • Advogado projeta permanência de mais quatro a seis anos na instituição federal
  • Defesa conquistou direito de que surtos psicóticos resultem apenas em contenção até chegada de equipe médica

Adélio Bispo cumpre medida de segurança na Penitenciária Federal de Campo Grande e deve passar por perícia psiquiátrica até o fim de 2021. O advogado Zanone Manuel acredita que o cliente não sobreviveria em liberdade e se opõe a transferência para presídio estadual em Minas Gerais.

O advogado de Adélio Bispo, autor da facada em Bolsonaro em 2018, afirma que seu cliente corre risco de vida se sair da prisão devido ao clima político polarizado no Brasil.

O nome de Adélio Bispo de Oliveira ressurgiu nas redes sociais quando o presidente Jair Bolsonaro foi internado para tratar uma obstrução intestinal em julho de 2021. A Secretaria Especial de Comunicação do governo federal associou publicamente o episódio ao atentado sofrido pela então candidato em 2018. Naquele contexto de polarização política acirrada, o advogado de Adélio, Zanone Manuel de Oliveira Júnior, fez uma afirmação contundente: seu cliente não sobreviveria em liberdade.

Zanone não deixou margem para dúvida. Segundo ele, se Adélio fosse solto, "não dura nada aqui fora". O advogado apontava o clima de guerra política no país como razão principal para esse risco. "Os ânimos estão muito acirrados", disse, citando o que se vê nos jornais e na política brasileira. Para Zanone, o Brasil havia se tornado pequeno demais para abrigar alguém em sua situação sem que houvesse ameaça à vida.

Adélio cumpria medida de segurança de internação na Penitenciária Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde sua condenação. A decisão judicial que o mantinha lá citava sua "alta periculosidade" e apontava que a instituição federal possuía unidade básica de saúde e atendimento psiquiátrico adequados ao seu tratamento. Era exatamente onde Zanone queria que ele permanecesse. Quando o cliente havia solicitado transferência para um presídio estadual em Minas Gerais para ficar mais perto da família, o advogado se opôs publicamente e enfrentou críticas. "Eu não confio no sistema estadual. O sistema prisional estadual é podre. Eu confio no federal", afirmou com convicção.

O cenário jurídico que se aproximava era delicado. Adélio deveria passar por uma nova perícia psiquiátrica até o fim de 2021, quando completaria três anos de internação. Esse novo laudo teria o poder de determinar sua libertação, embora Zanone considerasse essa possibilidade remota dado que o cliente ainda estava em tratamento. Se os psiquiatras entendessem que ele deveria ser liberado, a defesa não via previsão legal para mantê-lo detido. Mas se o parecer fosse pela continuidade do tratamento, os exames passariam a ser realizados anualmente, conforme a lei estabelecia.

Zanone projetava um cenário de longa permanência. "Eu acredito que ainda vai durar mais uns quatro ou seis anos no mínimo", estimou. A defesa havia conquistado recentemente uma vitória processual: caso Adélio tivesse algum surto psicótico ou psicomotor que colocasse em risco outras pessoas ou a si mesmo, os funcionários do presídio poderiam agir apenas para proteção até a chegada da equipe médica plantonista. Como inimputável, Adélio não poderia receber faltas disciplinares ou ser autuado por procedimentos administrativos de caráter punitivo, apenas por medidas voltadas ao tratamento de sua doença mental, quando solicitadas por profissional especializado.

O que emergia dessa situação era uma encruzilhada sem saída clara. A lei estabelecia mecanismos para avaliar se Adélio poderia ser liberado, mas seu advogado acreditava que a realidade política do país tornava essa liberdade uma sentença de morte. A defesa lutava para mantê-lo no sistema federal, protegido não apenas pelas grades, mas pela estrutura de saúde mental que a instituição oferecia. Enquanto isso, Adélio permanecia internado, à espera de laudos que poderiam mudar seu destino, mas em um contexto político que seu advogado considerava letal para qualquer pessoa em sua posição.

Não dura nada aqui fora. Tenho certeza. No atual cenário, o Adélio corre sérios riscos
— Zanone Manuel de Oliveira Júnior, advogado de Adélio Bispo
Eu não confio no sistema estadual. O sistema prisional estadual é podre. Eu confio no federal
— Zanone Manuel de Oliveira Júnior
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